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Lula condenou o Brasil. É o sistema de justiça reversa.

Lula condenou o Brasil. É a justiça reversa.Dê no que der o julgamento de Lula dia 24 de janeiro de 2018, a nossa pena, como nação, ainda demorará muito a ser paga.

Quanto mais rápido Lula for julgado e, se possível, preso, mais rápido começaremos a sair do buraco, porque quando (se) ele for, muitos outros irão atrás dele, e teremos uma sinalização clara de que podemos ter uma esperança sincera de um novo Brasil, e não uma mera esperança por ser ela a última que morre.

Os crimes que cometemos como cidadãos mereciam ser punidos. Fomos negligentes contumazes eleição após eleição. A maioria de nós não se lembra em que votou para deputado estadual, deputado federal e senador na última eleição. E muitos não se lembram nem em quem votaram para vereador, eleição que aconteceu há dois anos.

E por que não se lembram? Porque votaram sem a menor convicção do que estavam fazendo. As pessoas associam candidatos ao seu clube de coração, a religião que ele pratica, o segmento que ele representa, mas não fazem a menor ideia no histórico do cidadão em quem estão votando.

Lula é um caso à parte nesse processo, porque ele foi uma ilusão criada ao longo de um tempo, partindo dos militares com a ajuda do então chefe da Casa Civil que viu nele o carisma necessário para se criar uma terceira via política em contraposição à Arena e ao MDB, então únicos partidos políticos do Brasil. E deu no que deu.

Sim, temos que pagar a pena não apenas pelo Lula, pelo também por Sarney, Collor, FHC e Dilma, ainda que não tenhamos votado em nenhum deles. E a pena é porque deixamos que as coisas acontecessem à nossa revelia, ao mesmo tempo que nós mesmos elegíamos e reelegíamos nossos bandidos favoritos. Eu mesmo fui eleitor de Aécio Neves até 2014. Um otário de Aécio Neves até 2014. Não mais. Eu gostava de muitas coisas do PSDB, e mais do enfrentamento que ele fazia ao PT.

Nosso julgamento também tem data marcada. Acontecerá daqui a 9 meses e 22 dias, mais precisamente no dia 2 de outubro de 2018, quando acontecerá o primeiro turno das eleições. Essa escolha crucial nos levará ao veredito 28 dias depois, no dia 30 de outubro, quando acontecerá o segundo turno. E é daí que sairá nosso futuro.

Por enquanto, penso que temos muito a temer do que a comemorar. Muita coisa está sendo mudada e ajeitada, tanto no Congresso Nacional quanto nos Tribunais Superiores para que nada mude demais, ou de preferência que nada mude. E Lula agradece o empenho dos parlamentares e togas que já não se envergonham mais quando envergonham o país diante do mundo.

A ideia de criar foro privilegiado para ex-presidentes está de vento em popa nos corredores do executivo, do legislativo e do judiciário. Uma manobra para mudar o sistema de governo já circula pelas mãos de deputados e senadores na forma de proposta que, se possível, seja feito por proposta de emenda constitucional, a famosa PEC, sem que tenha o aval da população, que já disse não duas vezes, em 1963 e 1993.

O projeto do fim do foro privilegiado foi para a Câmara dos Deputados com uma pegadinha que ninguém revelou quando foi para as redes sociais comemorar a aprovação no Senado. O projeto aprovado veta a prisão após condenação em segunda instância. O condenado poderá recorrer aos céus antes de ser preso. E foi por isso que os senadores aprovaram. Agora ir para a primeira instância é benefício, porque ele comece a recorrer a partir de lá, e não será preso nunca. E Lula agradece mais uma vez.

Se não nos condenarmos novamente em 2018, e aí será condenação à pena perpétua, o Brasil poderá se imaginar um país com sérios problemas resolvidos em cerca de 40 a 80 anos, não menos do que isso. Se não criarmos cultura de honestidade ficaremos enxugando gelo. Não sou estudioso do assunto, mas penso que cultura leva pelo menos 3 ou 4 gerações para começar a pegar e surtir efeitos nas gerações posteriores.

E se formos aplicados e investirmos pesadamente em educação, poderemos reduzir a pena, como se faz nos presídios. Ao invés de um dia a menos para cada livro lido e comentado, um dia a menos para cada criança alfabetizada na idade correta, um dia a menos para cada paciente atendido no SUS, um dia a menos para cada acidente reduzido nas estradas, um dia a menos para cada homicídio evitado…

O caminho para a absolvição é possível. Só precisaremos escolher certos aqueles que irão advogar por nós nos parlamentos e nos executivos em 2018. E fazendo isso, tenho certeza, Lula não vai agradecer.

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