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Bolsonaro é presidente eleito. Não sou mais eleitor dele. Agora sou fiscal.

Bolsonaro é presidente eleito. Não sou mais eleitor dele. Agora sou fiscal.Jair Bolsonaro é presidente eleito do Brasil. A fase de candidato fica para trás, mas não sem que os compromissos assumidos em campanha sejam cumpridos, afinal foi por eles que ele foi eleito.

Da mesma maneira que muda o status de Bolsonaro, muda também nosso status. Deixamos de ser eleitores e passamos novamente à condição de cidadãos, pagadores de impostos e ansiosos por receber em troca os serviços que esses impostos financiam.

Se queremos um país decente, temos que ser cidadãos decentes. Faz parte da cidadania a fiscalização e cobrança aos governantes para que eles cumpram os compromissos que assumiram. E está aí o maior erro do brasileiro. Até junho de 2013, a maioria de nós parecia não saber que pode e deve cobrar seus governantes, seja através de reclamações e ações públicas ou até mesmo através de manifestações de rua.

O mito Jair Bolsonaro da campanha eleitoral terá que se provar mito também na administração de um país em caos, realinhando a economia como eixo principal para qualquer outra iniciativa de governo, seja na saúde, na educação, na geração de empregos e mesmo na segurança pública. Não se faz nada disso decentemente sem que haja dinheiro suficiente e a garantia de que esse dinheiro realmente chegará ao seu destino e que será efetivamente aplicado naquilo a que se destinou.

Bolsonaro também terá que se provar mito na relação com um congresso complicado, ainda lotado de corruptos que tentarão estabelecer com ele o velho “toma lá dá cá” que desde o governo Sarney se tornou a maneira de fazer política no Brasil. Até hoje, os únicos que não souberam se relacionar com o congresso sofreram impeachment. Fernando Collor e Dilma Rousseff achavam que não precisavam dialogar ou negociar com o congresso.

E falando em impeachment, é certo que o PT, especialista em pedidos de impeachment, tentará de todas as maneiras emplacar meia dúzia de pedidos de impeachment logo no começo, mesmo que não haja nada no mínimo razoável para justificá-los. O que interessa ao PT e à esquerda é tumultuar o ambiente, e farão o pior da melhor maneira que puderem.

Será exigido de Jair Bolsonaro em seis meses o que o PT não fez durante quase 14 anos, e a todo momento será dito que ele não tem competência para governar o país. Bolsonaro terá que saber passar por cima disso. Nosso papel como cidadãos que votaram nele será dar ao presidente Bolsonaro o mesmo apoio que, como eleitores, demos ao candidato.

Apoio, no entanto, não significa aceitar qualquer coisa que o mito da campanha faça. Particularmente, não estou disposto a dar um ‘cheque em branco’ para um presidente e não cobrar dele o retorno do meu investimento. Bolsonaro só conseguirá ser um bom presidente se nós formos bons cidadãos, e essa cidadania se dá através da fiscalização, da cobrança, e do repúdio a qualquer coisa que seja diferente do roteiro que nos foi apresentado na campanha eleitoral.

Não haverá militares tomando o poder, não haverá ditadura ou tortura, não haverá perseguição aos gays e negros, muito menos o estabelecimento de uma sociedade machista que aprofunde a desigualdade entre homens e mulheres, nem acabará o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, e outros programas assistenciais que nem poderiam ser simplesmente extintos sem que essa parcela da sociedade que depende deles tivesse como sobreviver. Mas há que se disciplinar todos, acabar com as fraudes e trabalhar na verdadeira promoção social dessas pessoas.

A única hipótese de termos tanques de guerra nas ruas não virá de Bolsonaro, e talvez nem precise ele tomar posse para que isso aconteça. Quem tentará com muito esforço trazer os tanques de guerra para as ruas será à esquerda, pois essa é a única maneira de legitimar a cantilena de que “tudo sempre foi um golpe”.

É possível, inclusive, que o PT e a esquerda insuflem e respaldem ações dos movimentos sociais como o MST e MTST, promovendo a desordem com invasões, greves e manifestações, com a finalidade de provocar uma reação (talvez necessária) das Forças Armadas. E quem votou em Bolsonaro tem que estar preparado para essa hipótese, não se trata de mera ficção ou sensacionalismo.

Como cidadãos, temos que ser o alter ego de Jair Bolsonaro, apoiando as decisões que considerarmos corretas e contestando tudo aquilo que esteja fora do script que nos foi apresentado desde que ele se projetou como candidato à presidência da república.
Hoje, Jair Bolsonaro tem 100% do meu apoio e confiança.

Mas, ao menor desvio rumo ao autoritarismo – o que eu não acredito que aconteça – serei um dos primeiros a me posicionar e postar manifestamente contrário, pois eu não votei nele para isso, e penso que a maioria dos brasileiros que votaram nele pensam da mesma maneira. E que ele não toque na Lava Jato. Mais do que nunca queremos que ela vá até o fundo do poço.

O que esperamos de Jair Bolsonaro é o ajuste da economia para que o Brasil volte a gerar empregos, para que as empresas e indústrias voltem a investir em sua modernização, que seja dada uma nova diretriz para a educação escolar fundamental e média, que o governo invista pesada e prioritariamente na saúde e que uma reviravolta na segurança pública aconteça de maneira eficaz e perceptível.

Muitas das medidas para se chegar a esses resultados dependerão do Congresso Nacional. Caberá também a nós fazer pressão sobre deputados e senadores para que colaborem com as medidas propostas, afinal de contas também fomos nós que os elegemos.

Ser um fiscal do governo Bolsonaro não significará ser contra ele, mas ser crítico o suficiente para enxergar que agora ele é presidente da república, e nós os cidadãos que pagamos para vê-lo lá e que pagaremos por seus erros e acertos, tanto apoiando como nos omitindo.

Quanto à esquerda, temos que estar alertas e preparados para um aprofundamento da baixaria utilizada na campanha, pois no dia 1° e janeiro de 2019 o povo brasileiro não verá nada do que o PT e a esquerda, com seus juristas, artistas e ativistas, prometeram ao povo que haveria. Será apenas um dia de festa e de esperança renovada. A menos que eles resolvam estragar a festa, são especialistas nisso.

Não será fácil, as pancadas virão por toda parte. A mídia já começou faz tempo, vai piorar já a partir de hoje. Precisaremos ser mais brasileiros do que nunca.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.