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Essa discussão de direita e esquerda é, talvez, a maior das falcatruas intelectuais do nosso tempo.

Essa discussão de direita e esquerda é, talvez, a maior das falcatruas intelectuais do nosso tempo.

O fim da guerra fria já havia enterrado essa polarização entre direita e esquerda. O ressuscitamento dessa briga à nível mundial decorre de outras questões muito mais profundas do que uma posição ideológica.

Um emprego é um emprego não importa a ideologia. Saúde é saúde, segurança é segurança, fome é fome. Ou será que esquerdista passa fome diferente de direitista?

O que existe, de fato, é a apreensão da agenda do Estado, o fatiamento dos deveres do governo perante o povo que o elege, rotulando de direita ou de esquerda as ações que constitucionalmente tem que servir a todos. Até mesmo na guerra fria o que se opunha já não era mais o debate entre direita e esquerda propriamente dito, mas capitalismo e socialismo puros, dinheiro, poder para fazer mais dinheiro.

Saúde e educação não são prioridades de esquerda, são direitos básicos do povo, seja qual for a ideologia reinante. Segurança pública e ética na política não são prioridades de direita, mas obrigações de qualquer governo e de qualquer um que governe. E quando saímos desse entendimento cristalino do que devemos receber enquanto povo, caímos na armadilha da ideologia.

Como se chamaria o braço direito se não existisse o braço esquerdo? Provavelmente apenas braço.

Não existe direita sem uma esquerda, e nem o contrário. Uma precisa umbilicalmente da outra para existir. E quando uma não existe, a outra a inventa, caso contrário ela também não terá como existir.

O Brasil tem prioridades que estão absolutamente acima dessa falsa guerra ideológica, mas que são negligenciadas em nome da ideologia. Um desempregado de direita passa as mesmas necessidades que um desempregado de esquerda. Um analfabeto de direita não lê nem escreve as mesmas palavras que um analfabeto de esquerda também não consegue ler e escrever. E o tempo todo querem nos fazer acreditar que as coisas são diferentes.

Ou acordamos para entender que, enquanto povo, somos um único braço, ou viveremos iludidos e defendendo lados e bandidos como se eles fossem mais importantes do que o todo. Nossa bandeira não é e nem pode ser ideológica, precisamos ser nacionalistas se quisermos realmente ser chamados de nação. De outra forma seremos um eterno ajuntamento.

A pergunta que deve ser feita diante de qualquer candidato que se apresente de direita ou de esquerda é: isso é bom para o Brasil?

Jair Bolsonaro é bom para o Brasil? João Doria? Luciano Huck? Marina Silva? Lula? Ciro Gomes? Álvaro Dias? Geraldo Alckmin? Será que nenhum novo nome relevante pode ainda aparecer nessa disputa?

O Brasil não precisa de conservadorismo nem de progressismo sem eficiência e decência antes.

Precisamos urgentemente encontrar o caminho que leva ao centro, e entender que todas as agendas são importantes, desde que respeitados, antes, os direitos da gigantesca maioria, que quer, antes de tudo, um país digno para viver.

O que existe no Brasil é um bando de políticos ladrões que desde 1985 assaltam os cofres públicos e sequestram o futuro da população pedindo votos como pagamento de resgate. Mas existem também os bem-intencionados, e são eles que temos que encontrar ao mesmo tempo que temos que rejeitar veementemente a corja que está aí.

Não é hora de separar a vida brasileira entre direita e esquerda. Temos que nos concentrar em separar o joio do trigo, porque está tudo misturado demais. Se não fizermos isso em 2018, serão os bobos da direita e os bobos da esquerda, e os corruptos continuarão no centro, do poder.

Mas é impossível haver posições de direita ou de esquerda? Não. Mas não dá mais para uma ideologia ser a mola propulsora de mudanças que visam prioritariamente o que é básico e de obrigação do Estado diante de sua população. E isso difere os países desenvolvidos dos não desenvolvidos. A constituição e o Estado são mais fortes que as ideologias.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.