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No fim das contas, os únicos condenados pelo STF em 2017 fomos nós

No fim das contas, os únicos condenados pelo STF em 2017 fomos nósFazendo coro ao executivo e ao legislativo, o judiciário, nas suas mais altas cortes, em especial o STF, nos deu o pior de si da melhor maneira que conseguiu.

Muitos comportamentos, atitudes e decisões de ministros do STF tornaram o povo brasileiro menos crente da possibilidade de sonhar com um Brasil um pouco melhor num futuro próximo. Não há futuro para o Brasil, em nome do passado, o presente não deixa.

Dias Tóffoli pediu vista ao processo do foro privilegiado para que a Câmara faça o trabalho que tem que fazer e torne inútil e desnecessário fim do julgamento. Mas o projeto que veio aprovado do senado excluiu a prisão com condenação em segunda instância.

Da forma como está, o político poderá ser processado pela primeira instância, mas poderá recorrer em liberdade até a última instância, que vem a ser o STF. Na velocidade da justiça brasileira isso não acontecerá nunca.

Os ministros do STF adoram citar direito alemão, direito italiano, direito grego, direito marciano, mas não tem ousadia e interesse de adotar o entendimento da imensa maioria das democracias que prende se condenado em primeiro grau. O preso pode recorrer a quem quiser, mas preso.

O terceiro habeas corpus do mesmo Jacob Barata Filho caiu nas mãos do mesmo Gilmar Mendes que já o havia soltado nas duas vezes anteriores mesmo não sendo relator do processo. E como fartamente citado, mas um habeas corpus concedido pelo STF sem ter tramitado em instâncias superiores.

O persistente vínculo de Gilmar Mendes com diversos investigados, denunciados e presos não é uma coisa institucional. O que há de institucional em Gilmar Mendes é a podridão comum aos corruptos, com toga ou sem ela.

Os juízes de cortes supremas nas grandes democracias não frequentam rodinhas de políticos, mesmo, na maioria dos casos, sendo indicados por eles. E não estou dizendo aqui que não há corrupção nos outros lugares, claro que há. Mas há também uma noção completamente diferente de democracia e cidadania, porque as leis são rigidamente cumpridas.

Se o próximo presidente da república não tiver maioria num congresso renovado, que de preferência não tenha o mesmo sobrenome ou seja parente dos atuais ocupantes das cadeiras nas duas casas, ele continuará sendo refém do sistema.

É preciso escolher deputados estaduais, governadores, deputados federais e senadores que apoiem o candidato a presidente em quem você pretende votar. E mais uma vez, novos nomes. Melhor um erro novo do que continuar errando no mesmo político errado.

O que nos resta, nesses poucos dias de dezembro, nos quais os políticos e magistrados fingem que trabalham, é torcer para que novos escândalos e alvarás de solturas supremos também entrem em recesso.

Mas que ninguém se assuste se, por exemplo, Eduardo Cunha, Adriana Ancelmo, Anthony Garotinho, Antônio Palocci, Geddel Vieira Lima, acabar passando o natal em casa. Eles continuam tentando. E que ninguém espere José Dirceu preso no mês de dezembro, quiçá preso um dia.

O fato é que o povo brasileiro acredita mais em Papai Noel do que no STF. Segundo a música, “seja rico, ou seja pobre, o velhinho sempre vem”. Já o STF é só para rico mesmo.

Não é a toa que o STF vai gastar 30 milhões de reais com segurança armada. E olha que nem na ditadura isso foi necessário.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.