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O carnaval acabou, mas muita gente não quer abrir mão da fantasia

O carnaval acabou, mas muita gente não quer abrir mão da fantasiaFantasia no Brasil é o que não falta. Talvez o brasileiro seja o povo mais criativo do mundo quando se trata de fantasia, muito fruto do bom humor que nos caracteriza e nos torna únicos na capacidade que temos de rir de nós mesmos, não importa a circunstância.

Pierrot e Colombina reinaram soberanos por muitos carnavais, assim como marinheiros, piratas, índios, super-heróis, e tudo o que o imaginário do brasileiro foi e é capaz de transformar em fantasia. Mas acontece que nem toda fantasia acaba no carnaval. E esse ano, muitas ficarão na passarela até 30 de outubro.

Fantasiado de perseguido, Lula fará o que precisar para se livrar da cadeia. E se deixarem, entre uma escola e outra, vai tentar usar a fantasia de candidato a presidente.

Jair Bolsonaro fantasiado de salvador da pátria montado num tanque de guerra, enquanto Guilherme Boulos concebeu uma de candidato para ajudar Lula.

Manoela D’Avila com seu impecável devaneio de comunista não passará mesmo de um rostinho bonito na multidão. Já Luciana Genro nem de bonita, muito menos na multidão.

Ciro Gomes, de cangaceiro 2018, sabe que seu traje, feito com sobras de fantasias de outros carnavais, não convence ninguém. Já tentou se aliar à Marina Silva, mas essa continua querendo usar a fantasia de cabeça de chapa.

Joaquim Barbosa tirou a fantasia de juiz. Experimentou a de advogado de sucesso, mas é constantemente atiçado pelo canto da sereia que parece vir do Planalto.

Álvaro Dias ainda não entendeu que nessa briga eleitoral se fantasiar de bom moço não serve para nada, assim como não faz muito sucesso a fantasia de Novo de João Amoedo.

Geraldo Alckmin quer de todo jeito usar uma de Super Homem, mas só consegue, no máximo, ser um Super Chuchu. Enquanto isso, João Doria desfila pelo Brasil e pelo mundo fantasiado de prefeito de São Paulo tramando nas sombras a morte do chuchu.

Levy Fidélix vai com a mesma velha e surrada fantasia de Levy Fidélix, sempre foi um grande folião. E, vejam, Fernando Collor, de caçador de marajás a marajá cassado, vai dessa vez usar a fantasia de moralista.

Michel Temer insiste ridiculamente em se fantasiar de honesto e reformista, mas todo mundo sabe que a ideia da veste é roubada, e que foi feita com dinheiro dos outros.

E chegamos em Luciano Huck que está rasgando a fantasia (e as fotos em mídias e redes sociais) de amigo de bandido e tentando usar uma fantasia de apresentador-candidato, provando definitivamente que a criatividade do povo brasileiro não tem limites.

Outros candidatos estarão fantasiados de figurantes, só para garantir o dinheiro do fundo eleitoral mesmo.

Não dá mais para conviver com tantas fantasias. Não existem salvadores da pátria, não existe intervenção militar a caminho, não existe solução mágica para um país tão complexo como o Brasil.

Eleição não é carnaval. O governo brasileiro não é uma passarela. O povo brasileiro não é plateia da Marquês de Sapucaí.

Precisamos acabar com a folia desses personagens que há décadas iludem os eleitores, sejam eles carnavalescos conhecidos ou aventureiros que entendem que a política nada mais é do que uma noite de carnaval. E esse princípio deve valer para todos os cargos que estarão em disputa em 2018, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e presidente da república.

O Brasil não é um eterno carnaval. Ou defendemos isso nas eleições em outubro, ou os próximos 4 anos serão uma enorme ressaca de quarta-feira de cinzas.

Até quando vamos insistir em nos fantasiar de trouxas?

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