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Michel Temer, chegou a hora de começar a negociar a rendição

Michel Temer, chegou a hora de começar a negociar a rendiçãoEm primeiro lugar, Michel Temer tem que render-se as evidências. O presidente mais impopular da história do Brasil, o primeiro presidente a ser denunciado no exercício do cargo, o primeiro presidente investigado no exercício do cargo, correligionários presos, amigos presos, histórias e desculpas que não se sustentam.

Michel Temer tem que se render também ao fracasso de sua gestão. O desemprego aumentou, passando de 11,5 milhões para 14 milhões de desempregados. A violência aumentos, sendo necessário intervir na segurança pública do Rio de Janeiro e só não interveio em outros estados porque não quis, pois eles solicitaram.

Não se pode negar que tirar o país da recessão foi um trabalho e tanto. Mas não se pode negar também que isso foi feito às custas de aumento na carga tributária, ou seja, tirando mais dinheiro do povo. Se Dilma tivesse feito isso ao invés de aprofundar o buraco, talvez, ainda fosse presidente da república. Mas ela padecia do mesmo mal que padece Michel Temer, a soberba.

Chegou a hora de Michel Temer render-se a sua incapacidade de fazer algo melhor do que já fez daqui até o final do ano, quando, finalmente, nós veremos livre dele. Temer não tem mais diálogo com a Câmara dos Deputados, e isso ficou provado na aprovação do projeto que extingue PIS e COFINS do preço do diesel, sem que houvesse o menor diálogo com o governo. Fica claro, inclusive, o motivo pelo qual a reforma da previdência não vai sair do papel.

Não seria de mal gosto se Michel Temer se rendesse também a sua ilegitimidade como governante. Nada a ver com golpe, porque não foi golpe. Até aceito a tese de que tenha sido um golpe político, mas um golpe dado usando as regras do jogo. E nesse caso, o golpe que alterou a regra do jogo foi o fatiamento da Constituição Federal quando preservaram seus direitos políticos no processo de impeachment.

Só que o golpe não deu certo por completo. Michel Temer assumiu o governo, mas jamais assumiu a presidência da república, e é exatamente aí que mora sua ilegitimidade. Temer era vice de Dilma, cúmplice nada decorativo de um governo que afundou o país. E se nesses dois últimos anos conseguiu tirar o país da recessão, não fez mais do que ajudar a reparar o estrago criminoso que ele mesmo e seu PMDB ajudaram o PT a fazer. Os 11,5 milhões de desempregados que ele herdou de Dilma, de uma certa forma herdou de si mesmo.

Como confiar num presidente da república que tem como um de seus principais assessores, o ministro da Casa Civil, Carlos Marun, seu articulador político, exatamente o ex-general da tropa de choque de Eduardo Cunha, um dos maiores corruptos que já passaram por esse país? Como acreditar que Gustavo Rocha, assessor jurídico da mesma Casa Civil e ex-advogado pessoal de Eduardo Cunha está ali apenas por mérito?

Como levar a sério que Temer não tem absolutamente nada a ver com os 51 milhões de reais encontrados em malas num apartamento alugado pelo agora presidiário Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula, Dilma e do próprio Temer? Como imaginar que o Coronel Lima reformou a casa da filha de Temer só por amizade?

O governo Michel Temer acabou, e é hora dele negociar sua rendição. E não só ele. A classe política dominante precisa se render e assim negociar bons termos de penalizações.

Michel Temer já foi vice decorativo, e hoje só não é um presidente 100% decorativo porque usa a influência do cargo para abafar a Lava Jato e o combate à corrupção, e é disso que vive seu governo desde a gravação revelada por Joesley Batista. E nós não temos que manter isso, viu? A quebra institucional já existe. Não confiamos no governo, não confiamos no congresso, não confiamos no judiciário.

O Brasil precisa encarar que temos nós, também, que nos render ao fato de que a república acabou, e que as eleições não nos oferecem todas as ferramentas para promover a mudança que o país precisa ter. Muitos, mas muitos mesmo, dos que se elegerão em outubro são os mesmos que estão aí, ou outros sob seu comando, mas a mesma turma. O próprio sistema, de deputado estadual a presidente, não nos oferece opções que permitam imaginar o impulso para a mudança necessária.

Os 7 meses que nos separam do fim do governo de Michel Temer podem ser muito piores do que o momento que estamos vivendo. Tenho convicção de que o passo dado pelos caminhoneiros será replicado por outras categorias profissionais, em especial às tradicionalmente ligadas a esquerda. O próprio sindicato dos petroleiros, ligado à CUT, já disse que vai paralisar as atividades. E muitas outras farão o mesmo.

Só resta a Michel Temer render-se ao fato de que seu governo acabou, e que, se não entender isso, pode ser apeado do cargo e acabar sendo também o primeiro presidente civilmente deposto desse país, se não for pior.

Bandeira branca, Michel Temer. É assim que começa uma rendição. Estamos esperando.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.