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General, Lula poderá ser preso. Mas certos ministros continuarão soltos.

General, Lula poderá ser preso. Mas certos ministros continuarão soltos.Seis ministros votaram pela denegação do habeas corpus impetrado pela defesa de Lula. Outros cinco ministros lhe concederiam o direito de ficar solto.
O resultado prático disso, mantendo-se o entendimento de que condenados em primeira instância, com confirmação em segunda instância, podem iniciar o cumprimento da pena, Lula poderá ser preso. Mas será?

Gilmar Mendes, o único ministro que, comumente, grita com seus pares enquanto finge que defende a constituição, antecipou seu voto logo após o relator Edson Fachin, porque tinha voo marcado para voltar para Portugal, de onde veio apenas para dar seu voto e fazer seu show. Seu compromisso maior não é com o STF ou com a justiça, mas com seu instituto, que sobrevive dos contratos com o governo e dos “patrocínios” de empresas, inclusive de empresas envolvidas com corrupção.

Com a participação antecipada, a defesa do apedeuta ficou a cargo dos ministros Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, pois até Dias Tóffoli optou por um papel mais secundário do que o comum, quase uma capinha votante, sabendo que o pau ia quebrar.

Chamar esse triunvirato de ministros de “Os Três Patetas” seria desmerecer o trio original. Os três patetas originais eram atrapalhados, esses estavam ali para atrapalhar, como, aliás, fazem sempre que algum “réu-cliente” está em pauta.

O que Marco Aurélio Mello fez ontem no plenário do STF, General, só comprova que estavam certos os constituintes originários que infirmaram na Constituição Federal que a aposentadoria compulsória dos ministros do Supremo deveria acontecer aos 70 anos.

Não tivesse a PEC da bengala (sabe-se a que preço negociado com o Congresso) estendido a aposentadoria compulsória dos ministros do STF para 75 anos, Marco Aurélio Mello teria visto o julgamento de ontem de chinelo e pijama, pela televisão. Ou, quem sabe, sentado ao lado de Sepúlveda Pertence na plateia do STF, garantindo uns trocados dos tais 50 milhões de honorários alardeados pela imprensa.

Marco Aurélio Mello foi patético, General. Medíocre. E claramente mal-intencionado. Nem Ricardo Lewandowski com seu “ar de dono de funerária” e fala de aplicador do golpe do bilhete premiado em porta de rodoviária conseguiu ser tão bisonho.

Esses ministros não disfarçaram ou dissimularam para que tipo de resultado torciam, muito menos a maneira com que distorciam os fatos.

Marco Aurélio Mello, por exemplo, não teve nenhum pudor de alegar que a Constituição Brasileira era imperativa ao ironizar Alexandre de Moraes quando este citou a constituição francesa, nem a menor vergonha de usar a mesma constituição francesa na sua própria argumentação. Coisa de gagá, diriam muitos. Mas não, coisa de gente mal-intencionada e disposta a fazer chacota com quem pensa ao contrário.

Marco Aurélio Mello fez os apartes que pode para defender as partes que lhe interessavam. Não teve piedade da ministra Rosa Weber ao chamá-la de inexperiente, e expressou enorme prazer quando disse para a ministra Cármen Lúcia que respeitava a cadeira da presidência, o que para bom entendedor ficou muito claro sua total falta de respeito a ministra. Mas, ao final, derrotado, mostrou-se caquético e emocionalmente descontrolado.

O que chamou mesmo a atenção, General, foi a arrastada, chata, repetitiva e ameaçadora participação do ministro Celso de Mello. Num voto que deve ter levado quase duas horas, ele começou endereçando suas palavras diretamente à caserna, chamando-os de pretorianos e invocando apenas as memórias do regime militar que já nos livrou do comunismo uma vez. Em nenhum momento falou dos avanços obtidos naquele período da história. Mesclou ainda dados negativos da época da ditadura de Getúlio Vargas de maneira a realçar tudo o que há de negativo na ideia de uma ditadura, a fim fixar uma imagem ruim para os militares.

Celso de Mello, General, ameaçou os militares, essa é a verdade. Coube a ele a “bater em vocês” tentando rebaixar o papel institucional das Forças Armadas, minimizado a representatividade que ela tem na sociedade, como se as demais instituições estivessem funcionando dentro do que se espera de uma democracia e vocês, com sede de poder, estivessem doidos para tomar conta do país. Foi uma intervenção contra a ideia de uma intervenção que já estamos cansados de saber que vocês não querem fazer, mas que não se omitirão se essa for a única saída.

General, quem sou eu para dar conselhos a instituições tão bem preparadas e com magníficos setores de monitoramento e inteligência como as Forças Armadas. Mas não me furtarei a falar mais uma vez: olho neles, General, olho vivo porque esses ministros não ficaram nada satisfeitos com o resultado do julgamento de ontem, e não deixarão de tramar contra a democracia e a favor da impunidade desses corruptos que roubam os cofres públicos desde que vocês ainda estavam no comando do país.

A grande maioria do povo brasileiro quer Lula preso General. Uma boa parte quer inclusive uma interferência de vocês para repor o Brasil no caminho da normalidade, moralidade e decência. Mas vai ficar difícil se esses ministros continuarem a operar contra a justiça e contra o povo.

Se Lula será preso, General, por incrível que pareça, ainda é uma incógnita, apesar do resultado de ontem. Mas esses ministros continuarão livres, leves e soltos para operar a favor dele, e de todos os corruptos. E se a trama deles der certo, além dos políticos corruptos também ficarão nas ruas os traficantes e bandidos que vocês estão, limitadamente, combatendo no Rio de Janeiro, além de estupradores, ladrões, pedófilos e assassinos.

Como exemplo, General, cito Sérgio Nahas, que assassinou minha prima Fernanda Orfali há 16 anos, foi defendido muito tempo por Márcio Thomaz Bastos, e até hoje não foi sequer julgado, tendo sido o último julgamento adiado por habeas corpus impetrado por Dora Cavalcanti (ex-sócia de Bastos e ex-advogada de Marcelo Odebrecht) e expedido, de ofício, exatamente por Celso de Mello, que se vende como arauto da erudição e moralidade do judiciário.

Não está fácil não, General. Mesmo com grande possibilidade da condenação de Lula. Ainda tem muita coisa para acontecer.

Olhos nos ministros, General. Olho no MST, no MTST. Ainda vem bomba por aí. Talvez até literalmente.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.