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Lula é um preso comum. O que é realmente incomum é a nossa justiça.

Lula é um preso comum. O que é realmente incomum é a nossa justiça.Artigo de O Globo desse domingo, que revela a maneira como Lula controla o PT através de áudios e cartinhas, mostra o quanto é incomum a nossa justiça, e, portanto, quem dá a Lula os privilégios incomuns que nenhum outro preso nas mesmas condições que ele conseguiria ter.

Um vai e vem diário de advogados e políticos com cargo que constituíram procuração como seus defensores e conseguiram que a OAB os liberasse para a prática da advocacia durante vigência dos seus mandatos. Outros, sem cargo, apenas usam da condição de advogados para burlar o sistema e também servirem de pombos correios do presidiário.

O tráfico de drogas é controlado da cadeia, o PCC e demais facções criminosas também são comandados da cadeia, o PT e a esquerda brasileira não fazem diferente dos demais e também é da cadeia que vem as ordens e contraordens do chefe. Outra semelhança comum nisso tudo é que o vai e vem e ordens e contraordens é feito principalmente por advogados.

Na Papuda, Geddel Vieira Lima e Paulo Estevão foram parar na solitária por terem pendrives e anotações em suas celas. Já Lula recebe diariamente por áudio e por escrito tudo o que acontece do lado de fora. E envia cartinhas dizendo o que deve e o que não deve acontecer. Em nome da inviolabilidade da relação advogado/cliente, seu séquito de defensores não tem que mostrar o que se escreve ou se ouve nos pendrives. E será que fica mesmo só nas cartinhas e nos áudios?

Por que Geddel e Paulo Estevão foram tratados diferente da forma que Lula é tratado? Porque a justiça é incomum, e os poucos e valentes juízes que a querem comum para todo e qualquer cidadão são tratados como anomalias pela alta cúpula do judiciário. E é exatamente aí nesse pedaço da república que coisas estranhas acontecem.

Na última sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes, referindo-se à investigação aberta pela Polícia Federal contra professor acusado de atentado à uma delegada da Lava Jato, disse que “A Polícia Federal não tem nenhum cuidado com a honra alheia“. Como é que é? E disse mais. Sobre Raul Jungmann, Gilmar disse que “Um bom legado dele será instalar o Estado de Direito na PF“.

Em março passado, Dias Tóffoli concedeu liminar autorizando ex-senador cassado Demóstenes Torres a concorrer nas eleições desse ano, ignorando que a cassação do mandato de senador impede que ele concorra a cargos políticos. Agora, mediante negativa do TRE de Goiás em aceitar o registro de sua candidatura, Demóstenes Torres recorreu da decisão e, apesar de parecer contrário de Raquel Dodge, Tóffoli confirmou sua decisão anterior e mandou que o TSE aceite o registro do ex-senador, abrindo escandaloso precedente na corte.

É por atitudes, comportamentos, falas e ações como essas, comuns em juízes como Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Tóffoli e Marco Aurélio Mello, que Lula recebe áudios e cartinhas, interfere na política nacional, promove caos, influencia a economia, e ninguém fala nada. Um preso comum com privilégios de uma justiça incomum.

Em setembro próximo, Dias Tóffoli assume a presidência do Supremo Tribunal Federal. Não conheço a história do Supremo, mas imagino que ninguém tão pouco graduado e merecedor tenha assumido essa cadeira antes. Não merecedores foram muitos, mas um mero bacharel deve ser o primeiro caso. E esperemos que seja o último.

Carmén Lúcia deixa a presidência e toma o lugar de Dias Tóffoli na Segunda Turma. Ou não. Como tudo é incomum na nossa justiça, já há um movimento escandaloso para que Marco Aurélio Mello peça transferência para a Segunda Turma nesse meio de caminho, mantendo na Segunda Turma a maioria anti-Lava Jato, que até então era garantida por Tóffoli e que será, ou seria, perdida com a chegada de Cármen Lúcia.

Enquanto isso, no TSE, Rosa Weber desconheceu pedido do MBL para o imediato reconhecimento da inelegibilidade de Lula, como se isso fosse preciso. Lula tem condenação em segunda instância e a Lei da Ficha Limpa só dá uma interpretação para esse fato: CANDIDATO INELEGÍVEL. Tentar forçar uma decisão judicial nesse sentido é como pedir para que a justiça diga que a lei existe e é válida.

Estamos a quase 70 dias da eleição. Dia 15 de agosto é o prazo máximo para registro das candidaturas. Estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa já deveria ser mais do que suficiente para que, quem tem algum juízo, nem tentasse se candidatar. O que o TSE tem que fazer é simplesmente desconhecer qualquer tentativa de registro que não cumpra os requisitos da lei, sem delongas e sem direito a recursos.

Muita coisa pode e deve acontecer até as eleições de outubro, e, pessoalmente, não tenho bons pressentimentos a respeito do que pode acontecer. Tenho a sensação de que essa situação de Lula não sairá barato ao país, mas ainda não consegui descobrir ao certo como isso se dará. O preso comum pode tornar o Brasil ainda mais incomum do que é. Ele disse que incendiaria o Brasil.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.