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O ódio eleitoral aflorou em 2004. Não houve ódio em 1994, 1998 e 2002.

O ódio veio forte a partir de 2004. Não houve ódio em 1994, 1998 e 2002. Muita gente que posta e comenta nas redes sociais ainda não tinha nascido ou não viveu esses momentos com idade o suficiente para lembrar. Quem já era jovem ou adulto nessas campanhas eleitorais pode se lembrar que o ódio não era um componente vivo ou decisivo nas intenções de voto ou declarações das pessoas.

Porém a semente do ódio já vinha sendo subliminarmente plantada nas cabeça das pessoas. O que sempre existiu até então foi a baixaria. E continua até hoje.

Desde que surgiu no cenário nacional como sindicalista e depois aspirante à presidência da república, Lula repetia um bordão que todos nós conhecemos. Já em seus comícios sindicais o “nós contra eles” era um ingrediente ativo e que encontrava ressonância na massa. Porém, até ser eleito presidente em 2002, Lula definia o “eles” como a elite, e definia a elite como qualquer um que não fosse de seu partido ou da esquerda.

Lula atacou Sarney, de quem veio a se tornar amigo e cúmplice, Antônio Carlos Magalhães, Itamar Franco e foi o patrocinador do impeachment de Fernando Collor, de quem também veio a se tornar amigo e cúmplice no saqueamento das empresas estatais brasileiras.

A partir de 2002, Lula elegeu Fernando Henrique Cardoso, o bobo da corte da esquerda que lhe passou sorridente a faixa presidencial, como o representante do “eles”. Dali para diante, FHC era culpado de tudo. Se chovia e tinha enchente, culpa do FHC. Se a seca matava o gado e sacrificava a população, era coisa de FHC. E assim foi na economia, na saúde, na educação, nos transportes e em todas as áreas aonde a designação de um culpado fortalecesse o discurso do PT. Lula chamava tudo isso de “a herança maldita de FHC”, e essa ideia colou.

Os movimentos sociais e sindicais se tornaram canais prioritários da disseminação do ódio e da luta do “eles contra nós”. O MST, primeiramente com José Rainha e depois com João Pedro Stédile, os movimentos sindicais através do sindicato dos metalúrgicos, CUT e as centrais de trabalhadores e novos sindicatos que se proliferam pelo país e mais recentemente o MTST, representado na medíocre figura de Guilherme Boulos. E, claro, desde sempre, as universidades federais, loteadas e lotadas de esquerdistas em todas os departamentos.

Além disso, a esquerda elegeu representantes nas Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado, que encarnaram o papel de guerreiros de Lula. Gente como Maria do Rosário, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Carlos Zarattini, José Dirceu, Benedita da Silva e outros tantos que se dispuseram a ser “jardineiros do ódio” em nome do projeto de poder que beneficiaria a todos, menos a população.

Pessoalmente eu não fiquei satisfeito com a eleição de Lula, porque jamais confiei nele e no PT. Mas, como a maior parte dos que também não gostava dele, enfiei meu rabo entre as pernas e respeitei a decisão do eleitorado. Sentei e fiquei torcendo para estar errado, e, confesso, até o surgimento do mensalão, cheguei a achar que estava mesmo errado. Acontece que veio o mensalão.

Enquanto os ventos estavam favoráveis para Lula em seu primeiro mandato, aquela sementinha de ódio plantada antes do PT chegar ao poder já tinha se transformado em planta, dado muitas mudas, recebido muito adubo, e como tudo que é praga na lavoura, se espalhado pelo país, especialmente na cabeça das pessoas mais simples, menos escolarizadas, menos informadas e propositalmente desinformadas.

O “nós contra eles” foi repetido dezenas de milhares de vezes na cabeça das pessoas, o “eles” já tinha nome, a elite já tinha uma cara para odiar, e a campanha de 2006 foi regada a ódio, porque Lula inclusive precisava de um subterfúgio que escondesse o mensalão, atribuindo o fato ao ódio que a elite tinha de pobre ir para a faculdade, andar de avião, comprar um carrinho. E passou seu segundo governo fugindo da justiça enquanto destilava ódio à elite, a quem acusava de perseguição.

Lula sobreviveu ao segundo mandato e, contra seu próprio partido, indicou Dilma Rousseff, usando o ódio para alavancar seu poste. Lula a apresentou ao povo como guerrilheira torturada na ditadura, acusava os que refutavam sua candidata de serem contra uma mulher chegar ao poder. Mais uma vez jogava gasolina no fogo do “nós contra eles” aumentando a tão necessária fumaça que formava a cortina que impedia as pessoas de enxergar a realidade dos fatos.

A intensidade com que o “nós contra eles” foi disseminada e sustentada, através de programas sociais, colocando em primeiro plano temas como racismo, homofobia, violência contra mulheres e LGBTs, misoginia, elevando a justa luta de minorias para desviar a atenção sobre os fatos relevantes sobre a corrupção em seu governo que já começavam a tomar conta dos noticiários. E conseguiu reeleger Dilma mesmo com uma economia e frangalhos, um país à beira do abismo e a Lava Jato dando suas caras.

A campanha eleitoral de 2014 foi o auge da disseminação do ódio no país. Qualquer pesquisa simples no Google encontrará facilmente centenas de frases de Lula que demonstram, em sua trajetória, sua capacidade de destilar ódio para as multidões. FHC, mesmo distante do poder já há 8 anos, continuou a ser o ícone do “eles”, e Dilma Rousseff a única capaz de defender o “nós”. Deu certo, mas não durou.

O que vimos de lá para cá foi um Lula odioso, perseguido pela imprensa, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal, pela justiça em todas as suas instâncias, pelo mercado financeiro e, claro, por “eles”, a elite que continua não querendo ver pobre na faculdade e viajando de avião.

O ódio foi, desde sempre, a única retórica possível da esquerda capaz de transformar em votos a ignorância do povo. Mas aqueles, que, como eu, ficaram quietos até a campanha de 2014, também se encheram de ódio, e passaram a sentir ódio de si mesmos antes de qualquer outro, ódio de terem ficado quietos, ódio de terem engolidos tantos sapos barbudos, ódio por não terem sido combativos, e ódio de todas as mentiras travestidas de bondade que Lula e seu partido pregaram desde que começaram suas trajetórias na política brasileira.

Desde o impeachment de Dilma Rousseff, tenha sido golpe ou não, o ódio é o único instrumento petista, tendo sido dirigido primeiramente a Michel Temer e agora a Jair Bolsonaro, atribuindo exatamente a ele a autoria do ódio, utilizando o clássico “acuse-os do que você é, acuse-os do que você faz, acuse-os do que você fala”. Só que dessa vez não está mais dando certo.
Lula está preso. O primeiro turno das eleições de 2018 fizeram uma limpa na esquerda brasileira, tirando dela o poder e o discurso que já não se sustenta mais, nem mesmo entre a população mais pobre. O feitiço virou contra o feiticeiro, e o ódio, infelizmente ele, tem sido a mola propulsora da mudança.

Mas não temos ódio dos pobres que hoje mandam seus filhos para a faculdade ou que viajam de avião. Não temos ódio de quem conseguiu comprar seu carrinho, sua casa, sua TV de 50 polegadas ou que frequenta shoppings centers. Nosso ódio é contra a corrupção, contra todo o dinheiro que foi roubado e desviado da saúde, da geração de emprego, da educação decente, da segurança pública, da infraestrutura do país.

Esse dinheiro enriqueceu empresas e políticos, foi desviado para outros países para interferir em suas democracias ou simplesmente ficar guardado para ser usado na sustentação do projeto de poder de Lula e suas quadrilhas. Enquanto isso, só cresceram os índices de crimes de racismo, homofobia, misoginia, homicídios, as mortes por falta de assistência médica e saneamento básico, o retorno de doenças consideradas erradicadas como poliomielite, sarampo, rubéola.

A corrupção se espalhou pelos estados e municípios, tendo o Rio de Janeiro como expoente, com um ex-governador preso e já condenado a mais de 100 anos de prisão e ainda aguardando o julgamento de outros processos.
Lula está preso, condenado a 12 anos de cadeia, mas também aguarda o julgamento de outros processos, nos quais deve receber mais algumas dezenas de anos de condenação. E esse é o único caminho possível para a pacificação do Brasil, com a justiça punindo exemplarmente qualquer político, de qualquer partido, reforçando o conceito de que todos são iguais perante a lei.

O que vemos hoje em 2018, com Jair Bolsonaro sendo acusado de ser o disseminador de ódio, nada mais é do que, novamente, a aplicação do conceito comunista do “acuse-os do que você é, acuse-os do que você faz, acuse-os do que você fala”, que, curiosamente, ainda encontra eco em uma camada social vítima da síndrome de Estocolmo, totalmente dependente daqueles que sequestraram sua dignidade.

Muitos analistas políticos, jornalistas e até mesmo candidatos nessa eleição presidencial afirmam que quem criou Jair Bolsonaro foi Lula, foi o ódio que Lula plantou, especialmente na classe média, achatada e denominada culpada pela pobreza de milhões e pela riqueza da minoria.

A eleição de Jair Bolsonaro é o início do fim da praga do ódio, que será combatido não por ele, mas por todos aqueles que rejeitam Lula, seu partido e os projetos de uma minoria intelectual de esquerda, que pretendia (e duvido que deixe de pretender) transformar o Brasil numa república socialista bolivariana tal qual é a Venezuela. E isso não é retórica, está escrito letra por letra no programa de governo apresentado pelo partido de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral na fraudulenta tentativa de registrá-lo como candidato à presidência da república.

O real destino do Brasil, no entanto, vai depender de como a esquerda vai se comportar a partir do resultado da eleição no dia 28 de outubro. Teremos que aguardar para saber se a esquerda enfiará o rabo entre as pernas, como eu e milhões de brasileiros fizemos na primeira eleição de Lula, ou se, mais uma vez, vão meter os pés pelas mãos e tentar tocar o caos nesse país. Sinceramente, aposto na segunda opção.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.