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COM QUANTOS VILÕES SE FAZ UMA HISTÓRIA?

A CONCORRÊNCIA ESTÁ ENORME!

Imagine você protagonistas do porte de Darth Vader ou Coringa, tendo que compartilhar uma cena na qual até o moço do cafezinho pode ser um vilão importante. Não há como concorrer com isso. E quando descobrimos o tamanho da participação do mesmo moço do cafezinho na trama, ficamos até com dó dos vilões mais famosos, afinal eles não eram tão culpados assim.

O Brasil vive algo muito parecido com isso, se não pior. Há um deflacionário excesso de vilões no mercado. Hoje, qualquer vilãozinho de filme de sessão da tarde ganha protagonismo de Darth Vader, porque a todos eles interessa que isso aconteça.

Do lado dos mocinhos, uma escassez de heróis que resolvem sozinhos, sem depender de ninguém. Não há Super Homens, Batmans, Thors, Homens de Ferro ou Mulheres Maravilha, nem superpoderes. Nossos heróis se assemelham mais a Luckys Skywalker, Neo (Matrix), Harry Potter, Katniss Everdeen (Jogos Vorazes) ou Frodo (Senhor dos Anéis) que dependem drasticamente de uma série de ajudas e sortes para serem os heróis que suas histórias lhes reservam.

O povo brasileiro procura por heróis com superpoderes. Enquanto isso os vilões se multiplicam na forma de doleiros, empreiteiros, juízes e até procuradores da república. E isso acontece porque se o sujeito não corresponde ao perfil de herói que todos esperam, ele só pode ser vilão. Vejam Rodrigo Janot, por exemplo. Nem se sabe mais de que lado ele está.

Já dizia Mestre Yoda, “o ódio leva ao lado negro da força”, e a tradução mais exata disso é cegueira.

O ódio mistura tudo e faz com que mocinhos ajam como vilões, como, por exemplo, quando Eliot Ness, já quase no final do filme Os Intocáveis, arremessa do alto do prédio do tribunal o bandido que lhe conta rindo as últimas palavras Jim Malone, policial indispensável para que o próprio Ness se tornasse o herói que prendeu Capone.

Essa mistura de ficção com realidade é porque a ficção copia a realidade, apesar de muitos jurarem que o seriado House of Cards mal consegue imitar a situação política brasileira tamanha é a capacidade criativa dos nossos vilões.

Nossos heróis sem superpoderes, apesar de escassos, estão aí, na batalha diária contra essa vilania sem rosto e sem máscara que se transforma em protagonista da noite para o dia. Mas não conta com os rebeldes e amigos dispostos a entrar na briga, seja no front, seja estrategicamente.

O que seria de Lucky Skywalker sem a força e Han Solo? O que seria de neo sem Trinity e Morpheus? O que seria de Harry Potter sem Hermione e Ron? O que seria de Katniss Everdeen sem Peeta? O que seria de Frodo sem Gandalf? E o que seria de qualquer um deles sem as profecias, as crenças, ou sem a fé de que, não importando o tamanho e o risco da batalha, o objetivo valeria a pena.

Está na hora de começarmos a pensar em como realmente podemos ajudar nossos heróis a fazer com que vilões, pequenos e grandes, anônimos ou famosos, carreguem suas próprias malas, para a cadeia.

 

No Ponto Do Fato