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General, está nas suas mãos acabar com protecionistocracia.

General, está nas suas mãos acabar com protecionistocracia.Sou uma voz insignificante em todo esse processo, General, mas jamais serei acusado por minhas filhas, netos, parentes e amigos de não ter feito a minha parte.

Desde 2007 eu me manifesto contra a cleptocracia nomeada por Gilmar Mendes, que, curioso, criticou e deu o nome como se dela não fizesse parte. Tanto fez, e faz, que para salvar os amigos e, certamente, o próprio rabo, ele inventou a protecionistocracia, na qual todo mundo se protege para que todos os cleptocratas permaneçam livres, da cadeia e da responsabilidade de responder por seus crimes, inclusive o próprio ministro.

Se numa fração de tempo o povo brasileiro acreditou que a Operação Lava Jato colocaria fim na roubalheira de décadas e todos os envolvidos pagariam por seus crimes, esse tempo passou, General. A impressão, quase certeza, é que amanhã, liderados por Gilmar Mendes, os ministros do Supremo Tribunal Federal jogarão a última pá de cal na Lava Jato, jogando no lixo os anos e milhões de reais investidos nos processos que revelaram ao povo em detalhes a quantidade de dinheiro roubada dos cofres públicos, provando quem roubou, quanto roubou e como roubou.

O que pode fazer o povo, General? Ir para a rua se manifestar para que? Ser agredido pela polícia?

General, não há mais ordem nesse país. A insistente afirmação de que as instituições democráticas resolverão o problema é tão falsa quando a ideia de que são instituições e que são democráticas. Não há democracia plena no Brasil. Somos um arremedo de democracia, risível aos olhos de qualquer um que entenda minimamente esse conceito. E não temos instituições, temos, sim, três poderes absolutamente podres e corrompidos, dominados por quadrilhas e facções que ignoram as leis e a sociedade.

Ainda que nos bastidores da caserna possa ter se manifestado, ela foi tão ignorada quanto são ignorados o povo e a própria realidade. Vivemos num cenário de mentiras, corrupção endêmica, sistêmica, epidêmica, acadêmica. Os poucos e raros políticos e magistrados que não pactuam com esse sistema também não conseguem fazer nada para combatê-lo.

O que será do Brasil, General?

Se amanhã o STF decidir pela liberdade de Lula, decidirá também pela liberdade de todos os presos que receberam condenação em segundo grau, e isso não se restringirá aos políticos, mas também aos ladrões, assaltantes, assassinos, pedófilos e estupradores. Irão todos para a rua. Estarão livres para agir novamente. O Brasil vai se tornar um imenso Rio de Janeiro, ou melhor, vai assumir sua verdadeira cara de Rio de Janeiro. E não haverá instituição democrática para resolver a situação, porque, de fato, não haverá mais democracia.

O povo irá às ruas ainda hoje, mas já nem mais para se manifestar pela prisão ou liberdade de Lula. A manifestação de hoje será um ato de desespero, um clamor para que alguém resolva o que já não é possível ao povo resolver. Preste atenção nisso, General. Prestem atenção nisso, Generais, Almirantes, Coronéis, Majores, Capitães, Tenentes, Sargentos e Soldados.

Se o golpe de amanhã se concretizar, as Forças Armadas serão reduzidas a grupos de escoteiros.

Está na hora do povo brasileiro saber se tem um exército, uma aeronáutica e uma marinha dispostos a cumprir com o dever de defender a pátria do inimigo interno e externo que a Constituição Federal lhes outorga, ou se deve esquecê-los como símbolo da defesa nacional e parar de sonhar com a possibilidade de uma intervenção militar que não virá mesmo, independente do grau de sucateamento moral e institucional da nossa república.

Caso Lula e seus comparsas saiam livres da cadeia amanhã, General, não se assuste se grupos independentes resolverem fazer justiça com as próprias mãos. E se isso vier a acontecer, suas mãos, assim como as mãos de seus companheiros de armas, ficarão sujas, e ao contrário de 1964 (quando, convenhamos, não fizeram todo o trabalho que deveriam e poderia ter feito) serão eternamente acusados de omissos.

A hora é essa, General, não haverá outra.

Sugiro que o senhor vá até uma janela e olhe para a bandeira brasileira mais próxima hasteada num mastro nas redondezas, ou quem sabe até mesmo uma bandeirinha em sua própria mesa de trabalho, e pergunte a si mesmo onde está a Ordem, porque o Progresso, nesse momento, será conseguir, no mínimo, descobrir e resgatar a ordem que há muito tempo se perdeu, inclusive com a conivência das tropas que o senhor comanda.

Talvez, General, esse seja meu último apelo, não porque serei morto ou desistirei, mas porque o bolivarianismo comunista terá atingido o objetivo que não conseguiu atingir em 1964, e com ele, aos poucos, desaparecerão as liberdades individuais, a liberdade de expressão e o acesso livre aos meios de comunicação que temos hoje. Não só parece alarmante, mas é alarmante, pois ainda que não se dê da noite para o dia, pelo andar da carruagem não demorarão a chegar nesse ponto.

Aproveite, General, enquanto ainda comando o exército brasileiro. Caso contrário, se não mandarem prendê-lo, e a seus pares, terá sob seu comando um exército igual ao venezuelano, e, quem sabe, sob o comando de Lula na presidência da república.

Sei não general, a coisa está muito feia, e a solução passa diretamente pelas suas mãos. O senhor pode simplesmente lavá-las, como Pilatos, ou usá-las para limpar a gigantesca sujeira que os outros fizeram. A escolha é sua. Nós já fizemos a nossa.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.