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Brasileiros, falemos de nós. Que país queremos? Pra quando queremos?

Falemos de nós, brasileiros. Que país queremos? Pra quando queremos?

Aparentemente os brasileiros não sabem exatamente o que querem, nem para quando querem.

Muitas das manifestações da população têm o caráter de uma urgência que não será atendida de acordo com a demanda, não importa o presidente ou o regime de governo. Não vivemos o caso venezuelano porque somos um país rico em relação a eles, mas os danos a toda a estrutura governamental foram profundos o suficiente para levar anos corrigindo.

Não sou sociólogo, antropólogo, cientista político, filosofo, economista, mas acho que não precisa ser nenhuma dessas coisas para perceber que o problema de segurança pública não será resolvido em menos de dez anos. Se muito bem planejado e executado, em três anos começam a aparecer as melhorias, mas é trabalho árduo.

O sistema de saúde faliu. O modelo, inspirado no NHS do Reino Unido deveria ser bom. Mas não é, por falta de verbas, por falta de planejamento, por excesso de roubos e desvios, por questões de ética médica, e, principalmente, por uma população atormentada com dengue zika e chikungunya, agora novamente a febre amarela, além de ser desnutrida, sem saneamento básico, e sem nenhum tipo assistência preventiva, por ignorância e por falta. Quanto tempo leva para consertar isso em todos os estados brasileiros?

Na infraestrutura é escancarada a incompetência do estado brasileiro. As rodovias federais em poder do governo estão aos pedaços. Roda-se bem melhor em estradas privatizadas. A malha ferroviária é uma piada. Navegação fluvial aqui e ali, mas sem eficiência que dê ganho em escala. Navegação de cabotagem num país com 7.367 km de costa marítima, e o arroz vai de caminhão do Rio Grande do Sul até o Norte e Nordeste. Quanto de dinheiro precisa para arrumar isso? Quanto tempo leva para resolver isso? Não conseguiram concluir ainda os 700km da transposição do São Francisco. Tem mais de 10 anos.

Então chegamos na educação. E foi ela também que nos trouxe até aqui. Boa parte do eleitorado de Lula, especialmente no Nordeste, nasceu e cresceu sob a fábula do encantador de asnos. E eles são milhões, praticamente duas gerações nas quais a semente do socialismo foi plantada e hoje dá seus frutos. E para que isso comece a ter uma mudança significativa, se começar amanhã, leva também mais duas gerações para dar frutos, e mais duas para dar mais sementes, e mais duas, até que um novo modelo de educação se torne cultura.

Nenhum presidente será capaz de resolver nenhum problema dessas naturezas em quatro anos, nem se tiver 100% de apoio do Congresso Nacional. Mas mesmo assim, é melhor que ele tenha o máximo de apoio possível para começar as mudanças necessárias. E a sugestão é que, seja lá quem for que você vá escolher para presidente, vote nos deputados e senadores que oferecem apoio a ele. Os brasileiros têm que se atentar que a base deve ser votada com o presidente para que ele não tenha que ficar sendo chantageado por cargos e verbas para aprovar projetos.

Minha sugestão é que o “para quando?” seja dividido por faixa etária. Eu tenho 54 anos e não imagino que verei o Brasil com todos os seus problemas estruturais resolvidos. Tenho duas filhas de 25 e 21 anos e penso que elas poderão ver um Brasil melhorado daqui 25 anos. E tenho uma neta de 5 anos para quem eu espero um Brasil decente daqui 30 ou 40 anos. Essas são minhas medidas de esperança.

O Brasil precisa de brasileiros que pensem em brasileiros e não em políticos e partidos. Não pode ser difícil de entender que nós, povo, deveríamos ser os protagonistas do processo democrático, e não os políticos. E se assumirmos esse protagonismo, de fato e de direito, rejeitando com veemência todas as manobras que adulterem a nossa democracia. Isso serve para urnas eletrônicas. Se não queremos, temos que rejeitar. E se queremos rejeitar, temos que arrumar o como fazer.

Precisamos falar mais de nós.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.