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FALA, JOESLEY, FALA TUDO!

O BRASIL CANSOU DA DUPLA JOESLEY BATISTA E RODRIGO JANOT

Quando Marcelo Odebrecht começou a dar indícios de que faria uma delação premiada a imprensa brasileira alardeou que uma “bomba atômica” atingiria o núcleo da política brasileira, não sobraria pedra sobre pedra. Enfim ele falou, e nenhum sismógrafo político mexeu o ponteiro além do que mexeria se tivesse caído um clips no chão.

Logo em seguida, mesmo sem acordo de delação, quem abriu o bico foi Léo Pinheiro da OAS, também tratado como depoimento explosivo. Léo era outro profundo conhecedor dos meandros políticos e, sem trocadilho, frequentador da cozinha da casa de Lula. Ou das cozinhas. Ou das casas. Léo entregou Lula e a família, e novamente os sismógrafos da política não registraram nenhum abalo.

Até então, mesmo que criminalmente as delações tivessem produzido efeitos, como a condenação de Lula no caso do tríplex da OAS, em termos práticos elas causaram mais benefícios aos delatores do que prejuízo aos delatados. Protagonistas ilustres da história continuam soltos, ou foram soltos, como José Dirceu.

Veio então a JBS, um novo tipo de delação no qual o delator impôs as regras do jogo oferecendo em troca, naquele momento, um material que fez da delação da Odebrecht o pior acordo que um delator pode obter, tanto em efeitos como em benefícios. Joesley Batista falou o que quis, como quis, ofereceu provas robustas do que dizia e foi para Nova York. Esse sim foi um abalo sísmico que fez tremer o chão de muita gente.

De lá para cá fomos expostos a sequência mais atrapalhada de todo esse processo de corrupção. A bomba da JBS não é daquelas que explode de uma vez. Ela é sequência, e de tempos em tempos mais uma carga de hipocrisia e mau caratismo é detonada, tremendo não apenas o chão dos delatados, mas o chão de todo o sistema judiciário brasileiro.

A prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud tentará fazer com que essas explosões aconteçam por inteiro, num único lugar, abale o que tiver que ser abalado. Mas que se encerre esse episódio definitivamente.

A delação da JBS foi fundamental para que outros delatores, como Lúcio Funaro e Antônio Palocci decidissem falar também. E falaram pelo simples motivo de que não há mais como esconder ou omitir o que, além de óbvio, está fartamente provado e documentado nas dezenas, ou centenas, de processos que se entrelaçam pelas varas criminais brasileiras.

A irresponsabilidade e a má fé de Joesley Batista colocaram em xeque a probidade de Rodrigo Janot, um tipo de arranhão de nunca mais sai. Mas colocam em xeque, também, Raquel Dodge, sobre o qual deve-se ter muito mais desconfianças do que esperanças. Não se sabe a que veio, e a carreira não serve como um indicativo concreto de como ela irá proceder.

O que todos sabemos é que Raquel Dodge foi a segunda mais votada da lista tríplice da categoria e escolhida por Temer, com a benção de Gilmar Mendes e da cúpula do PMDB do senado, tendo sido aprovada na sabatina por 74 votos a 1. Sabemos que ela defendeu o aumento dos salários dos procuradores, foi autora da resolução do MPF que restringe a 10% a transferência de procuradores para formar forças tarefas como a Lava Jato e que atuou nas investigações do mensalinho do DEM do DF, que não prendeu ninguém.

Joesley Batista estava na casa do seu pai antes de ser preso pela PF. Talvez ele tenha ido apenas se despedir com um esperançoso “até já meu pai”. Ou quem sabe tenha ido, além disso, pedir um conselho ao pai um conselho e tenha ouvido um “Fala, Joesley, fala tudo!”, caso esse pai seja um homem que não tenha perdido a simplicidade e a honestidade apesar do sucesso dos filhos, que perderam.

Contudo, não se iludam com esses últimos movimentos de Batista como uma trapalhada. Não foi. O que aconteceu foi uma tentativa, até aqui bem-sucedida, de que Rodrigo Janot faça o desfecho desse caso, de modo que, mesmo ainda correndo risco de mudanças, Joesley venha a encarar a nova PGR tendo dado subsídios suficientes para corroborar a segunda denúncia que vem contra Temer.

O Brasil está cansado de Rodrigo Janot e Joesley Batista, das trapalhadas e atrapalhadas dos dois no ambiente político e jurídico brasileiro. E já é hora disso acabar.

O povo brasileiro quer coisas postas em pratos limpos. Para isso, esperamos que Joesley siga o hipotético conselho do seu pai e o país possa virar essa página definitivamente. Fala, Joesley, fala tudo!

 

No Ponto Do Fato