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Eleição sem candidato é golpe. O povo brasileiro merece mais respeito.

Eleição sem candidato é golpe. O povo brasileiro merece mais respeito.Estamos há 5 meses da eleição que vai definir o futuro imediato do Brasil, quiçá pelo menos os próximos 20 anos, e as apostas das pessoas ainda estão presas a critérios imprecisos sobre suas escolhas, inclusive os que já tem seus votos definidos. Muitos decidem pendendo pelo fanatismo, outros pelo desprezo, e uma imensa maioria pela incapacidade de compreender a realidade que a cerca.

Tudo o que a política nos oferece, no momento, está contaminado pelo radicalismo. A escolhas se dão por exclusão e não por preferências concretas. Vota-se naquilo que é oposto ao que não se quer, sem uma análise mais detalhada para decidir pela melhor decisão coletiva. E aqui a crítica vai ao processo e não apenas para as pessoas. O embate político não permite e tem exatamente essa função.

O que é melhor para o Brasil, afinal? Esta é a questão a ser respondida na eleição em outubro. E não vai adiantar apenas ficar choramingando que continuarão sendo as famosas urnas eletrônicas smartmatic, e que não terá voto impresso em todas elas, porque quando chegar a data, todo mundo vai lá e vai votar e sair xingando. O momento de protestar seriamente sobre isso já está até minguando.

Penso que, hoje, o TSE já seria capaz de alegar, inclusive, que não há tempo hábil para colocar o voto impresso em todas as urnas; uma deixa que nós mesmos demos, só reclamando sem praticidade e objetividade, só no choramingo. Não estou desconsiderando o imenso colóquio que se impõe nas redes sociais, mas em termos de resultado esperado esse movimento não é prático e nem objetivo. Faz barulho? Faz, muito. Mas não interfere objetivamente, tanto que os ministros do STF, execrados nas redes sociais por qualquer um independentemente da opção política, continuam pouco se lixando para o povo, para as leis e para a própria Constituição Federal.

A polarização das diferenças não está permitindo chegar em consenso nem nas coisas que são consensuais. Vivemos uma crise de “amigo do meu amigo é meu amigo” e de “amigo do meu inimigo é meu inimigo”. Parece briga de rua, das antigas gangues rivais de bairros vizinhos. Só que eleição não é isso.

A profusão de candidatos que se apresenta, já vi números que variam de 16 a 23, é uma imensa covardia com a democracia. A subdivisão de tendências, correntes e candidaturas tem a função de não permitir um cenário de escolha segura na próxima eleição. Em um debate com 10 candidatos, no qual todos perguntam e todos respondem ao menos uma pergunta, ninguém será capaz de dar uma resposta que seja profundamente convincente, nem os que eventualmente tenham boas propostas.

A ridícula reforma política manteve absurdos sem a menor serventia à democracia. O fim das coligações foi empurrado para 2020, favorecendo claramente dezenas, se não centenas, de políticos que não teriam sido eleitos na última eleição e que não seriam eleitos na próxima sem esse critério.

SÓ 35 DOS 513 DEPUTADOS APENAS 35 SE ELEGERAM COM OS PRÓPRIOS VOTOS, 6,8%.  OS OUTROS 478 FORAM ELEITOS POR COLIGAÇÕES.

O tempo proporcional de televisão para propaganda eleitoral é outro escracho. Cabe aqui perguntar a quem serve a propaganda eleitoral, aos partidos ou aos eleitores, que encontrar nesse espaço uma exposição de candidatos que facilitasse sua escolha e não que impusesse uma tendência ou candidato específico. Temos que nos perguntar se é justo que um partido tenha mais tempo que outro para apresentar suas propostas, independentemente do tamanho da sua bancada. Toda eleição projeta para o futuro e não para o presente ou passado.

Vejam que a coisa é tão ilógica que quando se vai para a propaganda no segundo turno os tempos de televisão ficam iguais. Mas antes não. Ou seja, a maneira com que o tempo de televisão é distribuído no primeiro turno serve exatamente para tornar invisíveis quem não tem poder na mão. Isso é um escracho.

Eleição com até 23 candidatos à presidência da república, recheada de pseudo-candidatos que só estão ali para dividir o eleitorado e depois se reunir novamente no segundo turno, com a manutenção das coligações partidárias, com tempo proporcional de televisão absurdamente mal dividido, é uma eleição sem candidatos. Como se diz no futebol, estão jogando com a regra debaixo do braço. E como diria Michel Temer, “tem que manter isso, viu?”.

Eleição sem candidato é golpe, e seremos golpeados mais uma vez por um processo eleitoral viciado, com regras malfeitas e mal-intencionadas, capazes de levar ao Palácio do Planalto o melhor ou o pior para o país, porque não dá para saber o que é melhor ou é pior porque é impossível descontaminar os candidatos do tipo de radicalismo que representam.

Infelizmente, o momento só nos oferece nomes, mas não nos oferece candidatos. São todos postulantes, uns melhores outros piores, mas sem dar para dizer quem é melhor em que ou quem é pior em que, todos representam algum extremo de pensamento ideológico, econômico ou social, mas nenhum consegue congregar uma “caixa de ferramentas” que represente um caminho no qual se possa apostar com segurança.

O povo brasileiro foi condicionado, como os macacos da experiência da jaula que no fim tem um tipo de comportamento reativo a uma coisa que eles não viveram. Se você não conhece essa experiência, pode ver clicando aqui, vídeo de 2 minutos e 12 segundos. A teoria é reveladora sobre condicionamento e comportamento, ajuda a entender como somos e como agimos enquanto eleitores. Não vai ser difícil perceber o quanto não somos respeitados. Há anos fazem isso conosco.

Um bom sábado!

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