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Michel Temer, tudo que ele conseguiu foi ser um presidento

Michel Temer, tudo que ele conseguiu foi ser um presidentoUm desavisado que escute ou leia os discursos de Michel Temer pode até ficar encantado com a firmeza com que ele defende sua honra e seu legado, especialmente porque ele faz isso em excelente português, bem articulado, cujas frases e pensamentos tem começo meio e fim.

Mas, para quem sabe quem é Michel Temer, sabe que fora a clareza da fala, seus discursos não passam de discursos de um presidento, pois tanto a honra quanto o legado em muito pouco diferem da sua antecessora Dilma Rousseff, a presidenta de quem ele ajudou a puxar o tapete.

A insistência na defesa da honra é exatamente a mesma entoada por todo político corrupto em tempos de Lava Jato. Tal qual Lula e Dilma, Michel Temer está enrolado até o pescoço com a corrupção e com a Lava Jato, e tirando a investigação tocada pelo ministro do STF Luis Roberto Barroso, ele só não é investigado em mais duas ações cabeludas porque torrou os parcos recursos do caixa do governo liberando emendas de parlamentares que toparam congelar as denúncias da PGR.

Há quem duvide do circo armado em torno da delação da JBS, mas fica difícil duvidar da veracidade dos fatos ali revelados. Afinal, o “notório bandido” Joesley Batista, como o chamou o próprio Temer, foi recebido fora da agenda presidencial (presidente é obrigado a ter uma agenda pública, exatamente par evitar esses constrangimentos) às 22:30 na residência oficial, entrou pela garagem sem que tenha sido revistado, e gravou uma conversa que só duas pessoas com muita intimidade poderiam travar.

Se a gravação foi armada pela PGR ou pelo próprio Joesley é o que menos importa. Contudo, foi nisso que todos os discursos de Michel Temer e seus auxiliares se concentraram, como se a intimidade revelada entre ambos e o teor da conversa fosse menos importante, ou nem importante fosse.

Hoje, no Palácio do Planalto, Michel Temer mais uma vez assumiu seu lado presidento, discursando em nome de sua honra e da honra de sua família, depois de a Folha de São Paulo publicou uma matéria na qual revela os imóveis em nome de Marcela Temer e de Michel Temer Jr., de apenas 9 anos.  Em grande estilo “Dilma Rousseff articulada de terno e gravata”, o presidento reclamou dos vazamentos de investigações sigilosas, como se depois da Lava Jato fosse sigilosa a vida pregressa dele e de qualquer corrupto de seu nível.

Esses políticos ainda não entenderam que não há mais versões possíveis para tergiversar sobre uma realidade incontestável que revelou à população que basicamente todos os políticos que exerceram posições de comando no governo brasileiro, no executivo, no legislativo e até gente no judiciário, praticaram atos de corrupção que dilapidaram o patrimônio público, lesaram gravemente os contribuintes e impediram que o estado brasileiro cumprisse com suas funções estabelecidas na constituição.

Michel Temer, o presidento, é só mais um corrupto comum, bandido tão comum quanto Lula e seus amigos presos, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. E é um bandido ainda solto porque está presidento.

E para que não haja dúvidas do quão presidento Michel Temer é, o anúncio mais importante do fim da semana é o aumento do Bolsa Família no dia do trabalho, exatamente para quem não trabalha. E nenhuma menção à divulgação do índice de desemprego feita hoje pelo IBGE, que passou de 11,8% no trimestre out/nov/dez de 2017 para 13,1% no primeiro trimestre desse ano, chegando a 13,17milhões de desempregados, maior índice desde maior de 2017.

Michel Temer é responsável por todo esse desemprego? Não é. Mas é. Não é porque recebeu das mãos de Dilma um país em pleno desemprego. E é, porque era vice de Dilma em seus dois mandatos, apoiador dos governos petistas desde o meio do primeiro mandato de Lula e também porque, desde que assumiu, mais cuidou de abafar denúncias e negar acusações porque é tão corrupto quanto os outros, não importa quantas reformas tenha feito.

Quando sair do governo no dia 1° de janeiro de 2019, Michel Temer terá sido tão somente um presidento que ao invés de um legado terá mesmo é que se ver com um delegado.

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