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Brasil, mostra tua cara. A gente já sabe quem paga para ficarmos assim.

Brasil, mostra tua cara. A gente já sabe quem paga para ficar assim.

Brasil, já sabemos o teu negócio, o nome dos teus sócios, chegou a hora de colocarmos um fim.

Quando Cazuza fez a música que eu mal parodiei, não sabíamos quem pagava, qual era o negócio, muito menos os sócios. Já sabemos. E sabemos porque o Brasil não sai do lugar.

Mas, mesmo com tudo escancarado do jeito que está, ainda querem que paguemos sem ver essa droga que já vem malhada antes da maioria das pessoas com até 30 anos ter nascido. Continuam imaginando que ainda queremos ver TV a Cores, como se fossemos todos índios, programados para dizer sim. Grande pátria desimportante. Já te traíram.

O que estamos esperando para acordar e perceber que o Brasil já é um grande Rio de Janeiro? Quantos escândalos mais teremos que ver nas manchetes e achar que isso faz parte da democracia?

Estão, insistentemente, tentando nos convencer de que os nomes postos até agora são as únicas opções eleitorais que temos e teremos nas próximas eleições. E, exceto Jair Bolsonaro, os nomes que surgem como novidade nada mais são do que “puxadinhos” dos nomes que há 32 anos fazem parte da dilapidação do patrimônio brasileiro.

Já sabemos todos os nomes que pagam para que o grosso do povo brasileiro continue na miséria e na impossibilidade de sonhar com uma vida decente para seus filhos e netos.

Já sabemos também que os sócios são senadores, deputados federais e estaduais, governadores, prefeitos, vereadores, ministros de estado, juízes de tribunais da 1ª Instância ao Supremo Tribunal Federal, empresários, imprensa, igrejas e movimentos sociais. E que além de pagarem para ficarmos assim, pagam muito para ficarem como estão.

Mas o Brasil não sabe mostrar a cara, porque o Brasil não tem mais uma cara. Somos um povo de mil faces, de mil tendências, de mil correntes, subdivididas dentro de seus interesses e suas capacidades de sonhar um país melhor.

Precisamos de alguém que nos traga o novo verdadeiramente novo. Não podemos mais viver de reforma em reforma, que além de não reformar profundamente nada, ainda deformam a sociedade, nos impregnando de ódios e conflitos que nada tem a ver com a questão de fundo e a mais importante, chamada Brasil.

O povo brasileiro precisa urgentemente mostrar a sua cara e existem caminhos consistentes para isso. A classe média, goste ou não, não pode fugir à sua responsabilidade de liderar a mudança que precisa ser feita. E muito bem feita.

Após todos os movimentos já feitos para asfixiar o combate à corrupção, o Supremo Tribunal Federal começa essa semana uma nova e decisiva fase, cujo primeiro movimento dando continuidade ao julgamento do fim do foro privilegiado, que já conta com 4 votos a favor. O veredito desse julgamento será a pista para o que estará por vir, como a revisão da prisão após condenação em 2ª Instância.

Ao mesmo tempo a Câmara dos Deputados resolveu tratar do projeto que também trata do fim do foro privilegiado, já aprovado no senado, o que nos leva a pergunta: se as decisões dos dois poderes forem distintas, qual delas valerá? Quem tem a supremacia? E que ninguém duvide se a Câmara aprovar a proposta do Senado, mas com vigência só a partir do ano 2200.

Mostremos a nossa cara ou esqueçamos Cazuza. E passemos, então, o resto da vida cantando, resignadamente, o refrão de Renato Russo “Que país é esse”. Ou o certo seria “Que povo é esse”?

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