0

Eleições não resolverão. Precisamos de desratização nos três poderes.

Eleições não resolverão. Precisamos de desratização nos três poderes.O ex-ministro e ex-futuro-quem-sabe-talvez candidato à presidência da república, Joaquim Barbosa, disse que não tem jeito de mudar o sistema de sacanagem que os políticos montaram no Brasil. Mesmo que isso seja uma demonstração de covardia, fraqueza e comodismo da parte do senhor ex-ministro, ele não deixa de estar certo, e não serão as eleições que mudarão esse quadro enquanto não mudar a postura do povo que vota.

Está cada dia mais claro que a esquerda já não dispõe de capilaridade para um enfrentamento com base em discurso político com base em algum tipo de ideologia. O discurso da esquerda é discurso de político preso, pois estão todos presos a Lula e muitos deles a caminho de estarem presos junto com ele. O lulopetismo está vivendo seu ocaso, tal qual o próprio Lula, porque nada mais ali é sustentável.

A necessidade incessável de tentar produzir factoides que se transformem em notícias já virou uma fábrica de fábulas já que nelas não é necessário que exista algum tipo de lógica. Alguns acreditam em fadas, outros em duendes, outros em elfos. Mas já está difícil acreditar em Lula ou em qualquer coisa que venha dele ou seja em função dele. Mais uma condenação está vindo por aí e nessa o castigo deve ser até maior que o anterior, uma vez que o ex-palanque ambulante (nunca deixo de dar o credito a Augusto Nunes pelo apelido) já não é mais réu primário.

Quem são os candidatos de centro dessas eleições? Michel Temer? Henrique Meirelles? Geraldo Alckmin? Flávio Rocha? João Amoedo? Só Jair Bolsonaro na direita? Manuela D’Avila, Guilherme Boulos, Ciro Gomes, Marina Silva? Haddad? Alguém mais que valha apresentar o nome que possa representar alguma coisa além de uma fantasia com dinheiro público? Não temos candidatos, temos anticandidatos, em todos os espectros, cada um deles representando fortemente um aspecto da política que não consegue representar plenamente o que deseja eleitor. Nenhum deles.

O cenário se repete no Congresso Nacional, com 90% dos deputados disputarão a reeleição, e não custa lembrar que só 28 dos 513 deputados federais conseguiram se eleger com seus próprios votos, só estão na Câmara dos Deputados porque o modelo é o proporcional, no qual um candidato inexpressivo politicamente como Tiririca consegue arrastar com ele as cobras criadas que não conseguiriam se eleger sozinhas, e, do ponto de vista contrário, candidatos bem preparados e bem intencionados até são bem votados, mas não conseguem atingir o quociente eleitoral para levarem a vaga.

Já no senado, cujo sistema é majoritário, ou seja, o candidato tem que ser eleito com seus próprios votos, vemos claramente a insistência do brasileiro no contínuo acometimento de surtos de burrice sistêmica, renovando a cada 8 anos o direito de conhecidas ratazanas continuarem roubando o amarelo da nossa bandeira, vivendo às nossas custas, legislando em função do seu próprio benefício, rasgando continuamente a constituição, cometendo crimes seriais contra a população e querendo que a mesma constituição que rasgam seja respeitada quando se trata de seus direitos individuais.

Os estados estão, na maioria, quebrados. Os estados do Nordeste, para onde foram destinados tantos recursos nos 13 anos e meio de PT no governo federal, continuam na mesma miséria que sempre viveram, continuam sustentados pela arrecadação dos maiores estados da federação e, também na sua maioria, não tem candidatos que se apresentem como possibilidade de renovação ou mudança significativa em seus rumos. As assembleias legislativas estão abarrotadas de picaretas e não há uma delas sequer nas 27 unidades federativas que não tenha no mínimo meia dúzia de deputados estaduais respondendo a crimes de todos os tipos na justiça.

Como imaginar que as eleições que acontecerão daqui há 5 meses serão capazes de tirar essas pessoas de lá? Como acreditar que existe um povo que será capaz de votar conscientemente e eliminar essa corja do controle das nossas instituições, inclusive da justiça praticada especialmente nos tribunais superiores?

Eleições mudam pessoas nas cadeiras dos três poderes, mas não tem o poder de mudar, muito menos rapidamente, a cultura do processo. A grande maioria dos candidatos a cargos legislativos e executivos nas eleições de outubro estarão em busca de ganhar dinheiro fácil fazendo parte dos esquemas partidários de sempre. Os honestos existem, mas ainda são poucos, assim como são poucas as suas chances, tanto de serem eleitos como de conseguirem confrontar o sistema sozinhos e, ainda, promoverem mudanças.

Seja qual for o candidato eleito para a presidência da república ele nada fará se não tiver um congresso forte e compromissado com seu governo. E se esse candidato não conseguir eleger consigo uma maioria que o apoiou eleitoralmente ele estará nas mãos das já conhecidas negociatas com o Congresso Nacional, ou terá que governar sob oposição o tempo todo.

Para que exista fogo é preciso ter oxigênio. Quando um poço de petróleo pega fogo a única maneira de apagar o fogo é causando uma explosão no local. A explosão causa forte deslocamento de ar e com isso retira o oxigênio do ambiente, então o fogo acaba.

Não se resolve infestação de ratos com uso de ratoeiras. O combate sério contra ratos é a desratização, que elimina todos os ratos, ninhos e focos da infestação. Imaginar que com eleições eliminaremos políticos, ninhos e focos de corruptos é ter muita fé em eliminar uma infestação de ratos com meia dúzia de ratoeiras. Alguns poderão dar o azar de serem pegos pela ganância, mas a maioria continuará solta e roendo tudo o que puder.

Escolha bem seus candidatos. Pesquise bem quais são os partidos, correntes e pessoas que os apoiam, preste bem atenção nos apoios que ele aceita e recusa. E mesmo assim, depois disso, muito cuidado, sempre pode ter um rato na urna. Eleições costumam revelar políticos desagradavelmente surpreendentes.

Você pode gostar de ler também

Pra não dizer que não falei de Joaquim Barbosa

 

No Ponto Do Fato