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Intenção de votos: pesquisa ou manipulação de intenções?

Proliferam os institutos de pesquisa que vêm publicando quase que semanalmente pesquisas de intenções de votos.

Alguns tão confiáveis como a Mãe Diná, Carlinhos Vidente ou promessas de Dilma Rousseff.

Mas a imprensa divulga as pesquisas de intenção de voto fazendo estardalhaço. Abrem espaços enormes em telejornais e primeiras páginas. Difícil é encontrar alguém que diga “fui entrevistado pelo instituto tal”.

O pior disso tudo é que já não é mais o nome do instituto que dá a credibilidade à pesquisa, mas quem pagou por ela e quem a está divulgando. Desse modo, os resultados de um determinado instituto apresentados na Globo receberão o tratamento para que o telespectador entenda o que a Globo quer que ele entenda. E assim é a Folha, o Estadão e toda a grande mídia, incluindo aí O Antagonista.

As sucessivas pesquisas de intenção de voto, de um modo geral, meio que definem que os candidatos serão A, B e C porque esses nomes são apresentados aos eleitores. Não tem instituto que pergunta “em quem você pretende votar?” e anota a resposta. Eles perguntam claramente, “entre Fulano, Beltrano e Cicrano, em quem você votaria?”, e com isso conduzem o pesquisado a consolidar esses nomes como se fossem as únicas opções.

Não estão interessados em saber em que você votaria ou não votaria, mas em estabelecer na cabeça do eleitorado aqueles entre os quais eles devem ou não devem votar. E não temos na lista de candidatos alguém que se apresente com todas as capacidades que se espera de um presidente da república. Então eles forçam que a intenção de votos seja sobre os candidatos que interessam a eles.

Sejamos sinceros ao analisar os nomes que se apresentam para a disputa de 2018, segundo essas pesquisas:

  • um ex-militar de extrema direita
  • um ex-presidente que responde à 9 processos por corrupção, é réu em 7 e condenado em 1
  • uma ambientalista que vive enfurnada nos confins da Floresta
  • um jagunço maconheiro metido a justiceiro de esquerda
  • um apresentador de TV narigudo amigo de todos os políticos corruptos
  • um governador de São Paulo que quando candidato à presidência conseguiu perder pra Dilma Rousseff e ainda ter menos votos no segundo turno do que teve no primeiro
  • um prefeito de São Paulo que ainda não conseguiu deixar de ser apresentador de TV
  • um senador do Paraná cujo partido preferiu ser PODEMOS ao invés de FAREMOS

Independente de que qualquer um deles possa realmente ser uma boa opção, esse é o universo a que somos apresentados. Aliás, é para esse universo que é conduzida a nossa intenção de votos. Tudo nos é apresentado como se fosse definitivo, porque é assim que querem que seja.

O que você vai jantar daqui há um ano se eu te apresentar como opções frango ou peixe?

Aonde você gostaria de passar as férias ao final de um ano se eu te deixar escolher entre Salvador e Paris?

Que carro você vai comprar no fim de um ano se eu te oferecer um Fusca ou um Corolla automático?

Não basta intenção de votos.

Você pode virar vegetariano em um ano, pode ser convidado para passar as férias em Mônaco de graça, pode ter dinheiro para comprar uma Mercedes e não querer nem Fusca nem Corolla. Mas isso você só vai decidir na hora que tiver que decidir, e um ano é muito tempo para que cenários mudem radicalmente.

Cuidado com pesquisas de intenção de votos, cuidado com enquetes. Participe se for entrevistado ou se ficar tentado a clicar na enquete. Mas não se permita escolher entre A ou B como se C não existisse. Não se permita embarcar na direita ou na esquerda como se não houvesse o centro. A graça da democracia se dá quando o cidadão exerce o seu direito e não quando ele é induzido a exercê-lo de acordo com o que querem que ele faça.

Dizem que quem chega primeiro bebe água limpa. Mas muitas vezes bebe água parada mesmo.

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