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Incêndio em São Paulo, estranha tragédia de muitos irresponsáveis.

Incêndio em São Paulo, estranha tragédia de muitos irresponsáveis.Tudo bem se você quiser me chamar de maluco porque eu levanto dúvidas sobre esse incêndio que deixou, até o momento, 45 desaparecidos, alguns que poderiam não estar por lá no momento da tragédia, e que provavelmente darão sinal de vida se não estavam mesmo. Mas é preciso esperar para ter certeza.

Mas, vamos aos fatos. Nada impede que um incêndio aconteça. Nada impede que um incêndio aconteça num dia 1° de maio. Nada impede que um incêndio aconteça em uma ocupação. Nada impede que um incêndio aconteça em um dia 1° de maio em uma ocupação. Mas é uma sequência de coincidências desastrosa. Tudo bem, Teori Zavascki morreu uma semana antes de homologar, até então, a maior delação de todos os tempos. Eduardo Campos morreu em um acidente de avião concorrendo com chances à presidência da república. Acidentes acontecem.

O que torna tudo muito estranho é que existe um pano de fundo político em torno desse fato, cuja relevância poderia ser simbolizada por três frases ditas pelo ex-presidente e atual preso Luis Inácio Lula da Silva ao longo dos últimos cinco anos. Na primeira ele disse num palanque que se precisasse o exército do Stédile iria para as ruas. Na segunda, incorporando o espírito de Nero, ele disse que era a única pessoa capaz de incendiar esse país. Na terceira, na missa de Marisa Letícia, microfone na mão, ele disse, textualmente, se dirigindo a Guilherme Boulos: ““Vocês todos daqui para a frente vão virar Lula, vão queimar os pneus que vocês tanto queimam, vão me representar”.

O pré-candidato à presidência da república Guilherme Boulos, na tarde de hoje, se apressou a declara pelo Twitter que o MTST não tem nada a ver com essa ocupação. Traduzindo, essa é uma facção rival do MTST, é o LMD – Luta por Moradia Digna. E então, vamos descobrindo que os movimentos de sem teto também é dividido em facções rivais, essa cobra de 350 a 450 reais de cada família. Resta saber agora quando cobra o MTST. Se um cobra, o outro cobra também.

O incêndio no Largo do Paissandu não tem responsáveis. Tem muito irresponsáveis, todos os que por cobiça ou omissão permitiram que a ocupação acontecesse e se estabelecesse ao longo dos últimos 12 anos.

Os dois insumos básicos para se morar em algum lugar são água e luz. Até sobrevive-se sem luz, mas num edifício no centro de São Paulo não é possível que alguém vivesse sem água, que, muito provavelmente, era fornecida pela Sabesp, com emissão de conta e tudo mais. E duvido que não tivesse energia elétrica fornecida pela Eletropaulo. E se duas empresas públicas fornecem insumos básicos à uma ocupação, ela não tem porque deixar de existir.

A matéria do UOL cita que moradores jogavam lixo no vão do elevador, que não funciona, e que várias vezes chamaram a prefeitura para recolher o lixo e não foram atendidos. Bem, a prefeitura não os atendeu, mas sabia que eles estavam lá. Assim como sabiam também o estado e a União, a quem o prédio pertencia.

Cabe à defesa civil e ao corpo de bombeiros inspecionar e interditar imóveis sem condição de habitação. Não fizeram. Alguém pode, ou poderia se ninguém fez, ter acionado à justiça e ela ter sido tão célere como foi com o habeas corpus de Lula no STF. Mas a única coisa célere que aconteceu foi o alastramento do fogo.

A omissão dos governos municipal, estadual e federal é escandalosa, não apenas pelo final trágico do episódio como também pela tragédia anunciada que deixaram acontecer há 12 anos atrás, curiosamente durante o governo Lula. E além dos danos morais e legais relativos a todos eles, a União ainda perdeu um patrimônio avaliado em aproximadamente 23 milhões de reais.

Atrás dessas instituições há a irresponsabilidade objetiva dos líderes dos movimentos de ocupação, não interessando a sigla que representam. Eles são os maiores responsáveis por incentivar, estimular e colaborar para que pessoas se exponham ao risco vivendo em locais sem a menor segurança ou condição de salubridade. Mas, tragédias como essa, não servem de alerta ou mudança no modo de fazer as coisas, pelo contrário, são imediatamente transformadas em factoides comunistas e alçadas a mídia, sem dizer, no entanto, que os ocupantes pagavam aluguel à uma milícia para expor suas vidas a absurdos como o que aconteceu.

Não existe almoço grátis. Todos os irresponsáveis envolvidos têm responsabilidade direta pela primeira labareda desse incêndio, tenha sido ela casual ou provocada. Mas, moradores relatam que pouco antes do incêndio houve uma forte explosão (você pode ler aqui na reportagem do UOL) onde pode obter inclusive mais detalhes e tirar suas próprias conclusões sobre os fatos.

Custo a acreditar que a casualidade seja assim tão dura com a realidade. Convenhamos, hoje era um dia bem propício, num momento político ainda mais propício, para acontecer um incêndio em uma ocupação de sem teto. É teoria da conspiração? Não deixa de ser. Mas, é importante que a polícia, os bombeiros e o ministério público façam uma esmiuçada investigação, analisando e qualquer hipótese que possa levar a uma ação proposital.

Para finalizar, um último comentário. No final da noite de ontem a Procuradora Geral da República apresentou mais uma denúncia contra Lula, Palocci, e dessa vez também contra Gleisi Hoffmann, colocando pela primeira vez a musa/amante do petismo alinhada as chefes da organização criminosa. Uma péssima notícia para quem teria que subir hoje em palanque para contar mentiras para os poucos trabalhadores que se atreveram a ir ao evento das centrais sindicais em Curitiba.

Raquel Dodge jogou água no Chopp da comemoração petista/sindicalista. Se não fosse o incêndio a denúncia da PGR seria o assunto principal do dia nos jornais, nas rádios, nas TVs, nas redes sociais, na internet. Mas o assunto foi, e será nos próximos 2 ou 3 dias, o incêndio na ocupação do edifício do Largo do Paissandu. E quando passar esse tempo, a notícia já perdeu o impacto, e eles poderão mentir com menos pressão.

P.S. – Vale a pena falar que Temer foi escorraçado de lá? Não, né?

 

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.