0

NÃO ESTÃO REFORMANDO A POLÍTICA. ESTÃO DEFORMANDO.

E COMO PARECE QUE NADA SERÁ FEITO, ACABAREMOS MESMO É NOS CONFORMANDO

Mantidas as coligações para 2018, responsáveis pela eleição de um gigantesco número de políticos, caminha-se agora para tentar impedir que novos candidatos se lancem na política, mudando de seis meses para um ano o tempo necessário para alguém se filiar a um partido e poder disputar as eleições.

Como a eleição acontecerá no dia 7 de outubro de 2018, isso quer dizer que quem não se filiar a um partido nas próximas duas semanas estará impedido de disputar um cargo no próximo ano. E com isso, sobraria apenas mais do mesmo.

Quando em junho de 2013 o Brasil começou um movimento de contestação à política e aos políticos que aí estão, o povo brasileiro pedia uma verdadeira reforma, da política e dos políticos que aí estão. Em seguida, como fatos agudos no campo político, vieram a Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, as denúncias contra Michel Temer.

Paralelo a isso tivemos as dezenas de delações premiadas como Odebrecht e JBS, ou simples confissões de crimes como fizeram Renato Duque, Léo Pinheiro e Antônio Palocci. Em ambos os casos os discursos, desculpas e justificativas dos políticos são jogados por terra, pois o que as delações e confissões revelam são fatos graves e que envolvem os três poderes da república.

Passou-se então para o plano de deformar a política, tendo um petista como relator da proposta.

Não há que se esperar nada dessa reforma política. Nada de bom pode vir de uma proposta relatada por políticos envolvidos até o pescoço em casos de corrupção. É a mesma coisa que pedir aos presos de um presídio de segurança máxima que escrevam as regras da cadeia onde estão presos.

Brasileiros e brasileiras, acordem. Se não houver uma manifestação contundente da população, em 2018 teremos as mesmas urnas eletrônicas sem voto impresso e os retratos dos mesmos políticos nessas urnas. E não faremos nada, exceto cumprir com uma ação cidadã obrigatória e passível de multa, e reeleger os únicos candidatos elegíveis pelas leis que eles mesmos fizeram.

Os tentáculos dessa organização criminosa estão em todas as partes. Exemplo disso é o pedido de vista do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a ação que acaba com o foro privilegiado, um absurdo e uma ação deliberada para trancar o processo e garantir sossego aos que fogem de processos e prisões.

Uma contrapartida a isso, corajosa, é o fato do ministro Barroso ter disponibilizado para julgamento a possibilidade de haver candidatos avulsos nas próximas eleições, que não dependam de se filiar a partidos políticos para poder concorrer a um cargo eletivo.

Ainda está na pauta dos deputados e senadores a aprovação de um fundo eleitoral de 1 bilhão de reais, um valor 25% maior que os 800 milhões disponibilizados este ano para as Forças Armadas no orçamento deste ano. Isso sem falar nos custos absurdos dos mandatos destes deputados e senadores com mais de 50 assessores cada um e usando tudo isso em benefício próprio e não do país.

Vivemos num país deformado, numa sociedade deformada, e ao invés de nos voltarmos para uma verdadeira reforma disso tudo, estamos apenas assistindo a uma deformação ainda mais profunda, que terminará por reeleger a maioria dos corruptos e livrá-los definitivamente de prestar contas de seus feitos à justiça.

Ministros do STF, liderados por Gilmar Mendes, trarão para a pauta muito em breve a questão da prisão após condenação em segunda instância, e ao que parece, o placar tende a ser revertido em favor da liberdade de todos os comprovadamente acusados e condenados, abrindo um caminho sem retorno para a prescrição de todos os graves crimes cometidos pelos políticos.

Ninguém quer reformar nada, nem o povo faz nada para que uma reforma transformadora aconteça.

Eles deformam a reforma. A gente, passivamente, só se conforma

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.