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Lula preso há uma semana e só quem teve convulsão foi a política

Lula preso há uma semana e só quem teve convulsão foi a políticaNeste sábado completa uma semana de Lula preso, sem direito a palanque e microfone. Talvez ele nem se incomodasse com seus 15 metros de área inútil se tivesse um microfone na mão. Subiria na cama e falaria com uma multidão imaginária projetada nas paredes ou ficaria em algum programa de TV que focasse bem a plateia. Como devem estar fazendo falta o microfone e a cachaça.

A turma do lado de fora, até agora só causou transtorno, num aglomerado de idólatras do mito, ora com ares de seita, ora com jeito de viemos aqui para arrumar problemas. Uma militância esquizofrênica, povoada de alucinados por Lula, gente que está ali, mas nem sabe quem é a presidente do partido quando ela discursa, idiotas úteis que acreditam de verdade nas versões petistas da tragicomédia. Gente que está ali por dinheiro, existem relatos na imprensa de remuneração diária de R$ 30,00 mais comida para o pessoal do MST, e prontos para qualquer encrenca, do apoio a Lula à baderna e porrada. Esse é o trabalho deles.

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A esquerda brasileira está em convulsão, e o PT, em especial está completamente desorientado. Um momento interessante quando eles constatam que tudo até aqui deu errado, e só para não perder o jeito, continuam fazendo o errado sabendo que vai dar errado de novo. Tudo no PT é errado. Lusa preso parece não ter sido suficiente para entenderem que esse tipo de jogo não dá certo. Lula não será transformado numa nova versão de Roque Santeiro, novela de Dias Gomes.

Roque Santeiro conta a história de um sacristão que teria sacrificado a própria vida para defender os objetos sagrados e de valor da igreja ao tentar evitar que um bando que invadiu a cidade saqueasse as relíquias. A novela começa no momento que o verdadeiro Roque volta à cidade e descobre que tinha virado santo, quando na verdade foi ele quem roubou os objetos da igreja e não o bando de pistoleiros. Daí para a frente o objetivo dele é devolver o dinheiro roubado para a igreja e revelar sua identidade, e até o fim é impedido por todos os mandachuvas porque a cidade depende da existência daquela mentira.

Essa é exatamente a mesma crise do PT. Se permitirem que o mito se esfacele diante da militância, não há mais o que sustente a mentira que é essa organização criminosa. Lula preso significa claramente que todos eles poderão, e deverão ser presos. Mas isso não se restringe apenas ao PT. Todos os outros partidos e políticos diretamente envolvidos com a Lava Jato estão em convulsão. Os operadores da impunidade estão em absoluto desespero percebendo que a resistência à metodologia pouco ortodoxa de não se fazer justiça está ficando impraticável.

O Supremo Tribunal Federal tem sido o mais visível palco desse embate entre a impunidade e a moralidade. Não importa individualizar os personagens do Supremo nesse momento, pois é claro para qualquer leigo que existem dois grupos em franca disputa de poder, e o grupo que defende os corruptos está perdendo e por isso atacando e ridicularizando todas as instâncias inferiores, até mesmo o Superior Tribunal de Justiça, fazendo acusações sem provas de corrupção no Ministério Público Federal, atacando a legalidade das ações da Polícia Federal.

No mesmo compasso, Renan Calheiros tem ocupado a tribuna do senado fazendo graves ataques à Operação Lava Jato, forçando o mesmo mantra repetido por Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, tudo fruto do mesmo medo e da mesma noção de realidade materializada por Lula preso. Mas eles não desistem. Na surdina, ou na falta de atenção do povo, que é a verdade, o congresso aprovou o Projeto de Lei 7.488, que, segundo o matéria do site O Antagonista, “representa um golpe no controle sobre a atuação dos agentes públicos, ao praticamente inviabilizar o trabalho de auditores, procuradores e juízes”.

Hoje, o deputado Wadih Damous, do PT, postou vídeo na internet (aqui) atacando frontalmente o ministro Luis Roberto Barroso, e sugerindo também que o Supremo Tribunal Federal deve ser fechado. Nessa situação há muitas coisas. A primeira retorna à briga dos dois blocos de ministros no Supremo. Gilmar Mendes lidera o pró-impunidade, Barroso claramente lidera a oposição e é o único ministro que efetivamente confronta Gilmar Mendes nos embates. Wadih Damous quer soltar Lula, Gilmar Mendes quer soltar Lula, Gilmar Mendes é inimigo de Barroso e Wadih Damous ataca Barroso. Portanto, Gilmar Mendes se associa na mesma intenção de um deputado federal do PT que sugere o fechamento da mais alta corte judicial do país.

Gilmar Mendes quer fechar o Supremo? Ricardo Lewandowski insinuou na última sessão que os próximos legisladores mudassem completamente a função do Supremo transformando a corte em uma corte constitucional, como se ela não fosse. Mas quem desvirtuou a finalidade do Supremo foi a atual composição, encabeçada pelos ministros mais antigos. A curiosidade é que ao mesmo tempo que Wadih Damous sugere o fechamento do Supremo ele repete a mesma sugestão de Ricardo Lewandowski. Apenas para constar. Foi isso o que aconteceu na Venezuela. Lá deu certo.

Não há inocentes nessa história. Lula preso causou essa convulsão na política, imaginemos o que causaria ao país se fosse solto? Basta ver o que já vinha causando.

O fato é que está se fazendo justiça nesse país. Pela primeira vez a população está confiante nessa justiça de baixo para cima, que espremeu os principais magistrados do país de maneira tal que foram obrigados a revelar suas posições e preferências, estuprando seguidamente a hermenêutica jurídica para tentar evitar o inevitável, que é a manutenção de Lula preso.

Agora mesmo, fico sabendo que a defesa de Lula interpôs um recurso para que a segunda turma do Supremo Tribunal Federal casse a decisão de Edson Fachin e ao mesmo tempo conceda um habeas corpus de ofício para libertar Lula. O que dizer disso? Um recurso assinado por um ex-presidente do próprio Supremo Tribunal Federal, contrariando, inclusive, sua própria jurisprudência quando era ministro. Sepúlveda Pertence desdiz todo e qualquer motivo para que tenha sentado um dia numa cadeira da suprema corte brasileira.

Não faltarão chicanas, pegadinhas, encontros fora de agenda, recursos e mais recursos pela total falta de recursos para lidar com a realidade de Lula preso.

A verdadeira briga está apenas começando. Toda atenção é pouca, todo tempo é curto.

Uma semana de Lula preso, sem cachaça (será?) e sem micrfone no xilindró! Quem diria.

Será que vai ter missa de sétimo dia de corpo preso?

A próxima semana promete.

 

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.