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Missa de Marisa Letícia, o velório de Lula, de corpo e alma presentes

Missa de Marisa Letícia, o velório de Lula, de corpo e alma presentesImagino que todos já tenha ouvido a expressão “missa de corpo presente”, há muito em desuso no Brasil. Mas ninguém ouviu falar ainda em velório de corpo e alma presentes.

Há mais de 24 horas militantes petistas são incitados a louvar Lula, um velório prolongado que deverá se arrastar até o derradeiro momento de fechar o caixão e entregar o morto vivo à Policia Federal. Mas não são só os militantes que estão lá. O velório conta com a presença ilustre de políticos que estão ajudando a cultuar o cadáver falante pura e simplesmente porque não querem ir parar no mesmo cemitério.

Sérgio Moro entrará para a história como o primeiro juiz que permitiu a um morto participar do próprio velório, em pé, ao lado do caixão, com direito a missa, carpideiras, presença da cúria da igreja católica, transmissão ao vivo para o mundo. Só faltou, mesmo, estar pregado em uma cruz. Mas não perde a oportunidade de fazer o papel de quem carrega a cruz da injustiça, pagando como mártir os pecados de todos os corruptos do Brasil.

Lula não perdoou o velório de Marisa Letícia para ampliar sua vitimização, por que perdoaria uma missa sindical no dia que se comemoraria o aniversário dela?

Porque Lula só pensa em Lula. Porque Lula conhece as verdades de Lula, e sabe que a prisão é o momento de confrontá-las. Lula sabe que não importa a quantidade e tipo de golpes que possa se tentar dar, por uma via ou por outra, este pedaço define sua história política e a história do próprio Brasil daqui para frente.

A imposição da revisão da execução de pena a partir de confirmação de condenação em segunda instância (que tem a discordância majoritária da sociedade brasileira, do judiciário, do Ministério Público Federal, dos membros da Polícia Federal) é a última manobra passível de ser aplicada pelos ministros do STF que trabalham escancaradamente a favor da impunidade. E a sociedade está atenta a isso. E quem tem o dever constitucional de proteger a pátria dos inimigos internos e externos também está.

O cerco implantado contra Lula, repleto de provas incontestáveis e devastadoras, por mais que os estupradores de mentes vendam o contrário disso a qualquer um que se disponha a se comportar como asno encantado ou tenha algo a perder se pensar o contrário.

Lula foi condenado por Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O TRF4 não apenas confirmou a sentença como encontro nas provas motivo para elevar a pena prisão de 9 anos e meio para 12 anos e 1 mês em regime fechado. O resto é choro. Mas esta foi a condenação de apenas um único processo, existem mais 6 em estado adiantado, como o caso do Sítio de Atibaia e que já é tido como uma condenação esperando para acontecer.

Nos outros processos ele também responde por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e ainda por obstrução à justiça, tráfico de influência, participação em organização criminosa e venda de medidas provisórias. E outras investigações ainda não geraram acusações, mas o próprio Lula espera por mais processos.

Não adianta missa para isso.

O refúgio de Lula no sindicado dos metalúrgicos foi uma farsa tramada para que a prisão acontecesse lá. Era a cena do clímax do roteiro do filme que mostrava o golpe da elite prendendo o ex-torneiro mecânico exatamente no sindicato onde ele começou sua carreira política porque ele ousou ajudar os pobres. E isso seria vendido ao mundo.

Lula foi acuado como um rato, essa é a única verdade em relação ao fato. E essa é a parte do roteiro que não é o PT que escreve, é a realidade, são os fatos, são os atos do desespero de quem se vê sem saída, e que faz como todo rato faz quando é acuado, ele ataca.

Volto a endossar meu pleno apoio à inteligência dos policiais federais e do juiz Sérgio Moro, que se recusaram a fazer parte do filme, e que, com isso, ao contrário do que muita gente pensa, tornaram ainda mais patética a romaria de apaixonados e desesperados de todos os matizes e partidos políticos, que, de verdade, estão pouco se lixando para Lula, mas enxergam nele as chaves da porta da cadeia. Se for preso e a reversão disso se tornar impossível, Lula vai entregar todo mundo. E todo mundo sabe disso.

O velório de corpo e alma presentes de Lula é o final de uma missa que começou quando foi deflagrada a Operação Lava Jato em março de 2014. E como tudo que diz respeito a Lula é inusitado, nessa missa quem faz o sermão é ele.

Se Sérgio Moro tivesse prendido Lula no dia da fatídica condução coercitiva, Lula estaria fora da cadeia há muito tempo, a possibilidade de execução de pena após segunda instância já tinha caído há muito tempo, e a Operação Lava Jato já teria morrido, sem missa e sem velório.

A partir do trabalho do Ministério Público Federal do Paraná, a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre, paulatinamente, conduziram Lula à posição do rato acuado que se escondeu no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e cujas imagens rodarão o mundo. E não deram a Lula e ao PT a imagem de viaturas da Polícia Federal enfrentando a multidão e tirando a força o mártir que Lula queria ter sido.

Além da estratégica condução de todo o processo de Lula, paralelamente Sérgio Moro atacou outras frentes de investigação que ao mesmo tempo que eram elucidadas contribuíam no fortalecimento das denúncias contra Lula, a partir das novas delações premiadas e a obtenção de novas provas. Mais do que isso, o trabalho dessas instituições, verdadeiramente republicanas, expôs as vísceras do Supremo Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, obrigando que cada ministro, sob a vigília da sociedade, assumisse seu real papel na relação com a corrupção e com a impunidade.

Podem prolongar a missa ou o velório o quanto quiserem, deixem o morto vivo falar. Toda encenação tem uma cena derradeira, e a de Lula se dará num rabecão da Polícia Federal, que, esperamos, seja o destino eterno do maior ladrão e farsante nunca antes visto nesse país.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.