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O PT é o primeiro. Mas veremos a desintegração total da corrupção sistêmica.

O PT é o primeiro. Mas veremos a desintegração total da corrupção sistêmica. Só o STF salva José Dirceu. Só o STF salva os corruptos. Só o STF salva o STF, fechando, para isso, acordos e compromissos espúrios com todo mundo, inclusive com o PT, aliás, cujos parlamentares se tornaram assíduos frequentadores de corredores e determinados gabinetes. Tudo institucional, claro.

O PT pode não estar acabado no ponto de vista de quem ganha um sanduíche de mortadela e 30 reais, mas seu comprometimento é tão profundo que, a partir de janeiro de 2019, corre o risco de não ter nem quem fale por ele ou consiga arrecadar o dinheiro do sanduba e da diária de 30 pilas. A esmagadora maioria de gritões e falastrões está mais para escrever cartinha de trás das grades do que ler cartinha enviada da cadeia por alguém.

A delação de Antônio Palocci está por pouco para ser homologada. Pelo que especula a imprensa, vai faltar ventilador. Lula, Dilma, José Dirceu, Guido Mantega, José Sérgio Gabrielli, Graça Foster, Gleisi Hoffmann, todos foram finalmente dedurados por Palocci, e falo dedurados porque teriam sido delatados lá atrás se o MPF tivesse feito o acordo, mas como ninguém deu bola para o italiano, e ainda lhe cagaram na cabeça, o que ele fez agora foi dedurar mesmo. Não sei porque não entregou as togas, segundo o que dizem ele não concordou em incluir essa parte da podridão no acordo.

Mas o que realmente torna o momento interessante é ver que o MDB segue o mesmo caminho do PT, assim como o PSDB. Todos em processo de desintegração, tendo em seus protagonistas um elenco de encrencados com a Lava Jato e outras operações e modalidades de criminalidade. Para quem nunca acreditou que Lula seria preso um dia, com um mês e meio de cadeia e todos os recursos – até agora – negados, imaginar que Renan Calheiros e Aécio Neves possam ter o mesmo destino já não é uma fantasia.

A Lava Jato pegou a espinha dorsal do sistema de corrupção sistêmica implantado e superdesenvolvido nos governos do PT, com a cumplicidade, apoio, oportunismo e gula do MDB. Tudo isso com a aquiescência do PSDB, que continuou tendo suas oportunidades para a prática de delitos criminosos sem ser molestado, uns fazendo vista grossa para os outros.

Sérgio Moro, Marcelo Bretas e Vallisney Oliveira ultrapassaram todos os limites a que se auto impunha a justiça brasileira de primeira instância, até então de comportamento subordinado ao establishment. E conseguiram isso por três motivos simples: se prepararam para estar aonde estão, utilizaram extremamente os limites da lei e fizeram cumprir a lei.

Sempre haverá quem vai dizer que Moro descumpriu a lei quando divulgou os áudios de Lula e Dilma. E sempre haverá também quem dirá que é dever de um juiz federal revelar o acometimento de um crime quando ele sabe que está sendo cometido, e se ele não fizer isso estará prevaricando. Por outro lado, se isso foi um ultrapassar de limites, que bom que ele teve essa coragem, e que outros mais tenham a mesma.

O final dessa legislatura em 31 de dezembro de 2018 será a despedida da pior representação legislativa, judiciária e executiva de toda a história do Brasil. Nunca soubemos tanto sobre o funcionamento das engrenagens da corrupção, jamais imaginamos o volume de dinheiro que isso envolveu desde a redemocratização do Brasil, em momento algum tínhamos tido até então a clareza do preço que a sociedade para com tanta roubalheira.

É quase impossível imaginar que exista 1 único município entre os 5570 do Brasil que não tenha algum escândalo de corrupção na câmara municipal ou na sua prefeitura. E é certo que não há 1 estado brasileiro entre os 27 que não tenha um escândalo de corrupção na sua assembleia legislativa ou no governo do estado.
Nos governos federais, os escândalos se sucedem desde a posse de José Sarney em 1985, época em que Lula era inimigo mortal de José Sarney, Michel Temer, Fernando Collor, Fernando Henrique. Mas nós éramos muito mais bobos do que somos hoje, apesar de muito bobos ainda.

Usando a física como referência quando afirma que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, a desintegração desses partidos é a oportunidade para a concretização de um novo movimento de patriotismo e espírito de civilidade e nacionalidade. Esse espaço precisa ser preenchido por uma nova mentalidade sobre cidadania acima de ideologias, já não faz o menor sentido que o povo brigue por elas quando os próprios políticos apenas as usam como escudo e não tem nenhum real compromisso com o que pregam.

A corrida eleitoral começa a se aproximar da parte mais fina do funil, as alianças e repúdios começarão a ficar mais assanhados, os discursos cada vez mais mentirosos, as promessas cada vez mais utópicas ou radicais, e acabaremos elegendo um presidente, seja ele qual for, por exclusão e não necessariamente pelos seus méritos pessoais, ainda que os tenha.

Por esse critério, Jair Bolsonaro continua representando a maior expectativa por mudanças e o provável segundo turno com ele será o verdadeiro todos contra um, talvez a maior aliança de partidos da história contra um único candidato, PT, MDB, PSDB, DEM, STF (ops, esse não é partido) encabeçando a luta, quer dizer, se o processo de desintegração não levar mais meia dúzia de cabeças até as eleições.

A verdade é que a desintegração do PT e da corrupção sistêmica era tão improvável que acabou acontecendo.  De modo que podemos pensar que existem outras improbabilidades possíveis, como o povo reagir, uma intervenção militar… afinal, somos ou não somos o país onde o improvável sempre acontece?

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