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Dia do trabalhador? O que temos para comemorar?

Dia do trabalhador? O que temos para comemorar?Em se tratando de Brasil, nem uma coisa, nem outra. Não há nada para comemorar nesse Dia do Trabalhador. E é bom que os sindicalizados desse país comecem a prestar atenção nas pessoas que os lideram e que fingem falar em seus nomes.

Todo trabalhador brasileiro, de qualquer categoria, sindicalizado ou não, deve prestar muita atenção a tudo o que envolve a questão do trabalhismo em relação ao mundo civilizado, onde as leis trabalhistas funcionam dentro de um sistema de muito mais liberalismo.

Em primeiro lugar é preciso saber que a tão amada CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, é uma cópia adaptada da “Carta Del Lavoro” do governo fascista de Benito Mussolini, sobre a qual escrevi um artigo específico e que você pode ler aqui se quiser.

Pior do que isso, a “Carta Del Lavoro” de Mussolini foi inspirada na carta de direitos trabalhistas de Lenin, em 1917.

Na maioria dos países, a comemoração do dia do trabalho acontece no dia 1° de maio porque nessa data, em 1886, ocorreu uma manifestação de trabalhadores em Chicago acabou em mortes e novos protestos pelos dias seguintes, e 3 anos depois, em Paris, a Intentona Socialista proclamou esse dia como dia de luta pela jornada de 8 horas de trabalho.

A realidade que se impõe é a de que não há mais espaço para ideias e conceitos de 100 anos atrás, onde a maioria dos países nem era industrializada. O mundo mudou e o trabalhismo precisa se adequar a isso.

Hoje, os chamados direitos trabalhistas são apenas correntes nos pés dos trabalhadores e é isso que as oligarquias e movimentos sindicais e de esquerda não querem que os trabalhadores vejam e entendam.

Ninguém quer que o trabalhador perceba que os 8% do FGTS que são depositados pelo empregador em nome do funcionário na Caixa Econômica Federal são, na verdade, um empréstimo obrigatório que o trabalhador faz ao governo, que usa esse dinheiro como bem entente e ainda remunera esse ”empréstimo” muito mal remunerado. O mesmo acontece com o PIS e o PASEP.

Não é dado a trabalhador o direito de escolher se ele prefere receber em dinheiro o que recebe de vale transporte. A lei entende burramente que o que é dado em dinheiro pode ser incorporado ao salário, e ponto. E, assim, impede que o trabalhador possa escolher um outro meio de transporte que seja mais econômico e fazer da diferença um ganho salarial. O mesmo se dá com vale refeição.

O nome disso é tutela e não direito trabalhista.

O Brasil de 2018 tem 13,7 milhões de trabalhadores desempregados. Michel Temer não é responsável direto por essa cifra, mas era vice-presidente de quem causou o dano e sabia do tamanho do pepino quando ajudou a puxar o tapete da sua sucessora.

A alardeada “corajosa” reforma trabalhista, até o momento, só teve de efeito positivo o fim da contribuição sindical obrigatória, e que só foi aprovada porque era também uma forma de frear o dinheiro direcionado à esquerda e tirar poder de sindicatos e centrais sindicais.

Uma reforma tímida e incapaz de atualizar o trabalhador brasileiro com o que acontece em países de economia mais liberal. E eu digo o que acontece: existem mais empregos, o trabalhador tem mais renda e administra sua própria vida, sem ser tutelado como gado.

A globalização e o avanço tecnológico têm contribuído muito para a eliminação de postos de trabalho e a migração para serviços que exigem uma maior especialização do trabalhador, deixando milhões de chefes de família à margem deste processo. E a responsabilidade disso é dos governos que não promovem uma educação de qualidade e não oferecem aos jovens obter capacitações que realmente os insira no mercado de trabalho atual.

Quando vemos o crescimento desordenado das favelas e no seu encalço, a banalização da criminalidade, não podemos esquecer que não se trata apenas de uma questão policial. Quantos estão nessa vida por falta de uma oportunidade de crescer num país com um mínimo de civilidade e respeito à dignidade humana.

O que temos feito para diminuir a desigualdade de oportunidades neste país a não ser criticar direitistas e esquerdistas, sem a contrapartida de uma atitude própria?

Vamos comemorar o que? Os “justos” salários dos magistrados ou os 13,1 milhões de desempregados? A segurança e conforto proporcionado aos políticos ou os trens e ônibus lotados que os trabalhadores têm de encarar todo dia?

Não desejamos comemorar apenas a situação utópica de emprego para todos, mas que todos tenham o direito de sonhar com um. Que neste Dia do Trabalhador, possamos refletir sobre este tema e pensar o que podemos fazer hoje, já, agora para construirmos um Brasil melhor e mais justo para todos os trabalhadores brasileiros.

Ainda tem muito a ser feito. Ou livramos o Brasil dessa classe parasitária que vive e se regozija com o suor do trabalho de milhões de pessoas, no Congresso, nos sindicatos, nas centrais sindicais, no DNA de vários partidos, ou nossos trabalhadores permanecerão com os pés acorrentados por um sistema trabalhista que jamais oferecerá motivo para comemoração.

E para finalizar, nesse 1° de Maio de 2018, quem ganha presente é a turma do Bolsa Família, exatamente a que não trabalha, e para cujo sustento nós trabalhamos. Um aumento não se sabe de quanto, nem em quando, mas que será anunciado porque, como disse o próprio Temer, “Nesse 1º de Maio, o presidente da República não podia deixar de mostrar serviço”

Feliz Dia do Trabalhador!

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.