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O ATO PRÓ-LULA EM 3 ATOS

Abrem-se as cortinas.

1° Ato – Militontos

Depois de Joesley Batista, parece que a mortadela anda escassa no meio sindical. As poucas centenas de militontos que foram ontem na Avenida Paulista, provavelmente pagos, mal conseguiram lotar 3 quarteirões. Isso é o equivalente a apresentar uma peça num teatro que cabe 500 pessoas, distribuir ingressos grátis e mal conseguir preencher a fila do gargarejo.

Ali não se via representada a sociedade organizada, muito menos uma parcela dela que clama por democracia. Havia apenas um reduzido rebanho de asnos, incapazes de questionar os milhões de reais, os diversos processos e provas, e a condenação do ator principal e seus coadjuvantes. Tudo por um sanduíche de mortadela e uma nota de 50 reais. Bateriam palmas para qualquer pirueta feita no palco.

2° Ato – Elenco de apoio

Houve uma época em que o protagonista conseguia prender a atenção da plateia num monólogo de horas “a la Fidel Castro ou Hugo Chaves”, falando ao coração dos espectadores. Hoje, não mais. Hoje, é absolutamente necessário um elenco de apoio que se esforce para arrancar tímidos “viva” das pessoas, com palavras de ordem que tentam forjar uma realidade na qual nem eles mesmos acreditam, mas fundamentais para que as palavras do ator principal façam algum sentido par quem o assiste.

Esse mesmo elenco de apoio, tão enlameado em dinheiro sujo quanto o protagonista, não se preocupa em fazer sentido. Pouco importa se 3 dias antes defendia a ditadura venezuelana ou cantava o hino de Cuba, absolutamente incompatíveis com a tal democracia que tanto pregam, ou com as diretas já que tanto apregoam. Os anos só se interessam por pão (com mortadela), circo e a nota de 50 reais.

3° Ato – O protagonista

O encantador de asnos sabe que não encanta mais ninguém. Sabe que o que vale ali é o enquadramento das fotografias e imagens de TV que correrão o mundo (?), vendendo a outros a ilusão de que alguém realmente o defende. Ele sabe que, não importa o que diga, será aplaudido, ouvirá “viva” de seus asnos amestrados e verá bandeiras vermelhas tremulando. Como também sabe que cada uma daquelas cabeças custou 50 reais e um sanduíche de mortadela.

Então, ele se esforça apenas para continuar a parecer o bom ator que outrora arrebatava multidões realmente interessadas na sua atuação, no seu protagonismo, nas suas malandras frases de efeito. E o faz sem dar uma palavra sobre os 9,6 milhões reais bloqueados pela justiça. Sem citar o medo da revelação do inventário de sua falecida. E nem precisa. Ele só fala para asnos.

Fecham-se as cortinas.

Os espectadores vão embora sem comentar o espetáculo. Porque até os asnos sabem a diferença entre um bom elenco e uma trupe de mambembes. Só duas coisas realmente interessam. Que a nota de 50 reais não seja falsa, e que o sanduíche tenha mais mortadela do que da última vez, porque até para asnos está ficando cada vez mais difícil de engolir.

Ao resto do povo, que sabe a diferença entre ficção e realidade, só interessa mesmo que venha logo o último ato.

No Ponto Do Fato