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Governo e caminhoneiros se acertam, nós ficaremos pelo acostamento

Governo e caminhoneiros se acertam, nós ficaremos pelo acostamentoSe a greve vai parar, ou não, ninguém sabe. Mas o que os caminhoneiros pediram, certos ou errados, o governo deu. E dará para qualquer categoria profissional que ofereça o mesmo tipo de enfrentamento. Mais uma vez cito o colunista Josias de Souza porque não vejo definição mais adequada: o governo é governado pelos fatos.

Para os caminhoneiros, incentivados ou não pelas empresas, o resultado será positivo. Pautas da categoria, como a não cobrança de pedágio dos eixos suspensos, jamais seriam atendidas se não fosse desse jeito.

Há anos essa é uma justa e lógica reivindicação dos caminhoneiros, ignorada pela própria Confederação Nacional do Trabalho, que além de trabalhar sempre voltada para os interesses dos governos de plantão, deveria investir o dinheiro gasto com pesquisas eleitorais em benefícios reais para a categoria que representa, ou pelo menos deveria.

Pouco importa para os caminhoneiros de onde virá o dinheiro que vai subsidiar o atendimento de suas reivindicações. Porém, se, aparentemente, não é problema deles, mas, no final das contas, é do mesmo jeito, pois como cidadãos eles continuarão pagando a elevação das contas e dos tributos que incidem sobre tudo o que se comercializa no país, a começar pela própria gasolina que já aumentos R$ 0,19 antes mesmo do diesel baixar.

Em Minas Gerais, a CEMIG, aumentou em 18,53% a energia elétrica residencial e 35,5% para indústrias, centros comerciais e grandes empresas. Não tem como os caminhoneiros mineiros ficarem isentos disso. E não ficará restrito à Minas Gerais. Todos os outros estados da federação terão aumentos de tributos e preços aqui e ali. Todos pagarão.

O fato é que a greve dos caminhoneiros proporcionou aos brasileiros uma oportunidade ímpar de reagir a esse governo natimorto e nós não conseguimos nada além de dar nosso apoio moral, como se isso fosse suficiente para prover solução para todos os nossos problemas.
Poucas empresas pararam espontaneamente suas atividades, e, ao contrário, talvez cientes do desfecho, criticaram veementemente a greve legitimamente levada a cabo por uma categoria profissional. Os empresários contrários viram além do que a imensa maioria dos brasileiros consegue enxergar de perto, usando óculos. Eles viram que, no fundo, não havia nada mesmo além da manifestação de uma categoria, e que tão logo o impasse fosse resolvido tudo voltaria ao normal, só que mais caro.

O que o povo não conseguiu ver é que a greve dos caminhoneiros poderia ter sido o embrião de uma revolta civil, mas vai terminar sendo combustível barato para os movimentos de esquerda colocarem fogo. Se o povo é incapaz de ver uma oportunidade quando ela passa num cavalo arriado na sua frente, a esquerda é capaz de criar uma oportunidade até onde ela não existe.

O governo Temer está de calça abaixada com a bunda na janela. Passa a mão quem quiser. Não foi nem difícil editar as medidas provisórias, Temer e seus ministros e assessores já estavam acostumados a receber medidas provisórias prontas por e-mail e encaminhá-las ao congresso. Essas foram, no máximo, editadas a quatro mãos.

Os caminhoneiros conseguiram obter êxito em tudo o que pediram. Podiam ter pedido até mais, o governo pagaria. Mas ficaram satisfeitos e mais dia, menos dia, engatarão a primeira, darão seta para a esquerda e tomarão os destinos de suas transportadoras ou de suas cargas. Estão errados? Não. Foi para isso que eles fizeram greve. Eles não estavam preocupados em salvar o país.

Ficaremos nos perguntando sobre o que deu errado, ou sobre o exército que não apareceu para nos salvar da situação que, ao longo de três décadas, construímos para nós mesmos, inclusive porque exigíamos nos livrar exatamente desse mesmo exército.

E, então, a impressionante massa de caminhões começará a se desfazer pelos retornos e entroncamentos de seus destinos, diesel mais barato, eixo suspenso isento de pedágio, enquanto nós ficaremos mesmo pelo acostamento, sem saber ao certo o que aconteceu, tentando entender que mensagem tirar disso.

 

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.