0

Esgotados os recursos legais, só a imoralidade salva Lula. E o STF.

Esgotados os recursos legais, só a imoralidade salva Lula. E o STF.De todos os possíveis, a mentira, a chantagem e o conchavo continuam sendo os melhores recursos de Lula.

Juridicamente, o último recurso possível, justo e aceitável que Lula tem é escolher o presídio onde gostaria de cumprir pena. Provavelmente São Paulo, onde ficaria mais perto da família. Qualquer coisa além disso, inclusive e principalmente o habeas corpus a ser julgado no dia 4 de abril, será resultado de compadrio e negociata, à base de chantagem.

Não existe motivo honesto para que Lula não vá para a cadeia. Não existe motivo legal. E Sérgio Moro sabia muito bem disso, assim como ficou claro para TRF4 e para o STJ, ao denegarem praticamente todos os recursos impetrados pela defesa do ex-metalúrgico. A única explicação possível para que ministros do STF rasguem suas biografias na defesa desse “condenado especial” só pode ser entendida como medo. O que significa que eles também não têm como lançar mão de outros recursos que não envolvam a garantia de liberdade de Lula.

Recursos financeiros não faltam para defender Lula. Os boatos em torno dos R$ 50 milhões pagos ao advogado que o defende no STF podem até ser falsos, mas qualquer pessoa mais ou menos bem informada sabe que se for verdade o dinheiro não é um problema. E em relação aos outros advogados eu até duvido que Lula pague alguma coisa (aliás, nunca pagou nada com o suor do seu trabalho), porque com Roberto Teixeira e companhia a relação é de cumplicidade. Teixeira e Cristiano Zanin trabalham por Lula para salvar os próprios rabos. Não fosse isso, tal empenho custaria muito mais de R$ 50 milhões.

A pressão sobre o STF não é feita somente por Lula e seus advogados. Todos os senadores, deputados, governadores e políticos envolvidos na Lava Jato estão desesperados. A prisão de Lula será a senha para o apocalipse da república. Nomes sempre d’antes imaginados também causam náuseas em magistrados de tribunais superiores, tanto quanto Lula. A promiscuidade entre o executivo, o legislativo e o judiciário nunca foi tão suja, muito menos tão exposta.

Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Pezão, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Beto Richa, Marconi Perillo, José Sarney, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Fernando Pimentel, Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Henrique Meirelles, Roberto Requião, Rodrigo Maia, José Agripino Maia, e eu poderia passar o resto da noite citando nomes que certamente resumem todos os seus recursos nas ações dos tribunais superiores, mais especificamente na relação com os ministros e não com base na lei.

Nós, brasileiros, por outro lado, estamos cheios de recursos, mas não usamos nenhum.

Podemos nos manifestar nas ruas, podemos promover desobediência civil, podemos decretar uma greve geral, podemos ficar em casa, podemos no mínimo começarmos a nos reunir em torno de ideias e propostas que possam ser consensuais em torno de uma causa, de um nome, de um futuro melhor. Mas estamos nos debatendo na dicotomia do “nós contra eles”, chamando de eles qualquer um que não concorde plenamente com nossas ideias.

Enquanto brigamos entre nós, a caravana do Lula passa, mesmo tomando ovada. E se mantivermos essa postura covarde, sem o menor censo civil, poderemos nos surpreender com essa caravana aportando em Brasília em janeiro de 2019.

A decisão do julgamento dos embargos de Lula, hoje, pelo TRF4, negando todos os pontos questionados pela defesa de Lula, só aumentam a pressão sobre os ministros do STF. Com a reafirmação da pena tal qual sentenciada pelos desembargadores do TRF4, inclusive aumentando a pena de Lula de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês, coloca o STF contra a parede, porque a concessão de um habeas corpus significará, efetivamente, ridicularizar todo o trabalho realizado pelas instâncias inferiores.

Vale reforçar, ainda, que Lula não é condenado nesse único processo, e tenho reforçado isso em outros artigos, como aqui, aqui e aqui. Lula responde a outros 6 processos, dentre os quais o do Sítio de Atibaia, tão ou mais indefensável, provado e comprovado que o tríplex do Guarujá, sobre o qual, aparentemente, só o STF tem dúvida, o que nos leva, mais uma vez, a duvidar do censo de justiça do próprio STF.

Se no dia 4 de abril de 2018 o Supremo Tribunal Federal usar de recursos espúrios, como um pedido de vista e a concessão de outra liminar que mantenha Lula fora da cadeia, vai-se abrir um precedente na história do judiciário brasileiro que colocará todo tipo e espécie de marginais nas ruas, não apenas os políticos. E isso será de total responsabilidade dos ministros que manobrarem para manter Lula fora da cadeia.

A sociedade ficará exposta ao escárnio, à desolação e a todo tipo de bandido e marginal que for para as ruas, porque para justificar a liberdade de Lula terão que assumir o descompromisso com a manutenção da ordem jurídica e social que se abaterá no Brasil. Cairemos no completo descrédito internacional, moral, jurídico e financeiro. Seremos vistos como vemos a Venezuela. E se faltar papel higiênico seremos quase idênticos.

O TRF4 jogou a última pá de cal sobre Lula. Dia 4 de abril saberemos quanto dessa cal caiu também sobre os magistrados do STF.

Só uma instituição é originariamente ligada a todos os lemas e dilemas da nossa nação, pois é a única que reúne todos os recursos para defender nossa soberania, nossas fronteiras e nossa bandeira. E na atual conjuntura é absolutamente impossível termos progresso se não conseguirmos ter ordem. E a ordem começa pelo cumprimento das leis e estabelecimento de justiça igual para todos. Se não for assim, que se rasgue de vez a Constituição Federal e deixe o pau quebrar para ver como é que fica lá na frente.

Nem sempre a ordem é o melhor dos recursos para se resolver determinadas questões. Muitas vezes, a solução só vem com o caos.

Leia também

Sérgio Moro não prendeu Lula, mas condenou o STF junto com ele

No Ponto Do Fato