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O QUE O MERCOSUL DECICIU SOBRE A VENEZUELA?

NADA. MAIS UMA VEZ ELES SÓ FORAM FUMAR CHARUTOS,

Quando foi criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, o Mercosul pretendia replicar o modelo de integração da União Europeia, além de se fortalecer como um bloco comercial que, teoricamente, teria mais poder de barganha para negociar com os blocos econômicos mais poderosos e, de quebra, impedir a possibilidade de uma guerra fiscal na atração do capital estrangeiro.

Os países fundadores foram Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Porém, no primeiro momento, o Mercosul tornou-se nada mais que um grupo de amigos que se reunia semestralmente para fumar charuto na casa de um deles, porque de prático mesmo produziu pouca coisa.

À medida que a esquerda foi se apossando dos governos dos países membros, além de fumar charuto foi introduzida uma novidade, passaram também a jogar poker, porque não dá para blefar só fumando charuto. E o dinheiro começou a correr solto em meio a blefes descabidos e apostas impagáveis.

As rodadas de poker interessaram muito a Venezuela, mas existia a oposição do parlamento do Paraguai, dominado pela direita do Partido Colorado, que não acreditava que a mesma tivesse cacife para entrar na brincadeira e muito menos que fosse jogar dentro das regras do jogo. Mas na verdade, o que eles viram foi além disso. E deram uma nova guinada à direita.

O impeachment relâmpago de Fernando Lugo da presidência do Paraguai em 2012, foi antes de tudo movimento que impediu a esquerda de ir mais adiante. E foi também a senha que Brasil, Argentina e Uruguai, representados na época por Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e José Mujica, precisavam para incluir a Venezuela no Mercosul.

Em nome do impeachment de Fernando Lugo, suspenderam o Paraguai e aproveitaram a suspensão para colocar a Venezuela dentro.

Como previsto pelo Paraguai, a Venezuela não só não tinha cacife, como também não respeitava as regras do jogo e ainda roubava.

O tempo passou e Dilma, Cristina e Mujica viraram história, o Paraguai reintegrou o grupo e o Mercosul passou a se alinhar novamente a caminho do centro e da direita.

Sob nova direção, e com o livro de regras debaixo do braço, por não cumprir com as exigências para ser um filiado o Mercosul suspendeu a Venezuela. E só não excluiu definitivamente por falta de coragem.

A Venezuela é o que sobrou da tão sonhada Grande Pátria do Foro de São Paulo, e o que existe lá é uma ditadura sangrenta, genocida, para a qual, aparentemente, não há solução através de uma negociação que possa ser efetivamente mediada por alguém.

Nicolas Maduro quis ser Lula enquanto grande líder, mas não quer ser Lula condenado à cadeia, que é o que lhe acontecerá quando for deposto, e se permanecer vivo.

E o Mercosul…

Bem, o Mercosul apesar de tudo e da reviravolta ideológica, voltou a ser apenas o clube onde se fumam apenas charutos, até mesmo os cubanos.

Os dois mais relevantes acordos comerciais internacionais do bloco são com Israel e Egito, a guerra fiscal permanece, a integração aduaneira é uma piada sem graça, e o benefício mais explícito que pode ser sentido é o fato de poder apresentar a carteira de identidade no lugar do passaporte ao desembarcar no aeroporto de um desses países.

Na reunião do Mercosul de Mendonza, na qual o Brasil assume a presidência do bloco pelos próximos seis meses, nenhuma sanção econômica ou efetive reprimenda à Venezuela. Apesar das mais de 100 mortes de opositores do regime de Maduro, apesar das centenas de milhares de pessoas nas ruas há mais de 100 dias, apesar da fome, da carência de remédios e da violência do regime.

O Mercosul não decidiu nada. Porque nunca decide nada. Porque até hoje não serve para nada.

E que os lúcidos paraguaios, que desviaram o caminho para a centro-direita novamente, sirvam de lição para quem ainda acredita que os governos de esquerda ainda podem produzir os milagres ideológicos que não produziram nem quando formaram um bloco dominante na economia sul americana. Só produziram corrupção.

O Paraguai, ao contrário, só cresceu após o impeachment de Fernando Lugo. Foram 13% em 2013, 4,7% em 2014, 3% em 2015 e 3,5% em 2016. No mesmo período o Brasil cresceu, respectivamente, 3%, 0,5%, -3,7%, -3,6%, e reza para todos santos ajudarem que cresça entre 0,2% e 0,4%.

E eles continuam fumando charutos, provavelmente cubanos.

 

 

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.