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Centrão de Eduardo Cunha agora é de Geraldo Alckmin. Ou será o contrário?

Centrão de Eduardo Cunha agora é de Geraldo Alckmin. Ou será o contrário?Em 19 de outubro de 2016 o título de um artigo no Estadão dizia ”Cassação de Eduardo Cunha desidrata Centrão“. O pequeno texto concluía> “Apesar dos esforços para se colocar na disputa pela presidência da Câmara, o poder do Centrão foi esvaziado com a derrocada de Eduardo Cunha. Seus líderes hoje são os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Rogério Rosso (PSD-DF).”

Pouco mais de um mês depois, no mesmo Estadão, dizia a manchete que “Sem líder desde Cunha, Maia aumenta a influência sobre Centrão”. Diziam os dois primeiros parágrafos do artigo:

Principal interlocutor do Legislativo com o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aproveitou as negociações em torno da reforma ministerial para assumir a liderança do Centrão.

O grupo, que reúne cerca de 200 deputados de partidos como PP, PR, PSD e PRB, se tornou aliado prioritário de Maia em detrimento do PSDB, que se enfraqueceu diante do racha sobre a permanência da sigla no governo e das denúncias contra o senador Aécio Neves (MG).”

Sob a liderança de Rodrigo Maia, acrescente o DEM ao Centrão. O mesmo DEM que estava na dúvida entre Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. Aliás, como se pode estar em dúvida entre Geraldo Alckmin e Ciro Gomes? Não dá para dizer que um doce e outro salgado porque Alckmin continua sendo um chuchu. Mas é uma dúvida estranha em algo com gosto ruim e algo sem gosto.

Numa tentativa de resumir a cena, diria o seguinte. O Centrão que derrubou Dilma Rousseff e era comandado com mão de ferro pelo presidiário Eduardo Cunha, que era aliado de Michel Temer, bandeou-se para as mãos de Rodrigo Botafogo Odebrecht Maia, que tem a caneta que manda da Câmara, que tem como coadjuvantes Rogério Rosso e Jovair Arantes, que está enrolado com corrupção no ministério do trabalho.

Com a prisão de Cunha esse mesmo Centrão deu uma banana pra Michel Temer, mas emplacou Carlos Marun, general de 4 estrelas de Eduardo Cunha na Casa Civil e o ex-advogado de Eduardo Cunha na assessoria jurídica dessa mesma casa civil. E nessa movimentação toda se afastou do PSDB por causa das acusações contra Aécio Neves.

Michel Temer teve que pagar muito caro pelo congelamento das duas apresentadas contra ele pela Procuradoria Geral da República, assim como pagou caro por cada uma das reformas meia-boca que fez. Sem poder, Temer virou refém do Centrão (ou de Eduardo Cunha?) e passou a pagar todos os resgates exigidos em troca de alguma migalha que lhe garanta holofotes e manchetes de jornais.

De lá para cá, a Câmara dos Deputados vive em banho Maria. Só tramita pela casa o que o Centrão quer, e quando quer, como todo tipo de iniciativa que vise constranger a justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal, ou que possibilite que eles encham seus bolsos com dinheiro público, como o caso do fundo partidário. Iniciativas que vieram aprovadas do Senado, como a lei do fim do foro privilegiado simplesmente não andam dando a chance de o Supremo Tribunal Federal legislar por falta de ação do congresso.

Nos últimos meses, o poderoso Centrão, do qual os ex-mensaleiros Valdemar da Costa Neto e Roberto Jefferson também são líderes ocultos, esteve negociando apoio a Ciro Gomes, o que foi dado inclusive como certo num dado momento. Não deu.

Rodrigo Maia ensaiou campanha à presidência apenas para valorizar o passe, o seu e o do Centrão. Além de não ter nenhuma real pretensão de ser candidato, por mais alucinado que seja ele sabe que não teria a menor chance.

O Centrão não apoiaria Jair Bolsonaro ou Marina Silva, nem gastaria suas fichas em Henrique Meirelles, muito menos a alguém ligado ao PT, mesmo que fosse o próprio Lula. Mas tinha que se decidir por alguém.

Após os seguidos, ruidosos e destruidores escândalos envolvendo seu nome, Aécio Neves disse que iria sumir de cena, e realmente sumiu. E sumiu tanto que o Centrão esqueceu que se afastou do PSDB por causa dele e fechou com Geraldo Alckmin, o Santo da Odebrecht. De maneira que “tudo está como d’antes do quartel te Abrantes”.

O Centrão de Eduardo Cunha apoia Geraldo Alckmin à presidência da república. A imprensa noticia fartamente que até os cargos já foram distribuídos entre os partidos, além do compromisso firmado pelo retorno do imposto sindical.

A política nada mais é do que uma versão romântica do antigo Telecatch, a luta livre que acontecia na extinta TV Excelsior, “que combinava encenação teatral, combate e circo“, como diz trecho do artigo da Wikipedia em destaque.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.