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É ATRAVÉS DO MEDO QUE SE CONSTRÓI UMA NAÇÃO?

Quando em 1964 mais de 100 mil pessoas saíram às ruas de São Paulo pedindo a intervenção militar, o que os impulsionou foi o medo. Medo do comunismo arrogante de Fidel Castro que encontrava ressonância nas palavras e ações de João Goulart e, assim, alimentava o sonho de centenas de jovens revolucionários brasileiros que queriam viver sob o mesmo regime.

Os militares atenderam ao chamado da população e partiram para o contra-ataque ao golpe comunista, também através do medo. E os revolucionários se tornaram terroristas, explodindo bombas, assaltando, sequestrando pessoas, respondendo ao medo com a imposição do medo.

Na luta de medo com medo não ganhou quem tinha mais coragem. Perdeu quem teve mais medo. E por excesso de medo, esses perdedores foram para o subterrâneo, para quem sabem, um dia, tentar de novo.

Durante o regime militar só teve medo que tinha alguma coisa a temer. O regime em si não se impunha pelo medo, mas pela autoridade e pelas inequívocas demonstrações de que quem era pego andando fora das “regras” era punido. Sem entrar no mérito da justiça ou injustiça, da legitimidade ou ilegitimidade do que chamavam de regras.

O medo que o regime impunha ao povo era o do retorno da tentativa comunista, e com isso justificava tudo. E isso durou vinte e um anos.

Dezessete anos após o fim do regime militar, representada pelo pseudo-proletariado, a esquerda mais à esquerda chegou ao poder. E com ela ressurgiram os ex-terroristas adormecidos, os que foram anistiados e os que puderam retornar do exílio. E o que eles pregaram como modelo de governo? O medo. Medo de que o regime militar pudesse voltar.

Demonizaram os militares e os civis que os antecederam, sendo o último mais moderadamente alinhado à esquerda. E fizerem desses demônios a nova bandeira do medo.

Treze anos se passaram e o fracasso esquerdista foi consumado. Eles não implantaram o comunismo de Castro no Brasil, porque o comunismo não se implanta mais em lugar algum. Eles não melhoraram a vida das pessoas mais simples, mas pioraram a vida de muita gente que vivia melhor.

Quando perdemos o medo e elegemos um governo de esquerda, demos a eles a chance de demonstrar sem medo sua própria incompetência. E eles mostraram.

E de medo em medo chegamos no atual presidente, que não é de direita nem de esquerda, e sintetiza bem que no Brasil elas efetivamente não existem como representatividade política, e os poucos que realmente o são, nem sabe ao certo o que são. Exemplo é a esquerda que defende eleição direta aqui e a opressão na Venezuela.

No Brasil só existem duas categorias de políticos com representatividade: os amantes do poder que estão no poder e os amantes do poder que estão fora do poder. E nenhum deles se importará numa guinada de 180 graus em suas convicções se for necessário, nem de estar à direita ou à esquerda quando for conveniente.

Hoje, tentam nos impor o medo do caos, quando já vivemos nele.

Tentam nos impor o medo de desestabilização total como forma de proteger os corruptos.

Tentam impor aos pobres o medo de mais pobreza, como se já não tivessem o bastante.

Tentam impor o medo de menos riqueza para quem ainda a tem.

Em nome de proteger as instituições da república, protegem apenas os que tem medo da lei e que também usam para nos amedrontar.

Nações poderosas não se formam através do medo. É da coragem que nascem os legitimamente poderosos.

Já não temos mais medo. Mas ainda não temos toda a coragem necessária para enfrentar o que precisa ser enfrentado.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.