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Geraldo Alckmin, o vexaminoso candidato que matou o PSDB. Graças a Deus.

Geraldo Alckmin, o vexaminoso candidato que matou o PSDB. Graças a Deus.Ele já tinha sido candidato em 2006, chegando a um improvável segundo turno com 40 milhões de votos, contra 48 milhões de votos de Lula. Mas, no mata-mata, Geraldo Alckmin conseguiu a façanha de receber menos votos do que recebeu no primeiro turno. Lula acabou vitorioso com 58 milhões de votos, enquanto Alckmin teve apenas 37,6 milhões de votos.

Durante muito tempo diziam que Geraldo Alckmin era impermeável às suspeitas e denúncias de corrupção em São Paulo. Diziam que nada colava nele. Até a Lava Jato. Até a Odebrecht revelar que ele era o “santo” da planilha de propinas.

Ninguém queria Geraldo Alckmin candidato à presidência, e não teria tido a chance se Aécio Neves tivesse ganho em 2014. E se Aécio fosse um político limpo, sua votação em 2014 teria sido expressiva o suficiente para que fosse a bola de vez novamente, e Alckmin ficaria chupando dedo.

Acontece que Aécio está longe de ser limpo. E, pior do que isso, o PSDB não tinha ninguém limpo no banco de reserva que pudesse fazer frente à vontade de Alckimin de concorrer, mesmo não sendo ele um político que se possa chamar de limpo. São várias denúncias, citações em delações premiadas e acordos de leniência feitos no Cade. Mas tiveram que engolir.

Alckmin assumiu a presidência nacional do PSDB e, usando da prerrogativa de presidente do partido, se auto escalou como candidato, ignorando que João Doria, de seu partido, o qual ajudar a eleger prefeito de São Paulo, seria muito mais competitivo na corrida presidencial do que ele. Além disso, sabotou internamente o atual prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, que também queria sair candidato, inviabilizando politicamente as prévias do partido, no qual acabou aclamado por ser o único concorrente à vaga.

Mas Geraldo Alckmin não decepcionou apenas o seu PSDB. Lula apostava que ele seria o candidato competitivo para concorrer com Jair Bolsonaro e, mais importante do que isso, dado suas amizades nos três poderes, o único candidato que teria traquejo e trâmites suficientes para promover um abafa definitivo na Lava Jato. Esse foi um dos motivos de Lula esticar a farsa de sua candidatura ao limite. Mas não deu certo, e Lula foi obrigado a colocar o poste Haddad para concorrer.

O que há de pior na política apoia Geraldo Alckmin. Temer preferia Alckmin, o centrão de Eduardo Cunha, Rodrigo Maia, Paulinho da Força e Carlos Marun entrou na canoa de Alckmin. Todo lavajatista juramentado apoiou Geraldo Alckmin. Mas o povo não engoliu.

Não bastasse a própria incompetência eleitoral e antipatia natural, ele ainda teve algumas ajudas na sua derrocada:

  • Paulo Preto, ex-diretor da DERSA e operador do PSDB foi preso (solto por Gilmar Mendes);
  • Laurence Casagrande, outro ex-diretor da DERSA e operador do PSDB também foi preso (e também foi solto por Gilmar Mendes);
  • Beto Richa, ex-governador do Paraná, preso por corrupção (e também solto graças a Gilmar Mendes):
  • Marconi Perillo, que só não foi preso hoje porque é candidato e a lei eleitoral proíbe prisões de candidatos 15 dias antes das eleições (mas que, certamente, também seria solto por Gilmar Mendes).

A ajuda mais difícil, entretanto, foi a sombra de Aécio Neves, e o vídeo abaixo mostra bem o porquê.

Diante das evidências demonstradas desde as primeiras pesquisas, Geraldo Alckmin tentou empreender uma campanha agressiva, batendo especialmente em Jair Bolsonaro. Não se importou de usar os métodos e táticas petistas de desconstrução da reputação de Bolsonaro. Baixou todos os níveis que pode no desespero para ser visto e ouvido pelos eleitores. Não conseguiu passar nem Marina Silva.

Os aliados de primeira hora já estão tomando seus destinos. O falecido PSDB se divide agora em tucanos neobolsonaristas, aqueles que não respondem à processos na justiça (pelo menos a maioria) e os neooposicionistas à Bolsonaro, mesmo que isso venha a se resumir em Fernando Haddad, mesmo que o PT tenha sido o maior oponente da história do PSDB.

Se Geraldo Alckmin tiver muita sorte, daqui a 2 anos, quem sabe, os paulistas e paulistanos se esqueçam do “santo”, do escândalo da merenda escolar, do rodoanel, da DERSA, do cunhado operador de propinas… e o reelejam. Quem sabe em 2020 para prefeitura, ou talvez para o governo do estado em 2022. Antes, porém, ele terá que torcer por Fernando Haddad, de pires na mão, pois, como as pesquisas indicam, parece que ele será o representante da corrupção e da impunidade caso seja eleito, e assim o único capaz de fazer o acerto com os três poderes que Alckmin faria. Mas não será fácil, nem a eleição e nem o acordo.

Dificilmente será possível fazer uma autópsia do PSDB. A morte do partido será como um esquartejamento, membros espalhados para todos os lados, inclusive dentro de algumas cadeias pelo Brasil.

Para Geraldo Alckmin, restará rezar para que Fernando Haddad seja eleito. E para que Gilmar Mendes seja eterno enquanto dure.

Os filiados informam que não haverá velório.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.