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Nelson Jobim, homem de FHC, homem de Lula, homem de Temer

Nelson Jobim, homem de FHC, homem de Lula, homem de TemerNelson Jobim, se candidato mesmo, falará em nome da moral dos bons costumes, falará em nome da justiça e defenderá com unhas e dentes o Estado Democrático de Direito, mas estará falando apenas de o direito dos políticos corruptos continuarem impunes e soltos. Mas você não ouvirá ele dizendo da amizade pessoal que tem com os três. Nem dirá que é amigo pessoal e padrinho de casamento de José Serra.

Enquanto deputado federal constituinte, Nelson Jobim foi relator da Comissão de Constituição e Justiça e de redação da Câmara dos Deputados. Foi reeleito e entre as atividades relevantes que fez estão a relatoria da denúncia de impeachment contra Fernando Collor, na qual constatou o crime de responsabilidade e recomendou a cassação, relator da revisão da Constituição Federam em 1993/1994 e relator do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil.

Nelson Jobim foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1997 a 2006. Mais uma pérola de Fernando Henrique Cardoso. Presidiu o STF nos seus últimos 2 anos na casa. Aposentou-se aos 60 anos, 10 anos antes da aposentadoria compulsória que se dava aos 70, como mandava a Constituição Federal antes da PEC da bengala, que estendeu a pouca vergonha até os 75 anos. Antes tinha sido por dois anos ministro da Justiça de FHC. Foi também presidente do TSE na eleição de 2002, quando Lula finalmente foi eleito.

Mas foi no governo Lula que ele escalou o estrelato. Foi nomeado ministro da Defesa em 2007 após o acidente da TAM em Congonhas, durante segundo mandato do metalúrgico, e ali permaneceu até meados do primeiro ano do primeiro mandato de Dilma, quando foi demitido porque teria falado mal, veja você, de Ideli Salvati e Gleisi Hoffmann numa entrevista para a revista Piauí.

De lá para cá, vez por outra ouviu-se o nome de Nelson Jobim, bastante na época do Mensalão, quando andou fazendo o que hoje faz o também ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, ou seja, influenciar pessoas para tentar salvar políticos. E conseguiu. O fato do nome de Lula não ter aparecido no Mensalão é, em parte, obra dele.

Foi no escritório de Nelson Jobim que aconteceu o famoso encontro de Gilmar Mendes com Lula durante o Mensalão, no qual Lula teria dito a Gilmar que “É inconveniente julgar esse processo agora”! Gilmar Mendes relatou assim suas impressões sobre o encontro: “Fiquei perplexo com o comportamento e insinuações despropositadas do presidente Lula”. O escritório, lembrando, era de Nelson Jobim.

Em agosto de 2016 Nelson Jobim foi nomeado como novo sócio e membro do conselho de administração e responsável por relações institucionais e compliance do BTG Pactual, de André Esteves, que foi preso na mesma operação que Delcídio do Amaral por terem tentado a mando de Lula, segundo delação de Delcídio do Amaral, a armar um plano de fuga para Nestor Cerveró, que também estava preso.

É esse o homem que os políticos apavorados pretendem apresentar como candidato de centro capaz de unir o país? Nelson Jobim? Uma figura frequente nos momentos mais suspeitos da política brasileira?

Eles continuam fazendo pouco do povo, porque o povo continua fazendo pouco de si mesmo.

Nelson Jobim perdeu o prazo para filiação ao MDB. É o que diz a manchete do Estadão do dia 9 de junho de 2018. A matéria esclarece que “erro na remessa da ficha” ao cartório de Santa Maria (RS), que impediu a formalização do ato. Na semana passada, Jobim recorreu ao TRE para garantir a filiação. E consegui. O TRE entendeu facilmente que foi uma falha, como se uma falha não fosse impedimento. Se falhou é porque não foi feito corretamente. Mas isso faz pouca diferença.

A expectativa dos políticos é de que Nelson Jobim seja o homem que, se eleito, vai acabar com a Lava Jato. Ele é amigo de políticos, é amigo de juristas, é amigo de militares, e muito amigo de FHC, Lula e Temer e entende de urnas eletrônicas. Nelson Jobim é homem deles todos. Só não será homem de dizer a verdadeira intenção de sua candidatura.

Mais uma vez o sistema, ou o mecanismo, age para proteger a si e aos seus. Agora vão de Nelson Jobim que, ao contrário do apreço aos holofotes de Gilmar Mendes, gosta mais de trabalhar nas sombras e nos subterrâneos, de maneira sorrateira, ao melhor estilo da política brasileira.

Está ficando cada dia mais fácil Jair Bolsonaro ganhar a eleição para presidente. Se as urnas deixarem. Se o Supremo Tribunal Federal deixar. Suspeita-se que a repentina celeridade do julgamento de Gleisi Hoffmann seja para justificar uma possível celeridade num julgamento de Jair Bolsonaro. Teria dedo de Nelson Jobim aí?

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.