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Gilmar Mendes não se acha. Ele se tem certeza. E nós?

Se olharmos as pautas do judiciário e as atitudes da maioria dos ministros do STF – Supremo Tribunal Federal, veremos que Gilmar Mendes tem sido praticamente único como voz dissonante em tudo o que se vota no plenário da corte.

A ministra Carmem Lúcia pode não ser uma Angela Merkel, mas também não é a Rainha da Inglaterra que Gilmar Mendes pensou que ela seria quando se autointitulou e passou a agir como uma espécie de primeiro-ministro do Supremo. Provavelmente ele achou que ela não resistiria à pressão dele e de seus comparsas e que seria fácil controlar o andamento de tudo que fosse do interesse daqueles que defende.

O ministro Gilmar Mendes tem sido o rei da discordância, e isso já ficou tão feio que ele tem sido capas de discordar de si próprio.

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Quem ler ou ouvir o voto proferido pelo ministro soltador de barata quando o plenário da corte tratou da prisão após condenação em segunda instância não pode acreditar que, hoje, depois que seus amigos estão mais sujos que pau de galinheiro, ele é contra aquilo que era veementemente a favor. E se precisar, muda de novo.

Crítico de Sérgio Moro, de Rodrigo Janot, da Lava Jato, dos votos dos outros ministros, ditador do TSE, o ministro Gilmar Mendes não perde uma câmera ou um microfone no qual possa mostrar toda a esdrúxula prepotência com que trata o resto do mundo, como se todos, efetivamente todos, estivessem degraus abaixo do Olimpo aonde ele acha que vive.

Gilmar Mendes é contra o voto impresso, é contra prisão após julgamento em segunda instância, é contra acordos de delação premiada, é contra prisões preventivas de empresários e políticos corruptos. Mas não tem nada contra se for flagrado numa ligação pouquíssimo ética com um senado investigado, ou se tiver que julgar habeas corpus e libertar um empresário com quem tem envolvimentos sociais e, através de terceiros até de negócios.

Também não é contra encontros estranhos em horas e locais também estranhos, como o encontro num hotel com o deputado Arlindo Chinalia, ou o jantar com Ricardo Saud no qual Joesley Batista surgiu repentinamente e no qual, segundo o ministro, pode até ter sido gravado pelo discípulo do folclórico deputado federal Cacique Mário Juruna que andava com gravador a tiracolo e gravava tudo.

O ataque da vez é contra a hipótese de candidaturas avulsas, matéria que já tem o apoio da nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, além de outros ministros da corte.

Mas, deixa ele. Quem tanto se acha uma hora vai ser achado. Joesley Batista é um sujeito cheio de surpresas, e ninguém sabe dizer que cartas ele tem na manga, e nem mesmo quantas mangas ele tem.

E quanto mais Gilmar Mendes se tem certeza, mais dúvidas sobre si levanta também. Aliás, dúvidas não. Nesse caso nós também temos nossas certezas, não é?

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.