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José Dirceu. O vaidoso arquiteto da casa que caiu.

Ah, esse tal José Dirceu. Que figura. Antes de começar a ler dá uma olhadela nesse vídeo, vale a pena. Sobre o que eu vou falar começa aos 26 segundos e vai até 1 minuto. O resto fica por conta do seu masoquismo, diria até sadomasoquismo. Dá uma olhadinha e eu continuo. O vídeo se passa nas horas antes do debate final a poucos dias do segundo turno. Lula ainda não era presidente.

Bom, o que vemos nessa cena de José Dirceu é a figura de um cara poderoso, esnobe, escroto, e que corrobora com tudo o que tem sido revelado sobre ele. É interessante quando ele usa um sorriso absolutamente falso quando diz ao Lula “defendi seus interesses corretamente”. O conjunto do gestual, com tom de voz, olhar, meio sorriso, o ar de quem sabe que está fazendo pose para a câmera. É um típico canalha.

Ao longo do vídeo a única coisa que ele faz é ser arrogante, porque é da sua natureza. Lula só pensa em Lula. Dirceu e outros tantos fizeram ele acreditar que ele é mesmo uma divindade.

O “guerreiro do povo brasileiro”, muito provavelmente, volta para a cadeia. Os tão esperados coelhos saídos das cartolas de Gilmar Mendes, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello parece que entraram em greve. Ou então não conseguiram se reproduzir na velocidade com que a mágica vem se repetindo. Ou alteram a prisão após condenação em segunda instância nos próximos 20 dias, ou o homem que deu uns dez telefonemas na banheira vai demorar um bocado de tempo para pôr a mão num telefone de novo.

José Dirceu é soldado, e soldado de verdade cumpre a missão que lhe foi dada a ponto de dar a vida por ela, por mais imbecil que ele saiba que a missão é. Vide João Vaccari Neto, que até hoje manteve a boca fechada, por lealdade, e por medo de que alguma coisa aconteça à sua família, até já correu essa versão em alguns bons articulistas na grande imprensa.

A relação de cumplicidade de José Dirceu com Lula deixa até em dúvida que é realmente o chefe, diria eu inclusive que com relação à cadeia criminosa ambos eram os chefes, mas cabia a Lula o protagonismo público e Dirceu mandando nos bastidores.

Lula queria ser presidente. Naquele momento ele sabia o quanto ia render o negócio de ser presidente, estava tudo acertado com Emílio Odebrecht, como ele próprio disse em seu acordo de delação premiada. E José Dirceu sabia quanto isso representaria de grana no curto e no longo prazo e só pensava e articulava isso, enquanto Lula era facilmente manobrável porque o que ele queria mesmo era ser presidente, e por isso topou a brincadeira. Ser presidente era seu capricho. E enquanto ele via seu sonho mais próximo, mais próximo do poder e da grana se via José Dirceu.

No momento final do vídeo, Duda Mendonça, referindo-se ao final da campanha diz “Tá acabando, Zé Dirceu!!”, e Dirceu com a canalhice que lhe é peculiar, responde “Tá acabando não! Tá começando!”.

Em pouco mais de 20 dias, o guerreiro do povo brasileiro, soldado do comunismo, soldado do petismo, voltará para o xilindró em Curitiba ou em algum presídio mais próximo da sua casa, perto da família, vendo sua filha mais novinha crescer nos dias de visita.

José Dirceu não foi um bom o arquiteto da casa. Não teve competência para corrigir a estrutura quando as fissuras apareceram logo em 2004, quando a Revista Época revelou o escândalo de seu assessor Waldomiro Diniz, em vídeo no qual cobrava propina do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Waldomiro foi imediatamente exonerado e alegou que a gravação era de 2002, quando era presidente da Loterj. Só que na edição seguinte à Época mostrou outra reportagem revelando que o assessor de José Dirceu havia mantido encontros com Cachoeira em 2003, quando já era do governo. Em retaliação Lula editou a medida provisória que acabou com os cassinos no país.

Então, as fissuras viraram rachaduras no mensalão, e, como bom soldado que é, e num bom acordo com o STF, Dirceu foi parar na Papuda, deixando Lula limpo e a vontade para dizer que foi traído e não sabia de nada.

Com José Dirceu na cadeia, o PT perdeu seu arquiteto, os alicerces foram seriamente abalados e não aguentaram quando Dilma se tornou presidente, até que em 2014 a casa do PT caiu. Não adiantaram MST, MTST, CUT e assemelhados fazer o enfrentamento no viés comunista, porque eles nenhum dos líderes desse movimento tem o grau de canalhice de José Dirceu, muito menos a competência estratégica, que inclusive ficou demonstrada logo que ele foi liberado por Gilmar Mendes (sempre Gilmar Mendes), levando o PT a esboçar uma reação, mas sem força até para sacodir a poeira.

Hoje, os protagonistas do PT não passam de cães raivosos, como Gleisi, Lindbergh, Paulo Pimenta ou de figuras débeis como Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Sibá Machado, Fátima Bezerra, Regina Sousa (é de dar dó). Os primeiros rosnam e babam, o resto só consegue babar.

José Dirceu conseguirá realizar o sonho de ser o Che Guevara brasileiro, idealista e burro, mas não conseguirá ser o mártir que imaginou que seria. O Che Guevara original realmente lutou pelo comunismo e morreu pobre, em combate por ele, enquanto José Dirceu, quando, e se, lutou, foi por poder, quando teve o poder lutou por dinheiro, e vai morrer sem poder, e sem acesso ao dinheiro que roubou.

Daqui a alguns dias, o TRF4 vai julgar os embargos, dos embargos dos embargos dos embargos, e como todos já sabemos o resultado disso, a menos que os coelhos voltem a se reproduzir em velocidade mais rápida do que a rapidez normal com que fazem isso, José Dirceu voltará para a cadeia, e a esmagadora maioria dos brasileiros poderá, feliz, repetir Duda Mendonça: “Tá acabado, Zé Dirceu!” E nós, que observamos a cena política com um pouquinho mais de detalhes, também felizes, diremos: “Tá acabando não. Tá começando!”.

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.