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Não é intervenção militar, é uma intervenção federal. E Pézão agradece.

Não é intervenção militar, é uma intervenção federal. E Pézão agradece.No artigo anterior cometi o deslize de chamar de militar uma intervenção que, insistem, é federal. E eu não vou discordar, porque é dessa forma que foi apresentada à população, é dessa maneira que trata o decreto presidencial e é dessa maneira que muita gente prefere entender. Mas, está sendo executada por militares, com finalidade de administrar e ordem pública, conter a violência, combater a corrupção policial.

Então, se não é uma intervenção militar de direito, ela é de fato, de modo que eu não estaria errado quando usei a expressão militar ao invés de tratá-la como federal.

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Quem quiser se apegar ao nome para estar certo, fique à vontade. Mas a intervenção é diretamente na segurança pública, para a qual foi nomeado um interventor que é militar, e tropas das forças armadas, que são militares. Os civis que aparecem na estrutura da intervenção são o presidente da república, que assinou o decreto, e a polícia civil que, assim como a polícia militar são alvos diretos da intervenção, e passam a responder diretamente ao general Walter Souza Braga Netto, que assumiu o controle da secretaria de segurança pública do estado.

Paralelo a isso, as questões de fundo ficam ainda mais no fundo. O Rio de Janeiro não chegou a esse caos por falta de intervenção federal ou militar. O caos foi proporcionado por políticos do executivo e do legislativo. A corrupção que saqueou os cofres e a qualidade de vida do Rio de Janeiro foi feita por eles, que continuam nos seus cargos.

Por motivos políticos/eleitoreiros, Temer não teve coragem de decretar uma intervenção federal completa, afastando o governador Luiz Fernando Pézão, notoriamente incompetente e incapaz de resolver os problemas financeiros e estruturais do estado. O presidente preferiu adotar o estilo STF e fatiou a intervenção, deixando que o caos administrativo siga na mão de um governador que está esperando acabar o mandato para ser devidamente investigado e, provavelmente, preso.

Foi noticiado pelo site O Antagonista, citando matéria da jornalista Andréia Sadi, que Michel Temer se reuniu ontem com seus marqueteiros para discutirem a capitalização da intervenção federal no Rio a favor da popularidade do presidente. E só hoje ele se reunirá com os Conselhos da República e de Defesa Nacional para discutir a intervenção, que sequer foram consultados antes da confecção do decreto.

A sequência dos fatos deixa claro que para Temer o marketing é muito mais importante do que ouvir os conselhos que só existem para aconselhá-lo.

O que, de fato, tem que ser considerado nessa intervenção federal é que a explosão da violência no Rio de Janeiro já era um problema conhecido há mais de uma no e meio, e foram muitos os especialistas e palpiteiros que indicaram e solicitaram que alguma coisa fosse feita, mas não com motivos eleitorais, e não pelas metades.

A intervenção federal limita a ação do congresso nacional para votar qualquer alteração na constituição federal até dia 31 de dezembro de 2018, e isso ajuda Temer a fugir da derrota certa na votação da reforma da previdência e coloca de vez no fim da fila a PEC do fim do foro privilegiado, dando aos políticos encrencados uma sobrevida de 10 meses, podendo disputar eleições sem estarem sob investigação. E esses, a meu ver, são os principais propósitos de Michel Temer, além de atrair para si a imagem de intervencionista e a simpatia dos intervencionistas, e, claro, minar o discurso do principal alvo eleitoral a ser abatido que atende pelo nome de Jair Bolsonaro.

O apego a uma questão de semântica, nesse momento, não acrescenta nada ao debate, muito menos muda a realidade que está nas ruas, com militares das forças armadas participando efetivamente do policiamento.

O que penso ser uma questão realmente importante, e a semântica, nesse caso, fará toda diferença, é se no dia a dia da intervenção surgirem confrontos que resultem em mortes de bandidos e civis, causadas por homens das forças armadas. A população e a mídia vão chamá-los de federais ou de militares?

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.