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Bolsonaro passa bem. Já a república continua conspirando por aparelhos.

Bolsonaro passa bem. Já a república continua conspirando por aparelhos.

Felizmente, a saúde de Jair Bolsonaro é realmente muito boa. Não é mole passar por essa sequência de cirurgias numa área tão delicada e demonstrar tanta vitalidade em tão pouco tempo. E para quem torceu contra, perdeu seu tempo e um bocado de sua humanidade. Tempos estranhos esses.

Mas, se a saúde de Bolsonaro vai bem obrigado, a saúde da república e da nação não segue o mesmo rumo. Somos diariamente expostos ao vilanismo elevado à enésima potência. Não existi crime inimaginável no Brasil. Se há a possibilidade de um delito ser cometido, qualquer delito, ele será cometido. Um paradoxo da Lei de Murph. Ou algo parecido.

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A podridão que orbita os três poderes ultrapassa a boa vontade e os bons corações republicanos. Não há nada de republicano na maneira que se faz política no Brasil. Simplesmente é incabível que haja relacionamento íntimo de um ministro do Supremo Tribunal Federal com políticos. Isso não é republicano. Nem sequer é moral.

As relações subterrâneas entre os poderes impedem que o Brasil enfrente definitivamente a corrupção. As decisões que mudam as vidas das pessoas são feitas no esgoto, pelas mãos do que há de mais podre na história da política desse país. Nunca houve um momento tão medíocre na história do Congresso Nacional e do judiciário brasileiro. Enquanto uns reescrevem leis mais adequadas aos crimes que pretendem cometer e encobrir, outros rasgam as leis que, bem ou mal, nos trouxeram até aqui, e que serviram para que a Lava Jato revelasse o que revelou.

O fato que circunstancia isso tudo é que a sequência de atos e ações promovidas pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal, além de claramente imorais, ilegais e inconstitucionais, afetam duramente o combate à corrupção, ao crime organizado, ao tráfico de drogas. Não se trata apenas de proteger corruptos. É de desproteger a sociedade.

Que existe um acordo em plena fase de cumprimento, é inegável. Os principais atores são, sem sombra de dúvida, Toffoli, Alcolumbre (leia-se Renan Calheiros) e Rodrigo Maia. Mas é muito confusa a posição de Bolsonaro nisso tudo. Sua posição em relação ao combate à corrupção já não é feita com a devida ênfase, com a exata importância, num claro trabalho de tentar colocar o assunto em segundo plano.

As posições do governo em relação à maneira como se conduziu o processo de destruição do COAF, transformando uma das principais instituições do país no combate ao crime, à sonegação, à corrupção, em um órgão minimizado em importância e eficiência, e dependente do judiciário para promover algum resultado encomendado.

É dúbia também a relação de Bolsonaro com Sérgio Moro. Haja fritura, ou não, fatos como a demissão sumária do presidente do COAF, Roberto Leonel, indicado por Moro, a fritura de Maurício Valeixo na PF, a troca do superintendente do Rio de Janeiro, a troca do superintendente de Paranaguá, interferências diretas e incomuns de um presidente. Direito dele, pode ser. Está escrito lá que ele pode fazer isso. Mas é incomum.

Se o cerne da questão é Flávio Bolsonaro, nas mãos do judiciário, não se sabe, por mais que todos achem que saibam tudo. Tem coisa para saber, mas, de fato, a gente não sabe. Mas a gente percebe. Flávio ser contra a CPI da Lava Toga, ter sido a favor da Lei de Abuso de Autoridade, a pressão pessoal que fez aos senadores do PSL para que retirassem a assinatura da Lava Toga, é tudo muito estranho.

E tem ainda o Eduardo querendo ser embaixador e o pai do Eduardo querendo que ele seja embaixador, e isso tem que passar pelo Senado, o que expõe Bolsonaro ao risco de um vexame político se tiver seu próprio filho rejeitado pelo Senado Federal, sabe-se lá por qual placar. Mas uma derrota tão possível quanto evitável. O preço existe, é uma questão de querer pagar do lado deles, e uma questão da gente entender nos acontecimentos que, de fato, já está sendo pago.

As conspirações estão em alta na república, e parece que ela está toda aparelhada, inclusive no executivo, através de órgãos como AGU, CGU, Casa Civil, Receita Federal, Polícia Federal, todos com seus grupelhos de terroristas que sabotam o desenvolvimento do país vazando informações, plantando informações, roubando informações, deturpando informações, desinformando as informações.

Independente da possibilidade de afirmar que o governo Bolsonaro faz parte ou não de algum acordo com o judiciário e com o legislativo, é inegável que o acordo entre os dois últimos não apenas existe como também é muito antigo. E até 10 meses o executivo era parte integrante do acordo, e foi por pelo menos 35 anos.

Se os atos do governo Bolsonaro, de fato, não tem nada a ver com o acordo que está colocando o combate à corrupção nas cordas, a coincidência foi péssima e a resposta que tem sido dada é pior do que a encomenda. A série de atos associados dos três poderes sugerem uma mudança radical no enfrentamento da corrupção, com graves efeitos na Lava Jato. A indicação de Augusto Aras para a PGR, e a facilidade com que já se sabe que ele será aprovado na sabatina e no plenário do Senado soam como algo preocupante. Os 19 vetos (36 dispositivos) na Lei de Abuso de Autoridade associado a um discurso enfático de que o Ministério Público comete mesmo abusos, usando-se como exemplo, usando o filho Flávio como exemplo, é complicado de entender.

Augusto Aras foi indicado pelo ex-deputado do DEM, Alberto Fraga, que respondia processo por recebimento de propina de 350 mil reais no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT). Aras foi indicado por Bolsonaro para a PGR no dia 5 de setembro. No dia 12 de setembro o (TJDFT) inocentou Alberto Fraga no processo.

A república está totalmente aparelhada. As pessoas de boa fé são engolidas pela podridão do sistema. Ou são cooptadas ou são excluídas do processo, não são consideradas partícipes, e o que tentam fazer não conseguem. E isso vale até mesmo para a presidência da república. E não é a esquerda apenas que está infiltrada nas entranhas do sistema, é o banditismo. Já deixou de ser direita e esquerda. É uma penca de bandidos contra uma trupe de mocinhos, cada vez mais enfraquecidos, mais desprotegidos pelas leis criadas por aqueles que eles precisam prender. E quando chegam perto, os bandidos mudam a lei para tornar crime que cumpre a lei, e descriminalizam o crime para continuar praticando.

O risco é a morte cerebral. A falência de órgãos já é múltipla. Porém, enquanto houver atividade cerebral, ainda há esperança.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.