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Lula, pela quarta semana em cana, sem cana e sem vida de bacana

Pensando em pessoas normais, com uma noção de realidade que não seja napoleônica, 4 semanas de cadeia deve ser tempo suficiente para cair a ficha. Depois de mais de 20 anos de bajulações 24 horas por dia, mesmo recebendo visitas em regime diferenciado e tendo um conforto absolutamente incompatível com o sistema carcerário brasileiro, não ter um baba ovo logo cedo lhe fazendo algum elogio sem propósito deve ser um choque. Mas, Lula é Lula, e é meio improvável que ele se encaixe na condição das pessoas normais.

O inimigo improvável de Lula deve ser sua consciência. Imagine que você passa uma vida contando mentiras, apoiado por centenas de pessoas endossando suas mentiras, sendo ovacionado por multidões quando as conta. Chega um momento que a mentira vira uma verdade de mentira, mas que passa a ser acreditada como se verdade fosse, porque é essa a verdade que se estabelece.

Então, você vai preso, isolado do mundo, não tendo mais como contar as mentiras, para quem contar, nem quem as endosse e aplauda. Só você as ouve dentro da sua cabeça, e sabe que são mentiras, e que a realidade é que, exceto os fanáticos e os comprometidos, ninguém mais acredita nelas, e você só então começa a se ver como realmente é, uma mentira que outras mentiras já não sustentam.

Um mentiroso impedido de mentir é como um cirurgião impedido de operar, um piloto impedido de pilotar, um chef de cozinha impedido de cozinhar. Tiraram de Lula o prazer de fazer o que sabe de melhor, mentir, como fez a vida inteira. E ninguém do lado de fora é capaz de mentir por ele, ou como ele. Não adianta mandar cartinha chamando Gleisi Hoffmann de incompetente por não ter parado o país, porque tanto o xingamento quanto à possibilidade de se parar o Brasil são mentiras.

Nunca depois de seu surgimento na história desse país ficamos tanto tempo sem ouvir as bravatas de Lula da Silva, como líder sindical, como deputado, como presidente do PT, como candidato à presidência da república, como presidente da república, como ex-presidente da república, como cabo eleitoral de Dilma Rousseff. Só não ouvimos de voz própria as bravatas do presidiário Lula. E as cartinhas, sabemos que ele não tem competência para escrever. Peças de um marketing fracassado que insiste na mesma metodologia de fingir ser o que não é para ver se cola, e não colam mais.

O gráfico abaixo, que também ilustra esse artigo, é do Google Trends. Para quem não sabe, pelo Google Trends mede-se o impacto que um determinado termo está tendo na internet. Pesquisei pelo termo “Lula” num período de 2 meses, de 5 de março a 5 de maio de 2018. E o que o gráfico mostra é que o único pico do termo nesses dois meses aconteceu entre os dias 3 e 10 de abril, 4 dias antes e 3 dias depois da prisão.

Ou seja, apenas 3 dias depois da prisão o termo Lula já estava no mesmo patamar que tinha antes. Ou Gleisi Hoffmann foi realmente incompetente em incendiar esse país ou o povo descobriu que a gasolina usada para esse incêndio realmente é batizada.

Lula, pela quarta semana em cana, sem cana e sem vida de bacana

Não podemos dizer que o país está pacificado, não está. Mas é indiscutível que a prisão de Lula não causou nenhum tipo de comoção que não tenha sido motivado por um sanduíche de mortadela e 30 reais por dia.

Os acontecimentos vêm provando que Lula preso, o PT e seus aliados não tem mais competência para elevar o moral dos luláticos porque moral é uma coisa que só se eleva quando se tem. A sequência revezes nas hordas petistas estão dizimando um a um os outros protagonistas da farsa lulopetista. A delação premiada de Antônio Palocci, general de 4 estrelas do petismo, deve terminar de implodir o que ainda resta dessa quadrilha que se apossou dos cofres brasileiros por 13 anos e meio.

A última denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República abateu mais uma vez a já ré Gleisi Hoffmann, destinando a ela uma posição de no comando do processo de corrupção ao lado de Lula, Antônio Palocci, José Dirceu e Dilma Rousseff. E o máximo que a presidente do PT conseguiu foi emitir uma nota cínica e repetir o mesmo cinismo da tribuna do senado, local que ela ainda, de vez em quando, frequenta quando precisa aparecer na televisão para proferir algum impropério.

A única instituição que parece ainda ter soldados dispostos ao extremo ridículo de defender o indefensável é o STF, nas figuras de Gilmar Mendes, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. Eles são a única infantaria que não se cansa de pegar em armas para tentar soltar Lula, não importando o método necessário para isso. E essa foi a única grande convulsão que aconteceu nessas 4 semanas. E não foi social, foi judicial.

Mas, felizmente, encontram resistência firme dentro do próprio STF. Até a ministra Rosa Weber, que tem pensamentos e posições que se assemelham as do quarteto, se afastou. E devemos agradecer isso às intervenções desesperadamente inapropriadas de Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski quando a ministra votou negando o habeas corpus de Lula. Naquele momento, sendo chamada de inexperiente por Marco Aurélio Mello, e pressionada por Lewandowski, Rosa Weber entendeu de vez aonde querem chegar essas pessoas.

Nada impede que surpresas ainda aconteçam. Mas penso que as surpresas começam a acontecer a nosso favor, e pessoas como Lula, José Dirceu, Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo, Aécio Neves, Eduardo Azeredo, José Serra, Geraldo Alckmin, Beto Richa, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá e outras dezenas de corruptos comecem a pagar pelos seus crimes como paga qualquer cidadão comum.

Posso estar completa e redondamente enganado, mas penso que as chances de Lula sair da cadeia – exceto por milagre do STF – são iguais ao gráfico acima. O pico do risco maior disso acontecer já passou e uma nova normalidade se estabeleceu, com Lula preso. E deve ser duro encarar essa realidade sem poder encher a cara de cachaça, dormir e esquecer.

Lembro de um trecho do stand up de Marco Luque no papel do motoboy Jackson Five quando ele diz que os motoristas reclamam das buzininhas das motos, e ele diz: “Vocês reclamam de uma buzininha quando a gente passa.  Agora imagina eu que escuto todas as buzininhas que eu dou?”. Nós temos também o desprazer de ouvir Lula de vez em quando, mas imagina ele que agora tem que se aturar 24 horas por dia?

Bom domingo!

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.