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A Operação Lava Jato está sendo assassinada. Por asfixia.

A Operação Lava Jato não deixa de ser um marco na história do judiciário brasileiro, mas caminha para ser uma lembrança. E só.

Recentemente o juiz Sérgio Moro disse que a Lava Jato estaria chegando ao seu fim. Verdade. Mas não será com a conclusão de julgamento de todos os envolvidos. Trata-se de um homicídio, no qual se enquadra a morte por asfixia.

Nos dicionários encontra-se como definição de asfixia “dificuldade ou impossibilidade de respirar, que pode levar à anóxia; pode ser causada por estrangulamento, afogamento, inalação de gases tóxicos, obstruções mecânicas ou infecciosas das vias aéreas superiores etc.”. E é isso o que estão fazendo com a Lava Jato. E de forma múltipla.

Estrangulamento: o governo, através do ministério da justiça, cortou fortemente os recursos da Polícia Federal, impactando na capacidade operacional para a continuidade de investigações já em curso e novas operações programadas.

Afogamento: a quantidade de colaborações premiadas mal feitas, a exemplo da JBS, inundou os noticiários de dezenas de versões sobre os mesmos fatos, além de informações incompletas, inconfiáveis, exatamente para que o descrédito viesse pelo excesso e não pela falta. Outro exemplo a delação de Sérgio Machado.

Inalação de gases tóxicos – membros do judiciário brasileiro colocam em dúvida as ações, intenções, qualificações e autoridade do Ministério Público Federal e das instâncias inferiores, fazendo dupla com os políticos que trabalham para desacreditar delatores, fatos e provas.

Obstrução mecânica – diversas processos já com mais de 2 anos não saíram do lugar, sequer foram folheados; a Força Tarefa da Lava Jato teve redução do número de procuradores e policiais federais; recursos infinitos são impetrados diariamente; presos preventivos são liberados à revelia das provas obtidas.

Infecções das vias aéreas superiores: o STF está contaminado, assim como o STJ; o executivo tem um presidente bi denunciado, diversos ministros alvejados por denúncias; e mais de 50% do Congresso Nacional responde a processos, sendo que no Senado esse percentual chega a 66%. E esse conjunto faz as leis, burla as leis e julga quem não cumpre, tudo na medida do próprio interesse.

A Operação Lava Jato não deixa de ser um marco na história do judiciário brasileiro, mas caminha para ser uma lembrança.

Os principais culpados disso não usam toga, não fazem leis e nem são eleitos. Eles apenas elegem, aceitam e não reagem na proporção do tamanho do crime que contras eles mesmas são cometidos.

Não dá para dizer quanto tempo a Lava Jato ainda tem de vida, mas é certo que ela respira com muita dificuldade e que parece que muito em breve será necessário um respirador artificial, mesmo sem chance de sobrevivência. E então desligarão da tomada.

E então, quando num futuro próximo perguntarem do que morreu a Lava Jato, todos saberão que foi por asfixia, e que juízes, políticos, empresários e parte da imprensa foram os assassinos. Mas dirão mais do que isso, acertadamente. Dirão que eles só fizeram isso porque tiveram o povo brasileiro como cúmplice.

Quem vê um assassinato acontecendo e não faz nada para evitar é cúmplice, mesmo que seja por omissão.

Um bom sábado!

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.