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Correios. Uma crise sem remetente de um Fundo sem fundo.

O governo, finalmente, interveio no Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

Essa vergonha já tinha sido antecipada quando as entranhas dos Correios foram expostas na CPI que acabou resultando no mensalão.

Todos que estão no governo atual, e nos dois anteriores, sabiam que o Fundo Postalis dos Correios era usado politicamente pelo PT, mas não era só o PT que se beneficiava da roubalheira, há envolvimento dos principais partidos nessa e noutras falcatruas em outros fundos.

Desde o início da Lava Jato, quando a podridão das relações entre políticos e empresários começou a ser conhecida em detalhes, já se sabia que o Postalis-Correios, a Previ-Caixa, o Petros-Petrobrás e demais fundos foram usados em operações políticas e de corrupção, que geraram bilhões de prejuízo a seus associados, que agora tem que aumentar suas contribuições pessoais para cobrir os rombos.

O caso do Postalis fica ainda mais profundo porque, além de tudo, os Correios vivem sua maior crise e na boca de ser privatizado para não quebrar de vez. E logo os Correios, que já chegaram a ser o serviço público mais que o brasileiro mais confiava.

No fim das contas, essa intervenção do governo no Postalis é absolutamente tardia, e até mesmo de estranhar que esteja acontecendo, a menos que a função seja preparar a empresa para a privatização, porque para consertar o estrago é difícil de acreditar.

Como ninguém se declara pai dessa criança feia, a justiça precisa identificar e punir os responsáveis pelo desmantelamento de uma das mais antigas e eficientes empresas públicas brasileiras. Ou melhor, sejamos sinceros, é só punir mesmo, porque os responsáveis todo mundo sabe quem são.

Pois quem, então, achou que o Postalis era um Fundo sem fundo, enganou-se. E essa intervenção acontece exatamente porque chegaram ao fundo do Fundo. Ou resolvem agora ou decretam a insolvência dos Correios em pouquíssimo tempo.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.