0

GILMAR MENDES DEVIA PEDIR PARA SAIR

SEGUNDA DENÚNCIA CONTRA MICHEL TEMER VAI PARA A CÂMARA COM 10 VOTOS A FAVOR E 1 CONTRA, O DE GILMAR MENDES

Se você não sabe entende muito bem o que foi votado pelo STF, eu explico.

Antes de encerrar seu mandato na Procuradoria Geral da República, Rodrigo Janot encaminhou ao STF uma nova denúncia contra o presidente da república, envolvendo as novas delações da JBS, delações do doleiro Lúcio Funaro e outras tantas. A denúncia, a qual chamou de “quadrilhão do PMDB”, coloca Michel Temer como comandante da quadrilha.

Mesmo podendo decidir sozinho sobre a questão, o que eles chamam de decisão monocrática, o ministro Edson Fachin, por solicitação do advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, levou ao plenário uma “questão de ordem”. Nela se questionava se o STF poderia aceitar ou arquivar uma denúncia sem a participação de Câmara dos Deputados, que é a instituição responsável por dar a autorização para que o presidente da república seja investigado.

Segundo entendimento de 10 dos ministros do STF, a constituição determina que a primeira palavra vem da Câmara dos Deputados, que pode dar seguimento ou arquivar o pedido, como aconteceu com a primeira denúncia. O único ministro que votou contra o envio da denúncia e a favor de que ela fosse devolvida para a PGR, agora já sob a batuta de Raquel Dodge, foi Gilmar Mendes.

Quem teve o prazer de assistir as duas sessões teve também o desprazer de ver Gilmar Mendes fazendo apartes e intervenções que só não soaram mais ridículas por se tratar de quem se trata. Nem seus parceiros de sempre, que em alguns momentos “até levantaram a bola para Gilmar cortar”, tiveram coragem de ir contra o voto do relator, simplesmente porque o relator votou conforme manda a constituição.

A própria, Raquel Dodge, em sua primeira participação numa sessão do STF como Procuradora Geral da República, poderia ter retirado a denúncia feita por Rodrigo Janot. Mas não o fez. Pelo contrário. No memorial que entregou aos ministros pouco antes da sessão da quarta-feira, endossou o envio da denúncia contra o presidente para a Câmara dos Deputados. Gilmar Mendes votou sozinho.

Um desavisado que não conhece a cara dos ministros do STF diria que Gilmar Mendes era o advogado de Michel Temer, tamanha a argumentação e a desfaçatez usada pelo ministro. Foram inúmeros apartes e intervenções repletos de posições pessoais e distorções dos fatos, e principalmente das leis, numa defesa clara ao interesse de Michel Temer, e não do que diz a constituição.

A maior parte dos argumentos e ataques que Gilmar Mendes fez a Rodrigo Janot poderiam ser usados contra ele mesmo, especialmente a pessoalidade e a parcialidade no trato dos fatos.

Ainda que se possa ter dúvidas e/ou suspeitas sobre posições e compromissos de ministros como Ricardo Lewandowski, Antônio Dias Tóffoli e Alexandre de Moraes, nenhum deles tem o comportamento político, a exposição pública e o desrespeito por outros cargos e instiuições como faz Gilmar Mendes. É provavelmente um caso único de estrelismo extremo de um ministro do STF.

Perder uma tese para os outros 10 ministros e da Procuradora Geral da República, em si não seria um grande problema, nem a primeira e nem a última vez, fosse quem fosse o ministro do STF em questão. Mas Gilmar Mendes, dessa vez, perdeu mais do que isso. Além da compostura, tanto no campo ético quanto no campo verbal, Gilmar Mendes perdeu a vergonha de ser desonesto com os fatos, como se o povo brasileiro não estivesse farto de saber quem são os bandidos que ocupam o poder.

Preocupa, e muito, que um ministro do Supremo Tribunal Federal seja conselheiro de um presidente da república notoriamente envolvido em crimes de corrupção. A prática de crimes já havia sido inclusive atestada por meio de delações e provas, cujo uso foi descaradamente descartado pelo próprio Gilmar Mendes no julgamento da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral, e que poderia lá atrás ter abreviado toda essa palhaçada que ser tornou o cenário político nos últimos tempos.

A derrota por 10 a 0 deixou claro que temos um ministro no STF que destoa de seus pares, e cujo entendimento das leis, e da sua posição como membro do Supremo Tribunal Federal, destoa do que diz a Constituição Federal, a qual ele deveria defender ao invés de defender um presidente ou qualquer que seja o político corrupto, ou simplesmente corrupto, como Jacob Barata Filho, que ele defenda.

Gilmar Mendes tem duas opções: ou arruma um STF bolivariano para chamar de seu, ou pede para sair. Particularmente, prefiro e penso que a segunda opção é a mais lógica, e a que a maioria dos brasileiros prefere.

Consegui explicar direitinho?

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.