0

Gilmar Mendes, a verdadeira herança neolibertina de Fernando Henrique

Gilmar Mendes, a verdadeira herança neolibertina de Fernando HenriqueLula gastou seus 8 anos de governo falando sobre a herança maldita de Fernando Henrique Cardoso. Dilma Rousseff não fez diferente nos seus 5 anos de destruição do país. Ambos falavam isso citando o neoliberalismo econômico implementado de 1995 a 2002. Mas nenhum deles citou o nome de Gilmar Mendes, único ministro remanescente dos 3 que Fernando Henrique indicou para o STF e do qual Temer se mostrou o legítimo herdeiro.

A novíssima revista digital “Crusoé” fez uma ótima e extensa matéria capa cujo título é “A Mulher-Bomba”, referindo-se a Dalide Corrêa, ex-executiva do IDP, instituto de Gilmar Mendes, que, coincidentemente, deixou o cargo na esteira da delação premiada de Joesley Batista. A matéria é tão contundente que os proprietários da Crusoé deveriam ter a hombridade de liberar seu conteúdo gratuitamente ao público, mas isso é outra história.

Ao contrário de seu ex-patrão, que só gosta de soltar, Dalide Corrêa era quem mandava prender e soltar dentro do IDP, e dentro da abrangência de seu poder, era ela, também, a responsável por solicitar, angariar e administrar os patrocínios que o IDP recebia para a realização de seus eventos no Brasil e em Portugal, entre eles os gordos patrocínios da JBS.

A reportagem revela também que Joesley Batista, o notório bandido que Temer recebeu escondidinho na garagem do Jaburu, usava a sede do IDP como uma espécie de quartel general de suas atividades no relacionamento com o poder em Brasília, incluindo aí uma tentativa de aliciamento dos juízes federais Ricardo Leite e Vallisney Oliveira, através de uma proposta de patrocínios para o IMAFE, um instituto que tinha como sócios exatamente os referidos juízes. Não deu certo, mas as investigações que vieram no rastro desse assunto, também não deram em nada.

Essa situação toda envolveria uma solicitação de Dalide Corrêa de 200 milhões de reais caso os juízes Ricardo Oliveira e Vallisney Oliveira viessem a ser cooptados e reduzissem o valor do acordo de leniência da JBS de 11 bilhões de reais para 3 bilhões de reais, o que não aconteceu. E basta ter um pouquinho de boa memória para lembrar que na gravação clandestina da conversa com Michel Temer, Joesley cita que teria cooptado dois juízes (aqui), no que Temer respondeu “bom, muito bom”.

Qualquer um que tenha acompanhando o desenrolar das gravações de Joesley Batista e sua posterior delação premiada lembrarão dos contundentes ataques de Gilmar Mendes à Joesley Batista no plenário do STF, sem, claro, citar que o mesmo era presença constante na sede do IDP e nas planilhas de patrocínio da entidade. Em matéria do Estadão de 11 de setembro de 2017, Gilmar declarou, inclusive, que poderia ter sido gravado clandestinamente por Joesley.

Além de Dalide Corrêa, personagens conhecidos do público também permeiam essa história, como, por exemplo, Fernando Segovia, amigo pessoal de Dalide, que, coincidentemente, veio a ser nomeado por Michel Temer para comandar a Polícia Federal. Segovia, pelo tamanho da sua boca e pelas costas quentes que achou que tinha, falou demais. Foi exonerado, e, estranhamente, enviado para a Itália como adido na embaixada brasileira.

Mais uma vez reforço que todos deveriam tomar conhecimento da matéria da Crusoé tal a quantidade de nomes e informações citadas que permitem mais clareza no entendimento do comportamento de Gilmar Mendes, do nervosismo expresso na sua verborragia até a voracidade como assina habeas corpus para liberar notórios bandidos da cadeia.

Um fato não citado pela dita reportagem, porque não tem uma conexão direta com o assunto tratado, é a fixação na soltura de presos que foram parar atrás das grades a mando do juiz Marcelo Bretas, foram exatamente 20 em 20 dias, o que levou o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro a enviar ofício à Raquel Dodge pedindo o impedimento de Gilmar Mendes nos casos relacionados à Fecomércio, do qual o IDP, através da intermediação de Dalide Corrêa, recebia patrocínios.

Outra casualidade desse caso da Fecomércio é o aparecimento da FGV, Fundação Getúlio Vargas, no recebimento de dinheiro da Fecomércio que foi repassado a título de patrocínio, em nome da FGV, para o IDP. E por mais uma dessas coincidências da vida, Gilmar Mendes comprou um apartamento em Lisboa no qual é vizinho de Sidnei Gonzalez, diretor de mercado da FGV e responsável por organizar diversos eventos em parceria com o IDP.

É um absurdo que Gilmar Mendes continue sendo ministro do Supremo Tribunal Federal.

É um absurdo que, se existem, ministros decentes do Supremo não tenham tomado uma providência visando o afastamento de Gilmar Mendes.

É um absurdo que a Procuradoria Geral da República não tenha pedido o impedimento de Gilmar Mendes, no mínimo dos casos nos quais existem relacionamentos pessoais, do IDP ou do escritório Sérgio Bermudes, no qual trabalha Guiomar Mendes, sua esposa.

É um absurdo que o senado federal (em minúsculas mesmo) não tenha dado andamento às 9 ações que pedem o impeachment de Gilmar Mendes. Aliás, para ser justo deu andamento a 3 deles, mandou para o arquivo.

É um absurdo que nós, como povo, como contribuintes, como cidadãos, fiquemos de mãos amarradas diante de tantos descalabros praticados por esse ministro que transformou o Supremo Tribunal Federal no quartel general da impunidade para políticos e empresários corruptos e um bunker para si mesmo e para outros da mesma laia.

A herança maldita de Fernando Henrique passa longe do neoliberalismo econômico. A verdadeira herança, representada na figura de Gilmar Mendes foi, e é, a neolibertinagem judiciária. Dessa, nem Lula, nem Dilma reclamaram.

Você pode gostar de ler também

Geraldo Alckmin pede ajuda a Bolsonaro para subir nas pesquisas

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.