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HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.