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Fernando Henrique Cardoso deveria deixar o futuro pra quem tem futuro

Fernando Henrique Cardoso já não mais uma unanimidade no PSDB, especialmente no que diz respeito a Geraldo Alckmin, e ao próprio Aécio também. Como em tudo na vida, lideranças mais jovens, com muito futuro pela frente, já não seguem mais as orientações do grão tucano e fundador da legenda. FHC, na verdade virou uma legenda. E ponto.

O encontro com Luciano Huck não soou bem aos ouvidos do jovem tucanato, e nem do velho. Alckmin está p… da vida, porque isso é uma clara sabotagem aos seus interesses políticos, e a conversa com Huck transparece a total falta de confiança que Fernando Henrique tem na chance dele se eleger presidente.

E até que não está errado na sua avaliação, afinal quando foi candidato, Alckmin, sem escândalos do metro, Rodoanel e Lava Jato, já tinha conseguido a façanha de ter menos votos no segundo turno do que teve no primeiro quando disputavam mais candidatos e não apenas ele e Dilma.

Mas porque Fernando Henrique, aos 86 anos, ainda interfere tanto no partido e na política brasileira?

O Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal foram os dois grandes legados de Fernando Henrique na presidência. Mas Lula acabou com o Plano Real, Dilma enterrou a Lei de Responsabilidade Fiscal e Temer finge que recupera a economia tendo um rombo fiscal de 159 bilhões de reais. Não sobrou nada do que Fernando Henrique fez no seu governo. E também não sobrou nada do partido que ele ajudou a construir.

Os principais nomes do PSDB, como Aécio Neves, José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, Geraldo Alckmin, Marconi Perillo e Beto Richa, uns mais, outros menos, estão todos enrolados com a justiça. E não há muito chance de consigam “resgatar a honestidade” a tempo de mudar seus destinos políticos, uns pela gravidade dos processos que enfrentam, outros porque a idade já não ajuda.

Mas, e a aposta em Luciano Huck? Simples. É desespero e fisiologismo. Não vendo nenhum nome capaz dentro do partido, nem mesmo João Doria, apela-se para uma alternativa elegível, um Tiririca mais famoso e mais bem formado que o original, que tem uma exposição violenta na mídia, mas que não deixa ser um Tiririca, só que esse quer ser presidente.

Luciano Huck é amigo de Sérgio Cabral, teve Adriana Ancelmo como advogada para defendê-lo num processo de crime ambiental (até lei Cabral mudou por causa disso), amigo de Aécio Neves, amigo de Joesley Batista, amigo de Eike Batista, amigo de Joaquim Barbosa, amigo de Fernando Henrique, amigo de Joaquim Barbosa, e, vejam, amigo de Lula.

É nesse sujeito que Fernando Henrique vai apostar suas fichas?

O Brasil não precisa de um playboy, tucano de nascença, que fica fazendo “cú doce” para se assumir candidato, no comando.

Luciano Huck não é necessariamente um empresário de sucesso. Ele é uma marca de sucesso. E essa marca está associada a propagando de tudo e qualquer coisa que lhe dê dinheiro, e cito mais expressamente as propagandas de bancos e financeiras. Pessoalmente, acho vergonhoso alguém permitir o uso de sua imagem e prestígio para incentivar as pessoas simples a pegar dinheiro emprestado a juros exorbitantes. E aí, o mesmo indivíduo que incentiva aparece como salvador da pátria.

Lula procura um asilo político, Fernando Henrique Cardoso deveria procurar um lar para idosos. E tem dinheiro para pagar um asilo chique, onde poderá tomar sol à beira de uma linda piscina, assistir TV e jantar no seu próprio apartamento, mas sempre cuidado de perto por médicos e enfermeiras prontos para dar-lhe um tranquilizante quando ele tiver ideias como essa de apoiar Luciano Huck ou dizer que Lula não deve ser preso.

Chega de Fernando Henrique, José Sarney, Edson Lobão, Michel Temer, e outros que insistem em interferir e comandar um futuro que não viverão.

O futuro do Brasil precisa começar a ser cuidado por pessoas que tem futuro pela frente e não por quem está prestes a frequentar apenas livros de história.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.