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O BRASIL É O QUE O POVO BRASILEIRO QUER QUE ELE SEJA

SÓ O CAOS MUDARIA ISSO. O PROBLEMA É QUE NO BRASIL ATÉ O CAOS É DE MÁ QUALIDADE.

Certas horas é difícil escrever sobre um tema sobre o qual eu falo com alguma insistência. Não se trata do que falar, mas do como falar.

Acredito que tudo o que alguém que escreve alguma coisa deseja é que essa alguma seja lida, entendida, e que possa fazer alguma diferença na vida desse alguém. Novamente, não é o que falar, mas o como falar. Quem escreve tem por objetivo sensibilizar o leitor através da narrativa que faz dos fatos. E fica complicado quando as pessoas ficam insensíveis e anestesiadas a tudo que acontece.

Depois de três anos de seguida exposição das quase profundezas (ainda pode ir mais fundo) da corrupção no Brasil, o brasileiro não se escandaliza mais com nada. Aliás, a palavra escândalo caiu em desuso. O brasileiro não consegue associar escândalo com corrupção porque não classifica esse crime como algo relacionado à moral. O povo brasileiro não associa lei com moral. Moral continua sendo tomar chifre, botar chifre, coisa ligada a honra, nada a ver com lei. Roubar, desviar, superfaturar, o que isso tem a ver com moral?

Eu poderia me referir às esvaziadas manifestações de ontem, absolutamente sem liderança, sem foco, sem objetivo, marcada com 3 meses de antecedência por um motivo que foi mudando ao longo do tempo até ninguém saber qual era. Ir lá fazer o que? Protestar contra o que? Contra quem?

Lula continua solto. Renan continua solto. Aécio continua solto. Dilma continua solta. Mantega continua solto. Gabrielli continua solto. Luciano Coutinho continua solto. Gleisi Hoffmann continua solta. Paulo Bernardo continua solto. Romero Jucá continua solto. Collor continua solto. Sarney jamais será preso.

Dois terços do Senado e mais da metade da Câmara dos Deputados respondem a inquéritos e processos que vão de crime ambiental a estupro.

O deputado federal Osmar Bertoldi, do Paraná, preso há 8 meses por lesão corporal, estupro e cárcere privado, entre outros, ganhou liberdade porque era o primeiro suplente do deputado Ricardo Barros, que se licenciou para assumir o Ministério da Saúde. Saiu do cumprimento de pena por estupro para assumir o cargo de deputado federal, propor leis, votar em leis. Isso faz algum sentido?

Esse é um caso absurdo, mas não menos absurdo que os crimes de peculato, improbidade administrativa, desvio de verbas, fraude em licitação, crime contra o patrimônio, recebimento de propina, concussão e outros tantos a que tantos prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e até o próprio presidente da república respondem.

Não serão eles a mudar as coisas. Muito menos o Supremo Tribunal Federal que, na figura de alguns ministros, tendo Gilmar Mendes à frente, dão seguidas demonstrações de que estão lá para assegurar que as coisas continuem como estão. Ou melhor, que voltem a ficar mais fácil para os corruptos, como a provável revisão contra a prisão após condenação em Segunda Instância que não demorará a ser – forçosamente – pautada pela ministra Carmem Lúcia.

Não contem com intervenção militar exceto num caos extremado onde uma guerra civil se estabeleça nas ruas; pelo menos formalmente, porque se o Rio de Janeiro não vive uma pequena guerra civil fica difícil nominar o que acontece por lá.

Não existe mágica. Não existe salvador da pátria, nem haverá um em 2018. Seja quem for o eleito, por mais bem-intencionado que queira ser, encontrará um país sucateado que só os próximos 50 anos poderão consertar. E quem está no poder vai tirar o que conseguir enquanto o final de 2018 não chegar. Com tudo o que já se viu na mídia, diariamente somos brindados com cenas de flagrante de suborno, como o caso da funcionária do Incra nessa semana.

O Brasil permanecerá assim enquanto o povo brasileiro assim quiser. Não haverá mudança vinda de um povo que não muda.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.