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E o Aécio? A Primeira Turma do STF deve assar o pão de queijo

E o Aécio? A Primeira Turma do STF deve assar o pão de queijoToda vez que se fala do Lula a pergunta repetitiva é: e o Aécio? Então, atendendo a pedidos, cada vez mais escassos, Aécio Neves deve virar réu na sessão de hoje da Primeira Turma do STF. Ao contrário da Segunda Turma, conhecida como “céu dos corruptos”, a Primeira Turma não costuma dar mole para corruptos, por isso é apelidada de “inferno da Lava Jato”.

Composta por Luiz Fux, Luis Roberto Barroso, Rosa Weber, Alexandre de Moraes, tem ainda o dissonante Marco Aurélio Mello, constantemente voto vencido tanto na Turma quanto no plenário do STF dada a sua fraqueza pela defesa de teses indefensáveis na maioria dos assuntos, e, principalmente, pela defesa de réus indefensáveis, com quem o Ministro convive desde que seu primo Fernando Collor lhe deu uma cadeira de ministro do mais alto tribunal de justiça. E não deve ter sido à toa.

Marco Aurélio Mello chegou ao STF em 1990, e a 28 anos convive faz parte da turma dos poderosos que atacam os cofres públicos. Não vai aqui nenhuma acusação de corrupção ao ministro, mas não deixa de ser estranha a sua árdua defesa pelo garantismo que, ao contrário da justificativa da presunção de inocência, só garante mesmo a impunidade dos políticos corruptos com quem conviveu e convive.

E por que falar de Marco Aurélio Mello se o assunto é Aécio Neves? Porque é exatamente Marco Aurélio Mello que relata o inquérito contra Aécio, sua irmã Andrea Neves, e seu primo Frederico Pacheco. Aécio teve negado por Marco Aurélio o pedido de prisão feito pelo então PGR Rodrigo Janot. Mais do que isso, teceu rasgados elogios a Aécio, tal como fez ao votar por conceder o HC de Palocci, chamando os dois de republicanos e citando os importantes cargos que ocuparam e os relevantes serviços prestados ao pais. Hein?

Aécio Neves soltou uma nota à imprensa repetindo exatamente o que diz todo acusado: não cometi crimes. Ele diz que cometeu um erro e não cometeu nenhum crime, não recebeu dinheiro público e que, portanto, não cometeu nenhum crime.

Esse tipo de discurso talvez até explicasse (sem convencer) a conversinha dele com Joesley Batista, mas não explica os outros 8 inquéritos que correm contra ele no STF. Na sessão de hoje, se aceito o pedido da PGR, o que é provável, Aécio vai se tornar réu por corrupção passiva e obstrução de justiça. Mas não é só isso que pesa contra ele.

Aécio é investigado por receber propinas de Furnas, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É alvo de outro inquérito sobre suposta interferência para “maquiar” dados da CPI dos Correios. Também é investigado em outros 5 inquéritos da Operação Lava Jato, por corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro e além desses o inquérito a partir da delação de Joesley Batista, que envolve também o presidente Michel Temer, o deputado da corridinha Rocha Loures e Andrea Neves.

Tal qual Lula, Aécio Neves não é perseguido político nem injustiçado. É bandido da mesma laia e só não roubou mais porque não conseguiu ser presidente.

As desculpas e justificativas dos corruptos são exatamente as mesmas, muitos inclusive repetem as mesmas frases e fazem as mesmas caras quando indagados sobre o assunto. Vale, inclusive, o exemplo do ex-governador Sérgio Cabral, que, no vídeo abaixo, faz pose de indignado e confrontou o repórter que perguntou a ele sobre acusações de corrupção. Hoje, Cabral está condenado a mais de 100 anos de cadeia. O repórter continua exercendo normalmente sua profissão.

Muita gente ainda associa a figura de Aécio Neves com seu avô Tancredo Neves, o que, por osmose, lhe garante alguma aura de bonzinho pela lembrança do bonzinho que Tancredo parecia ser. Parecia. Mas Aécio não é bonzinho. E seu avô, ao que dizem à boca miúda, também não era lá essas coisas.

Há de se reconhecer que Aécio Neves fez dois bons governos em Minas Gerais, mas, mais uma vez, tal qual Lula, isso não lhe dá salvaguarda nem direito de ser visto e tratado exatamente como é, um político corrupto, apenas isso.

Eu votei em Aécio Neves para presidente, e meu arrependimento só não é maior porque a adversária era Dilma Rousseff, e hoje até agradeço que ela tenha ganhado, pois foi a incompetência dela, em todos os sentidos, que permitiu que a Polícia Federal avançasse nas investigações e a Lava Jato tivesse o alcance que teve. Penso não ser errado supor que se Aécio tivesse sido eleito naquele momento e tirado o PT do poder, o combate à corrupção teria tido morte súbita, pois seus aliados de sempre é que estão hoje no poder e suando para sufocar ao máximo o trabalho do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal.

E como não sou asno encantado como os luláticos que insistem em não enxergar o óbvio, desejo que Aécio Neves não apenas vire réu como também seja condenado nesse e nos outros 8 inquéritos dos quais é alvo, ou um dos alvos, e, por fim, vá fazer companhia a Lula em alguma cadeia.

Infelizmente, porém, entre virar réu e ser julgado, nesse STF, há uma enorme distância. Por exemplo, com o fim de foro privilegiado todo o trabalho feito até esse momento deverá ser remetido à primeira instância, o que ao contrário de uma decisão de instância única como é no STF, dará a réus como Aécio a chance de praticamente recomeçar seus processos do zero, e utilizarem todos os tipos de recursos protelatórios possíveis nesse incrível ordenamento jurídico brasileiro.

Mas não podemos desistir, nem desanimar. Se não há outro caminho (né, General?), que se cumpra a lei, mesmo burra como ela é.

De resto é ficar na torcida para que o pão de queijo hoje saia do forno queimado.

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