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Michel Temer fez falso veto à falsa emenda que permitiria censurar a internet

Michel Temer fez falso veto à falsa emenda que permitiria censurar a internet

E já tem muita gente achando que Michel Temer é um herói de verdade.

Quem já trabalhou com vendas consegue entender o que significa criar dificuldades para vender facilidades. Mas, para quem não conhece o princípio, vou explicar usando a proposta de emenda que permitiria a censura da internet e o veto de Michel Temer a ela.

Sigamos a lógica. Hoje, redes sociais, sites e blogs são um fortíssimo canal de manifestação, para qualquer tipo de pessoa, sobre qualquer assunto, a qualquer hora. A simples ideia de que essa liberdade pudesse ser tolhida através de censura sem ordem judicial causou arrepios até em quem não tem a menor ideia do que significa isso, tamanho o absurdo.

Ao mesmo tempo, a popularidade de Michel Temer está em 3%, o que significa que ele é rejeitado por 97% da população. O governo já viu que não há agenda positiva capaz de mudar esse quadro, faça Temer quantos pronunciamentos fizer, participe ele de quantas solenidades quiser. A coisa é tão feia que talvez nem mesmo a recuperação do pleno emprego conseguiria reverter tanta antipatia.

Então, emendando uma coisa na outra, usando um pouquinho de lógica, conseguimos entender que nas redes sociais, sites e blogs essa aversão por Michel Temer encontra terreno fértil para se disseminar, o que contribui para que a popularidade do presidente não evolua, e, pelo contrário, contribui até para que diminua ainda mais.

Michel Temer precisa de fatos novos que mudem a percepção do povo em relação a ele, fatos que sejam relevantes e atinjam esse público formador de opinião que tem a internet nas mãos. Então, pegaram um deputado que se sujeitou a fazer papel de bode expiatório, jogaram-lhe a emenda de censura de internet na mão e ele a enfiou no projeto. Os internautas ficaram putos, protestaram veementemente, e Michel Temer vetou a emenda, “salvando” o país de uma lei arbitrária. E já recebe elogios. E a grande imprensa divulga nas principais manchetes.

Os internautas então se esqueceram do Fundão de iniciais R$ 1,7 Bilhão, mas que já pode chegar a quase R$ 3 Bi no próximo ano mesmo. Os internautas esqueceram, também, que o fim das coligações foi empurrado com a barriga para 2020, e nem se deram conta de que ao sancionar com esses falsos vetos coisas que foram colocadas lá apenas para serem vetadas, enquanto aprovou outros absurdos.

A reforma política é um engodo sancionado por Michel Temer. Mais de 70% do que está escrito no texto da reforma visa, claramente, beneficiar os atuais parlamentares na reeleição e garantir a eles mais dinheiro do que os outros candidatos. O texto aprovado diz que cabe à executiva dos partidos decidir como será distribuída a grana, ou seja, ela irá para quem manda e não para quem obedece.

Outra constatação óbvia da participação arranjada do deputado do Solidariedade, nessa palhaçada foi o comunicado que ele mesmo emitiu logo após o veto, dizendo que sua “intenção foi de impedir que os ataques de perfis falsos de criminosos pudessem prejudicar o resultado das eleições”. E em seguida, Michel Temer informou que o veto veio até mesmo por solicitação do deputado, num telefonema na manhã de sexta-feira.

Em resumo, o falso veto à emenda falsa foi apenas para criar a falsa ideia de que tudo ali era verdadeiro, inclusive Michel Temer.

Só eu que vi isso?

Link para matéria do Estadão – Aqui

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