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João Amoêdo, o cara que poderia definir essa eleição no primeiro turno.

João Amoêdo, o cara que poderia definir essa eleição no primeiro turno.Os eleitores se apegam às novidades, mas a maioria não faz uma análise mais assertiva do propósito delas. E a despeito do discurso, não é crível que João Amoêdo, um total desconhecido do mundo político e do eleitorado, imaginasse que poderia ganhar essa eleição, nem mesmo passar para o segundo turno.

O que João Amoêdo, sabiamente, está fazendo é preparar o terreno para as próximas eleições. Está plantando seu nome, regando o nome do partido e preparando uma colheita melhor para 2022. E isso não é exatamente novo. Há décadas candidatos entram em eleições apenas para colocar seu nome diante do eleitorado visando o futuro. Mas tudo tem limites.

João Amoêdo já sabem que não tem chance de ir para o segundo turno, nem mesmo conseguindo participar do debate da Globo. Será um passo a mais para fortalecer seu nome, mas nada além disso. Ele teria que, no mínimo, quadruplicar sua posição nas pesquisas, o que, à essa altura, parece impossível.

Convenhamos. Um sujeito que é dono de uma fortuna de mais de 400 milhões de reais, se realmente quisesse ganhar essa eleição, no mínimo aspirasse mesmo passar para o segundo turno, teria investido dinheiro suficiente para isso. Inteligentemente o Novo abriu mão do absurdo dinheiro do fundo partidário, mas não precisava ter aberto mão da carteira de João Amoêdo, que só doou 100 mil reais.

João Amoêdo, até a data de hoje, investiu apenas 887 mil reais do total de 2,8 milhões que o Novo já arrecadou. Enquanto isso, Henrique Meirelles já torrou cerca de 45 milhões de reais uma campanha que sabidamente já nasceu morta, Álvaro Dias, outra candidatura natimorta, já gastou 5,7 milhões, Ciro Gomes já gastou 8,4 milhões, Marina Silva 3,6 milhões, Guilherme Boulos 3,6 milhões e Geraldo Alckmin 42,9 milhões.

Lula, numa campanha impossível, improvável, legalmente impedida, conseguiu gastar 19,1 milhões (sabe-se lá com que). Portanto, não dá para dizer que João Amoêdo tenha essa sede toda de vencer as eleições, mesmo que consideremos esses gastos como uma demonstração de austeridade e bom exemplo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Nesse momento, Amoêdo poderia optar pelo Brasil ao invés de insistir no erro de se manter candidato. E isso vale também para Álvaro Dias e outros candidatos menores, sem chance nenhuma de absolutamente nada, mas que continuarão a gastar (gastar mesmo ou se apropriar?) o dinheiro do fundo partidário financiado, à força, pelos contribuintes.

O certo é que, de fato, nem João Amoêdo e nem os demais candidatos abrirão mão de suas candidaturas, muito menos serão claros aos seus eleitores sobre suas verdadeiras perspectivas e intenções nessas eleições.

Cabe, então, aos eleitores, enxergar esse quadro com a clareza devida, e entender que ao insistir no Novo, estarão abrindo chance para um segundo turno onde poderemos ter o PT de novo, e aí será muito tarde para lamentar o voto dado no primeiro turno.

Os candidatos de centro-esquerda já estão alinhados. Boulos, Marina, Ciro, Alckmin, Meirelles, todos migrarão para o apoio ao candidato do PT nas eleições. Resta saber o que farão candidatos como João Amoêdo e Álvaro Dias.

Ninguém gosta de falar de voto útil, mas é necessário que os eleitores pensem na inutilidade de seus votos quando estiverem diante das urnas eletrônicas no dia 7 de outubro.

Não estou aqui dizendo que João Amoêdo é um candidato ruim ou sem competência para dirigir o Brasil. Mas afirmo que esse não é o momento dele. Não vivemos num Brasil capaz de absorver e implantar as ideias e projetos do partido Novo, e, a bem da verdade, de partido algum. Nosso país precisa de uma ruptura que não se promove com pombinhas brancas.

Não se adequa a infraestrutura brasileira em menos de 25 anos. Não se resolve a questão da educação em menos de 30 anos. Não se obtém resultados na saúde em menos de 5 anos. Não se gera os 14 milhões de empregos necessários em menos de 10 anos. Mas pode-se atacar a saúde e obter resultados em 2 anos. E deve-se enfrentar a criminalidade como questão primordial para que qualquer das outras premissas possam ser cumpridas em tais prazos. Inclusive e principalmente a criminalidade praticada nos altos escalões da república.

Mais do que nunca, o eleitor que pensa e se preocupa verdadeiramente com o futuro do Brasil precisará ser mais inteligente do que os candidatos que pretendem representá-lo.

A eleição presidencial pode e deveria ser resolvida no primeiro turno em favor de quem, apesar da facada que levou, tem o estômago necessário para aguentar o enfrentamento que acontecerá em 2019, ganhe qualquer candidato que não seja de esquerda.

Precisamos do melhor para o Brasil, e não do novo. Ou poderemos ter o PT de novo.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.