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Gilmar Mendes. Esse nome deveria ser respeitado por todos.

Gilmar Mendes. Esse nome deveria ser respeitado por todos.Se Gilmar Mendes não tem do povo o respeito que deveria, definitivamente, a culpa não é nossa.

A coletânea de dissabores que o ministro Gilmar Mendes tem proporcionado ao povo brasileiro não está ligada unicamente ao fato dele atuar em favor de políticos e empresários corruptos, mas pela postura soberba na qual ele se coloca acima dos mortais. Mas a atuação dele, favorecendo claramente pessoas que deveriam ser tratadas perante a lei como qualquer cidadão é tratada, engrossam o coro dos que enxergam nele um entrave à higienização pela qual a política brasileira deve passar.

O principal papel de Gilmar Mendes tem sido de advogado e não de juiz. Mas um advogado que se utiliza das prerrogativas de juiz para tratar seus “clientes”. Exemplo disso é o que ele fez no processo de cassação da chapa Dilma/Temer no TSE, desconsiderando provas irrefutáveis e fazendo com que outros ministros agissem sob sua batuta. Ele simplesmente jogou no lixo provas que só foram incorporadas ao processo por ordem dele mesmo. Parece inacreditável.

Porém, a parte mais preocupante da atuação desse ministro se dá no Supremo Tribunal Federal, e, mas objetivamente em suas ações nas costas da presidente Cármen Lúcia, promovendo motins e desconsiderando decisões do colegiado no trato com processos envolvendo pessoas de seu conhecimento e relacionamento pessoal.

Gilmar Mendes toca a algazarra no STF e na Segunda Turma, na qual conta com Ricardo Lewandowski e Dias Tóffoli para garantir a maioria nas decisões que afrontam as leis e até mesmo a lógica. Participam ainda da Segunda Turma os ministros Edson Fachin, relator da Lava Jato e quase sempre voto vencido nas decisões, e Celso de Melo, decano da corte e costuma acompanhar o triunvirato do mal quando se trata de “processos amigos”.

A Operação Lava Jato tem em Gilmar Mendes um inimigo. Enquanto os processos comandados por Sérgio Moro, Marcelo Bretas e Valisney Oliveira batiam no PT, Gilmar não apenas a defendia como até colaborava. Mas a partir do momento que ela chegou aos políticos do PSDB e do MDB, a mudança de padrão de comportamento foi nítida, passando o ministro a despejar frases de ataques à Lava Jato até em microfones de karaokê.

A maior prova disso é a mudança de posicionamento de Gilmar Mendes em relação ao início do cumprimento de pena após condenação a segunda instância. Faço questão, inclusive, de colocar o vídeo do voto do ministro, que garantiu o placar atual de 6 a 5 a favor da prisão. São 2 minutos e 13 segundos, e eu continuo a seguir.

Pois então, vista a forma como o ministro se posiciona a favor da prisão após segunda instância, acompanhando integralmente o voto do relator, fica difícil entender como alguém pode mudar de opinião tão radicalmente. Contudo, é ao mesmo tempo facílimo de entender. Ainda não havia PSDB ou MDB envolvidos na Lava Jato.

Não se trata aqui da minha opinião a respeito do assunto. Não sou eu nesse vídeo. É ele, Gilmar Mendes, o rei dos habeas corpus para empresários e políticos, o ministro (estranhamente) preferido do computador que sorteia processos no STF, o amigo das visitas fora da agenda de Michel Temer, o juiz flagrado em interceptações da Polícia Federal – autorizadas por outro ministro do próprio STF – conversando com investigados e se propondo a favores que ele, como ministro a Suprema Corte, jamais deveria prestar a qualquer um.

Gilmar Mendes, agora, é o líder do movimento para revogar a decisão de prisão após condenação em segunda instância, cujo voto não foi decisivo, mas fundamental para que o placar ficasse em 6 a 5. O que falta para que isso seja revertido é a colocação da matéria no plenário do STF, armadilha que vem sendo costurada a pouco mais de uma semana para que o ministro Marco Aurélio Mello artífice do que poderá ser chamado um dia de “Uma cilada para Cármen Lúcia”.

Esse movimento não mira apenas o livramento de Lula dá cadeia, mas algo muito mais amplo e que vai atingir a praticamente todos os presos provisórios e condenados por Sérgio Moro e Marcelo Bretas e pelos TRFs, como José Dirceu, Antônio Palocci, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Aldemir Bendine, João Vaccari Neto, e, claro, Lula, que nem preso será.

A revogação do entendimento atual de que o condenado deve começar a cumprir a pena após ser condenado em segunda instância será a pá de cal na Lava Jato, na lei da delação premiada, e, acima de tudo, na esperança do povo brasileiro.

Gilmar Mendes, como ministro do Supremo Tribunal Federal, uma das 11 autoridades máximas do sistema judiciário brasileiro, deveria ser respeitado por todos nós. Mas, definitivamente, ele não merece o nosso respeito, nem como ministro do STF, nem como cidadão brasileiro, nem como pessoa.

O ministro Gilmar Mendes ri da nossa cara. Porque nós não somos capazes de nos impor como povo, como contribuintes, como eleitores ou como cidadãos.

A pergunta é: até quando permitiremos que ele dê gargalhadas às nossas custas?

Já passa da hora de nós exigirmos respeito. Gilmar Mendes não merece nenhum.

 

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.