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JOESLEY BATISTA: O DELATOR EM SÉRIE

FINALMENTE ELE VAI SENTIR OS EFEITOS DA LEI NA PRÓPRIA CARNE

Se olharmos para a situação como um todo, veremos que na vida dos negócios de Joesley Batista nada aconteceu de forma natural. Todos os negócios dele e dos irmãos cresceram de forma exponencial. Diziam que tinham “mãos de Midas”. Não eram de mãos, muito menos de Midas. Eram apenas canetas, e provavelmente esferográficas comuns.

Os irmãos Batista, tanto no grupo J&F quanto no Hípermarcas, cresceram adquirindo empresas semifalidas e devedoras de impostos, por meio de compra ou de arrendamento. O que não dava certo nas mãos dos ex-donos ou ex-controladores, dava certo nas mãos dos Batista, especialmente o crédito para as aquisições e arrendamentos e a facilidade na negociação das dívidas das empresas com o governo.

Foram crimes fiscais, tributários, financeiros, pagamento de propina, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, praticados anos a fio com as devidas vistas grossas da Receita Federal, do BNDES, dos tribunais de contas dos estados e da União, da polícia e da justiça. Bastava comprar quem precisava ser comprado, ou pagar quando eram elas os vendidos.

É possível que o aprofundamento das investigações sobre os negócios dos irmãos Batista, se existir, utilize quase todos os artigos do Código de Processo Penal e boa parte do Código de Processo Civil, tamanha é a disseminação da prática de crimes pela família e suas empresas.

O que chama atenção nesse momento é a prática da delação em série. Joesley Batista tem compulsão por deletar.

Além das delações e gravações feitas nunca serem conclusivas sobre nada, a cada episódio surge um personagem, uma nova gravação e uma nova prática de crime. E quando tudo caminha para que entendamos que tudo foi esclarecido, ou que já se esclareceu ao máximo, surge novamente Joesley Batista com uma nova série de acusações, insinuações e gravações.

Já não fazem diferença os esclarecimentos ou os pedidos de desculpas justificados por álcool e axé. A compulsão pela delação é tão grande que Joesley auto delata a própria intimidade quando trata de pequenos adultérios ou dá opiniões que demonstram a pequenez do grande empresário.

Esperamos que a esperada prisão de Joesley Batista ponha fim a essa série de delações e dedurações através de um interrogatório final, ou que seja um acordo final (onde há imunidade não entrará mais), onde não permaneçam pontas soltas ou gravações ocultas que podem surgir de acordo com o grau etílico do empresário mais bem-sucedido do país.

E isso não pode ser concluído sem que Rodrigo Janot dê as devidas explicações de sua participação de todo esse episódio, e que comece por explicar o encontro com o advogado de Joesley Batista num boteco copo sujo de Brasília no dia seguinte ao encaminhamento do pedido de prisão do empresário ao STF.

Vivemos momentos estranhos, como disse o ministro Marco Aurélio Mello mais de uma vez.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.