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A democracia foi às ruas neste domingo torcer e apoiar Jair Bolsonaro

A democracia foi às ruas neste domingo torcer e apoiar Jair BolsonaroDemocracia tem dessas coisas. Alguns se vestem de vermelho, ficam pelados, enfiam crucifixos na bunda, fazem cocô em cima de foto de candidato, agridem religiões, instituições, pessoas, mentem, dizem que fazem isso pelo Brasil e representam um ex-presidente corrupto que está preso, e que foi impedido, pela lei, de ser candidato, e que estimula todo esse ressentimento.

Outros se vestem de verde-amarelo, empunham bandeiras do Brasil, vão às manifestações entre amigos, famílias, todo mundo devidamente vestido, cada um com sua fé guardada para si mesmo, pedindo justiça de verdade, pedindo o fim da corrupção e da impunidade e apontando um candidato que representa esse sentimento.

Ainda que muitos não gostem da ideia, democracia é a vontade da maioria, nem que ela seja de metade mais um voto, como diz a lei. Mas é maioria.

Só que não estamos falando mais de uma maioria dividida. A maioria é decidida.

Jair Bolsonaro encarna cada vez mais a esperança brasileira de vê-lo presidente? Não necessariamente. Mas Bolsonaro presidente significa PT fora do poder. E quanto mais baixo e mais sujo o PT joga, mais explícito fica para a maioria o porquê do antipetismo.

O PT bateria em Ciro, Marina, Alckmin, Meirelles, Álvaro Dias, Cabo Daciolo com a mesma desenvoltura que bate em Bolsonaro. Não bateria em Boulos porque Boulos (fosse para ajudar esse até bateria em si mesmo). E faria isso porque a derrota nessa eleição significa o fim em diversos aspectos, mas, em especial, o fim do discurso.

Jair Bolsonaro é tosco, mas não é idiota. Não há nenhuma ditadura a caminho. Nenhum gay terá sua vida pior do que ela é hoje. Os negros não serão inferiorizados ou rebaixados de posição na sociedade em um governo de direita. Os homens não receberão título de propriedade das mulheres e a lei Maria da apanha não será revogada.

O PT não poderá mais dizer que o Bolsa Família vai acabar quando não acabar. Não poderá dizer que Bolsonaro vai acabar com o Minha Casa, Minha Vida, com o Fies, ou com a cultura brasileira que até agora se reuniu a encher o bolso de um grupo de artistas que nem deveriam precisar de dinheiro público para financiar seus empreendimentos, porque são artistas ricos. Os que mais choram e mais bradam são muito ricos.

Como o PT vai explicar isso tudo para seus eleitores? O que vão dizer para esse monte de gente quando nada do que ele e a esquerda pregam acontecer? O que dirá o PT se a saúde melhorar, se a segurança pública melhorar, se a economia melhorar?

Democracia é um conceito com o qual o PT tem certa dificuldade. O PT não exerce a democracia nem dentro da esquerda, e nem mesmo na sua própria estrutura. É um partido que tem dono, e esse dono está preso em Curitiba. O ditador do PT está preso, mas continua no comando.

Em sua ideologia o PT tem um conceito diferente de democracia. Na ideologia petista não há alternância de poder. Nela só o PT sabe o que é bom para o Brasil, mesmo não conseguindo explicar como passou 13 anos e meio no comando do país e no fez nada do que promete que vai fazer agora.

E sabe porque não explica? Na democracia petista governante não tem que prestar contas do que faz, os meios de comunicação têm que ser regulados, a ideologia tem que ser hegemônica, e o comandante só pode ser Lula, mesmo que ele esteja preso.

É disso tudo que o povo brasileiro está de saco cheio. Ninguém mais aguenta tanto roubo, tanta mentira, tanto ladrão iludindo gente inocente, amedrontando com coisas que não acontecerão com Bolsonaro presidente e prometendo coisas que jamais farão se vierem a ser eleitos. O nome disso não é democracia. Mas não serão.

A democracia que esteve nas ruas hoje foi dizer muito mais do que #elesim. A grande afirmação foi #democraciasim. Mas democracia de verdade, onde o povo pode se expressar com liberdade, com imprensa livre e internet livre (petistas ainda não entenderam que regular a internet é regular a internet deles também), pessoas livres para se posicionar contra a corrupção que, mesmo não tendo sido inventada por ele, foi amplificado a esquemas nunca antes vistos nesse país – e há quem afirme no mundo.

No próximo domingo a democracia se dará através do voto, a mais genuína expressão da cidadania que define “um cidadão, um voto”. Não queríamos a urna eletrônica. Queríamos o voto impresso (que também não seria muito confiável) e por fim parece que entendemos que o voto em cédula eleitoral de papel ainda parece ser o método mais confiável para exercer esse direito/obrigação civil.

Tomara que Jair Bolsonaro pense na hipótese de fazer um plebiscito sobre as urnas eletrônicas, esse processo é um voto de desconfiança no exercício da democracia, fortemente manifesto do povo brasileiro.

Mas ainda falta uma semana, e não será uma semana fácil. Quem não gosta de democracia não gosta de perder, e quem não gosta de perder faz o diabo para ganhar uma eleição. E essa só ganha se for por obra dele mesmo, porque se depender do eleitor e de um processo de voto eletrônico não fraudado, o PT vai ter que começar a pensar em dois discursos: um para o povo e outro para a Polícia Federal. Democracia tem dessas coisas.

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.